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28/06/2013 17:33

Protestos no Brasil revelam novas aspirações, diz Neri

Ministro interino da SAE e presidente do Ipea explica que anseios podem ser maiores que as melhorias de renda e emprego

 

Fotos/ Thiago Cavancante

"As aspirações da população podem ter aumentado mais do que o que foi entregue", disse Neri

Em entrevista nesta quinta-feira, 27, no Centro Aberto de Mídia (Forte de Copacabana), no Rio de Janeiro, o presidente do Ipea e ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Marcelo Neri, afirmou que as manifestações recentes no Brasil revelam aspirações crescentes da população. “Normalmente protestos como os que ocorreram em Wall Street, nos Estados Unidos, são contra desigualdade e desemprego, mas aqui a desigualdade vem caindo e a economia está próxima do pleno emprego. É um protesto de natureza diferente, é uma receita brasileira”, explicou.

Segundo o ministro interino da SAE e presidente do Ipea, nos últimos 12 meses encerrados em maio, a renda média do trabalho do brasileiro cresceu 3,1% em termos reais, já descontada a inflação. Na perferia das maiores metrópoles, cresceu 5,4% e, para trabalhadores com menos de um ano de estudo, 6,3%. “A diferença agora é que o aumento da renda das famílias se deve mais ao crescimento do salário e menos ao aumento da ocupação, o que pode ser um sinal de pleno emprego”, afirmou Neri, economista estudioso de temas sociais. Em 12 anos, a renda dos 10% mais pobres da população cresceu 550% mais rápido que a dos 10% mais ricos.

“Eu particularmente tenho muito orgulho de todo esse movimento que aconteceu no Brasil nos últimos dez anos, de redução de desigualdade”, ressaltou. Neri levantou a hipótese de a alta velocidade dessa queda ter gerado algum desconforto em parte da sociedade, que sempre conviveu com um nível de desigualdade “indecente”. Em relação às manifestações das últimas semanas no país, Neri declarou que “não diria que são os mais ricos, mas talvez não sejam os mais pobres” que estejam indo às ruas.

Além disso, o ministro acrescentou que “as aspirações da população podem ter aumentado mais do que o que foi entregue” em termos de melhorias socioeconômicas. Citando pesquisa mundial realizada neste ano, ele lembrou que “os brasileiros continuam sendo, em 2013, os que têm maior expectativa de satisfação com a vida daqui a cinco anos”. Para o ministro, esse alto nível de expectativas individuais tem um lado positivo, mas também pode criar dificuldades, como contribuir para uma baixa propensão a poupar e gerar frustrações com maior rapidez.

Para o economista, as manifestações por melhorias em serviços públicos podem ser vistas como positivas e mostram a elevação do nível de exigência da população. Neri confrontou indicadores objetivos que atestam avanços em escolaridade e proficiência em testes internacionais com índices subjetivos que revelam piora na nota atribuída pelos brasileiros aos serviços de educação. A motivação das ruas, em sua interpretação, está associada a uma positiva emergência de novas aspirações. “As condições objetivas de vida dos brasileiros melhoraram, mas talvez as aspirações tenham aumentado ainda mais, gerando uma insatisfação. Mais com o sistema e menos com o que as pessoas observam diretamente em suas vidas”, disse.

“A satisfação com a educação está caindo, o que é uma qualidade. A gente tinha uma educação muito ruim, mas os brasileiros achavam que era boa. Hoje, embora a educação tenha melhorado em quantidade e qualidade, a satisfação tem caído. Tem havido um aprendizado sobre a qualidade da educação e a mesma coisa acontece na saúde”, afirmou.

Vídeo: Entrevista com Marcelo Neri, no Centro Aberto de Mídia da Copa das Confederações

 

 
 

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