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14/08/2009 11:23

Debate no Rio destaca novo modelo de desenvolvimento

Em comemoração pelo Dia do Economista, Ipea participou de seminário sobre o cenário pós-crise no Corecon-RJ

Para celebrar o Dia do Economista, o Conselho Regional de Economia (Corecon) do Rio realizou na quinta-feira (13) um debate sobre as consequências da crise e sugestões para o país se beneficiar neste momento de oportunidades. O encontro teve palestras de João Paulo de Almeida Magalhães e Carlos Lessa, membros do Conselho de Orientação do Ipea, José Carlos de Assis e João Sicsú (diretor de Estudos Macroeconômicos).

Entre os palestrantes, um consenso: a crise demonstrou a ineficácia do modelo neoliberal como paradigma irrefutável do desenvolvimento no Brasil e na América Latina. "Estamos vivendo uma crise importante, a qual comprova que o neoliberalismo ao qual se curvou a América Latina não deu certo aqui, nem em outros países", afirmou Magalhães, comentando seu livro O que fazer depois da crise.

O conselheiro do Ipea enfatizou as diferenças entre crescimento econômico clássico e retardatário, e elogiou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), embora com a ressalva de que "ainda está muito aquém" das necessidades do Brasil. "Precisamos de uma estratégia capaz de mostrar o que o país vai fazer nos próximos 30 ou 80 anos."

João Carlos de Assis, autor de A crise da globalização, acrescentou que o Brasil sofreu menos com a crise devido, em boa parte, ao fato de praticamente 40% do sistema bancário ser estatal. "Entre setembro do ano passado e junho último, o crédito dos bancos públicos cresceu 25%. Nos privados, o aumento foi de menos de 4%", explicou.

Segundo Assis, a crise atual ainda é subestimada. "Dizem que a economia está se recuperando, que tudo vai voltar ao normal o quanto antes. Trata-se apenas de uma tentativa de se evitar o que, no começo da crise, parecia inevitável: uma profunda reestruturação do capitalismo."

Papel do Estado

O diretor da Dimac, João Sicsú, criticou os que insistem na ideia do corte de gastos públicos como solução "para qualquer problema" na economia brasileira. "Os liberais não querem só cortar gastos, querem orçamento muito pequeno. Mas esse orçamento reduzido não faz bem à economia privada. Quanto mais orçamento, mais empresas fortes, mais crescimento. O setor privado precisa de estabilidade e menos incerteza. Quem cumpre esse papel de reduzir a incerteza é o Estado", afirmou.

Sicsú, que ao lado de Armando Castelar organizou o livro Sociedade e Economia, considerou 2009 um ano de recuperação para o país e declarou que, a partir de 2010, o Brasil estará numa rota "bastante aceitável" de crescimento. Ele defendeu a carga tributária brasileira, afirmando que ela tem tamanho adequado, mas ainda é mal distribuída. Para o diretor da Dimac, é preciso se pensar em uma nova estrutura de recolhimento de impostos.

Encerrando a noite de palestras, Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fez uma análise do panorama de nações emergentes, como China, Argentina, e sobretudo o Brasil, após a crise. Segundo ele, haveria um acordo tácito entre China e Estados Unidos para a sustentação e hegemonia do dólar, objetivo estratégico chinês. "Não acho que a China vai se mover para empurrar o yuan e jogar para baixo o dólar. Acho que ela usará sua força para ocupar a periferia mundial num padrão neovitoriano", afirmou.

O economista explicou também como os interesses brasileiros em países como Argentina, Chile e Angola estão sendo afetados pelo crescimento da influência comercial e econômica chinesa. Ele citou o exemplo do mercado de minério de ferro. Lessa criticou bastante a matriz logística brasileira e disse acreditar que a crise mundial ser arrastará por mais tempo, pois "as massas de capital fictício ainda são colossais, e muitas empresas continuam paralisadas após o festival especulativo".

 
 

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