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12/03/2013 16:44

Ricos e pobres perdem cada vez mais tempo no trânsito

 

São Paulo e Rio tiram mais horas do trabalhador do que 19 entre 20 metrópoles estrangeiras


Chegar ao trabalho custa mais tempo nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro do que em Londres, Nova York, Tóquio, Paris, Santiago e várias outras grandes cidades, exceto Xangai, em um conjunto de 20 estrangeiras e 10 brasileiras com dados comparáveis. De 1992 a 2009, o tempo de deslocamento nas áreas metropolitanas do Brasil aumentou 4% para os mais pobres e 15% para os mais ricos, reduzindo de 9 para 6 minutos (ou de 33% para 20%) a diferença de tempo que penaliza os de menor renda. A piora foi mais sentida pelas mulheres, que já gastam quase tanto quanto os homens no trânsito.

Essas são algumas das conclusões de um estudo recém-publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de autoria do técnico de planejamento e pesquisa Rafael Pereira, em parceria com Tim Schwanen, da Universidade de Oxford. Eles se debruçaram sobre indicadores ainda pouco explorados nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para revelar um aspecto que afeta diariamente a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.

Tempo gasto até o trabalho no Brasil e no mundo (em minutos)

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Como regra geral, o trânsito penaliza mais intensamente os habitantes das cidades com maior densidade demográfica, maior produto per capita e maior proporção de pessoas com carro. Nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro, levam-se em média 43 minutos para chegar até o trabalho, sem contar a volta, 31% mais do que nas outras metrópoles do país. Áreas mais pobres e menos populosas também vêm experimentando piora no tempo de viagem dos seus habitantes, seja por carência de sistemas de transporte de massa, seja pelo forte aumento nas taxas de motorização, que congestionam as vias públicas. Não é à toa que Belém, Fortaleza, Recife e Salvador são centros onde pobres e ricos perdem praticamente o mesmo tempo no trânsito.

Variações no tempo gasto até o trabalho de 1992 a 2009

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Os pesquisadores destacam que os efeitos positivos dos investimentos em transporte urbano tendem a diminuir com o passar do tempo. Os realizados no Rio de Janeiro no fim dos anos 1990 são apontados como exemplo: a diminuição no tempo de viagem obtida com as obras foi quase toda revertida nos anos 2000, o que requer nova expansão de capacidade, inclusive para a realização das Olimpíadas de 2016.

Uma curiosidade se expressa nos casos de Curitiba e Porto Alegre. Ambas as cidades, que nos anos 1990 instalaram sistemas eficientes de transporte público, com corredores de ônibus, mantiveram praticamente inalterado o tempo médio de viagem de seus habitantes, evitando a piora observada em outras cidades. Entretanto, quando comparados os 10% mais pobres aos 10% mais ricos, contrariamente à capital gaúcha, Curitiba tem um dos maiores níveis de desigualdade nas durações de viagem, em grau semelhante ao de Brasília, onde os pobres demoram, em média, quase o dobro dos ricos.

O cenário apontado no estudo é também um desafio para a Copa do Mundo de 2014, que ocorrerá em 12 grandes centros urbanos. A maior contribuição que o conhecimento dessas tendências pode dar, contudo, é na formulação de políticas de mobilidade que estimulem investimentos produtivos no país e melhorem a vida das pessoas. O texto aponta a Pnad como um instrumento a ser utilizado para monitorar atualmente os possíveis impactos dessas políticas.

Grupo Técnico

Nesta terça-feira, 12, uma portaria do Ministério das Cidades criou um Grupo Técnico para produzir a proposta de um Sistema de Informações em Mobilidade Urbana. A intenção é reunir, em um único ambiente de armazenamento, dados sobre essa área, tornando-se referência na formulação de políticas públicas relativas à mobilidade urbana. Além de representantes do Ipea e da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana (SNTMU), o grupo contará com integrantes da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) e Centro de Transporte Sustentável do Brasil (EMBARQ Brasil).

Leia a íntegra do Texto para Discussão “Tempo de deslocamento casa-trabalho no Brasil (1992-2009): diferenças entre regiões metropolitanas, níveis de renda e sexo”

 
 

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