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22/11/2011 07:40

Economista Francês analisa o futuro do desenvolvimento

 

 

Solução para crises financeiras é reestruturação institucional, segundo Robert Boyer, da EHESS, que palestrou no Ipea

No atual contexto da crise econômica que se alastra pela União Européia o Ipea recebeu no Rio de Janeiro, dia 10/11, Robert Boyer economista Sênior do Centre pour La Recherche Economique na Ècole dês Hautes ètudes em Sciences Sociales (EHESS) e Diretor de Pesquisa no Centre National de La Recherche Scientifique (CNRS) que apresentou seu estudo  “Quais seriam os próximos modos de desenvolvimento e regime internacional?”

O professor que é um dos fundadores da escola da regulação econômica foi recebido no Ipea com elogios de Vanessa Petrelli, diretora de Estudos e Políticas Macroeconômicas (DIMAC), salientando  que a vinda do pesquisador ao Ipea é uma possibilidade de estreitar laços entre as instituições que representam, “visamos ter um intercâmbio com os grupos de economia dos quais o professor Boyer participa, para que possamos desenvolver pesquisas em novos modos de capitalismos para a América Latina”, disse.

Robert Boyer iniciou o debate afirmando que as três principais fontes da crise mundial de 2008 ainda estão operando, tendo a prevalência da lógica financeira sobre uma possível racionalidade econômica. Os fatores são a não mudança dos incentivos e estratégias econômicas, a não correção dos efeitos externos de desestabilização durante crises anteriores, e o desequilíbrio internacional da economia com a polarização entre grandes déficits e excedentes comerciais.  Para ele esses fatores acarretam a desigualdade de renda que por sua vez aumenta a frequência de crises financeiras.

Segundo o economista a crise é estrutural, pois não há recuperação endógena no regime de acumulação de capital norte americano apesar da crescente liquidez nos bancos. Isso se deve a uma forte “aversão” ao risco que vem dificultando o crédito para empresas e famílias. “Diante desse cenário o desemprego tornou-se estrutural e de longa duração, daí uma queda na renda real dos salários, o que é agravado pelo impasse político sobre um plano de novos gastos públicos em infra-estruturas”, disse Boyer.

Diante desta conjuntura Boyer afirma que é necessária uma nova teoria de desenvolvimento que busque avaliar as políticas públicas adotadas por alguns países emergentes. Ele citou três experiências que considera notáveis, a China que tem uma economia dinâmica com controle de crédito e câmbio por parte das autoridades publicas. A Argentina com sua recuperação surpreendente da economia, apesar de ainda passar por alguns conflitos políticos.

E por fim o Brasil que, segundo ele, representa um novo estrutularismo latino-americano com a adoção de políticas para controlar a entrada de capital especulativo através de imposto, um processo de crescente geração de emprego e, sobretudo a forte inclusão social que o país vem passando desde 2003.

Para o economista francês uma convergência emergente entre essas políticas de desenvolvimento de China, Brasil e Argentina é “uma oportunidade de elaborar uma nova trajetória para o desenvolvimento, impedindo a volta das teorias convencionais que tiveram papel tão negativo, gerando fracasso das estratégias de desregulamentação e instabilidade nas relações internacionais.

O professor finalizou afirmando que o novo desenvolvimento tem que ter como objetivo reformas institucionais reduzindo a dependência em relação a intermediação financeira internacional, construir uma credibilidade do sistema financeiro doméstico e fortalecer a economia em toda  a complementaridade dos bancos privados e públicos.


Brasil e o novo desenvolvimentismo

De acordo com Miguel Bruno, coordenador da área de Crescimento, Desenvolvimento e Distribuição de Renda da Dimac (Ipea), que organizou o seminário de Robert Boyer na instituição a busca pela estabilidade é urgente, “algo como um "novo sistema de Bretton Woods" será necessário para garantir a possibilidade de emergência de novas trajetórias de estabilidade do crescimento econômico, tanto na zona do euro quanto nos EUA e América Latina”. Para ele, é preciso se pensar um novo sistema monetário internacional que implica nova arquitetura institucional para dar suporte a relações comerciais e financeiras mais apropriadas com as demandas sociais em matéria de crescimento econômico, redução das desigualdades e geração de emprego e de renda.

Miguel Bruno afirmou que a economia brasileira vem optando por uma forma de inserir o país no contexto internacional e aproveitar suas vantagens competitivas e do acesso aos mercados globais completamente diferente daquelas seguidas pelas economias que mais crescem no mundo.

Segundo o pesquisador, a atual forma de inserção internacional dificulta, por razões estruturais, a obtenção de uma taxa de câmbio competitiva e a emergência de um ambiente macroeconômico com taxas de juros baixas ou próximas aos padrões internacionais. “O tipo de inserção internacional do Brasil, caracterizado por ampla liberalização da conta financeira em mercados de derivativos profundo, tende a tornar praticamente imediatos os impactos da crise mundial sobre a economia doméstica, afetando a estrutura produtiva e os projetos de investimento que o Estado pretende impulsionar”, avaliou.

O Brasil precisa então mobilizar o seu Estado para defender sua economia dos efeitos adversos da propagação dessa crise, de acordo com Miguel Bruno, os custos de não fazê-lo serão enormes ultrapassando sobremaneira qualquer custo estimado pelas visões liberalizantes que buscam difundir as "vantagens da não-intervenção do Estado ou dos mercados completamente livres".

 
 

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