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22/09/2012 09:44

O Globo - Renda sobe 8,3% e queda na desigualdade é mais intensa

Em dois anos, salários dos 10% mais pobres cresceram 29,2%

Por Cássia Almeida, Roberta Scrivano e Carolina Jardim, repórteres

O mercado de trabalho brasileiro ficou menos desigual, conforme mostrou a Pnad de 2011. O rendimento médio real (descontada a inflação) foi de R$ 1.345, alta de 8,3% frente a 2009, numa valorização que privilegiou os trabalhadores mais pobres. Na base da pirâmide de renda, os 10% mais pobres viram seu rendimento crescer 29,2%, já os trabalhadores na faixa 1% mais rica tiveram alta do salário e 4,43%. Com isso, o Índice de Gini, indicador que, quanto mais próximo de zero, melhor é a distribuição de renda, caiu de 0,518 em 2009 para 0,501 em 2011. Foi uma queda mais intensa que nos anos anteriores, quando o recuo ficava em média em 0,7 ao ano. A redução de 1,7 ponto em dois anos é superior:

- Mantivemos a queda da década anterior, que já era rápida. E a desigualdade caiu com todos ganhando, que é o ideal. No início da queda da desigualdade, em 2001, os pobres ganhavam a custo dos ricos - diz Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Wesley Nery, técnico de pré-vendas de softwares de 26 anos, mudou de emprego em fevereiro do ano passado para ganhar 60% a mais. Antes da empresa em que está, de médio porte no bairro de Moema, ele trabalhava em uma microempresa próxima à sua casa, em Parelheiros, na Zona Sul paulistana. No emprego anterior, também de venda de softwares, Nery ficou quatro anos.

- Entrei estagiário e fui subindo. A responsabilidade cresceu, mas o salário não crescia na mesma proporção. E também, como era uma microempresa, eu acumulava funções - afirma o jovem, que almejava o aumento da renda para investir em sua carreira de cantor.

Nery diz que observava um mercado de trabalho aquecido, sobretudo por causa dos amigos e vizinhos que trocavam de emprego para ganhar mais:

- Foi quando decidi me cadastrar em um site que oferece vagas de emprego e encontrei a que estou hoje.

Diretor do Instituto de Economia da UFRJ, Carlos Frederico Rocha vê aquecimento do mercado de trabalho:

- O crescimento da economia pode ter feito com o que os salários da base cresçam mais do que o topo. A construção civil cresceu muito, por exemplo, aumentando vagas para mão de obra pouca especializada - avaliou.

No Norte, desigualdade cresceu

Mas o comportamento não foi unânime entre as regiões. No Norte, a desigualdade no trabalho aumentou - o Gini subiu de 0,488 para 0,496 - repetindo o que ocorrera em 2008. Para Rocha, da UFRJ, a Zona Franca de Manaus pode ter contribuído para o resultado:

- Houve crescimento muito grande da Zona Franca, e pode ter sido mais intensivo em mão de obra especializada, beneficiando os salários mais altos.

A desigualdade de gênero, apesar de intensa, também caiu nos dois anos da pesquisa. O salário feminino de R$ 997 representou 70,4% do salário de R$ 1.417 dos homens, em 2011. Dois anos antes, era 67,1%.

 
 

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