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07/08/2009 16:19
Simpósio analisa políticas sociais para o desenvolvimento

Presidente do Ipea afirma que o Brasil pode exercer liderança no mundo pós-crise e defende novo padrão civilizatório

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, participou na quinta-feira, 6 de agosto, do Simpósio Internacional sobre Desenvolvimento Social, que termina dia 7 no Brasília Alvorada Hotel. Promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o evento conta com a presença de autoridades e pesquisadores brasileiros e internacionais que debatem o tema do encontro, "Políticas Sociais para o Desenvolvimento: Superar a Pobreza e Promover a Inclusão", e analisam, no contexto da crise econômica mundial, os modelos e políticas públicas colocadas em práticas em países da Europa, África, América Latina e Ásia.

Por meio da apresentação de seis painéis, o simpósio pretende avaliar os avanços e desafios encontrados pelos países emergentes na superação da pobreza e da desigualdade, além do papel que as nações vêm desempenhando para melhorar as condições de vida de suas populações.

Pochmann apresentou o painel "Promover o Desenvolvimento Social no Contexto da Crise: Desafios para o Estado e as Políticas Públicas". A mesa foi coordenada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e era formada pelo presidente do Ipea, por Joan Subirats (da Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha) e Fernando Filgueira (da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal).

O ministro destacou que é fundamental o peso das consequências da crise econômica não cair sobre os mais pobres. "Mesmo nesse contexto, é possível seguir o trabalho de redução de desigualdade e pobreza, como revelam os estudos do Ipea. Certamente sempre se pode fazer mais, melhorar as reflexões, e esta mesa apontará ideias."

Pochmann afirmou que o mundo pós-crise será muito diferente do mundo pré-crise. "Há uma mudança na hierarquia mundial, um deslocamento do centro de polaridade; e o Brasil pode ter a liderança em um programa de desenvolvimento que não seja a reprodução do passado".

Ele mencionou que o Brasil é a nona economia do mundo, mas poderia ser a terceira se tivesse mantido o ritmo de crescimento dos anos 1930. Destacou também o descompasso nos avanços econômicos que não foram acompanhados por avanços sociais. Mas, no contexto da crise, Pochmann lembrou que apesar da queda da produção e o aumento do desemprego, houve redução da pobreza e da desigualdade nas principais regiões metropolitanas. "É preciso repensar o sistema de proteção social para que não seja deslocado da esfera econômica e da sustentabilidade ambiental", acrescentou.

Segundo o presidente do Ipea, o desafio é construir um padrão civilizatório do século XXI. "Foram quatro séculos de transição da sociedade agrária para a urbana industrial. A mudança agora é da sociedade urbana industrial para a pós-industrial." A complexidade desse novo cenário, disse Pochmann, pede um mercado de trabalho com jornadas menores e gerando um produto imaterial, o conhecimento. "A riqueza imaterial é pouco contabilizada, sofre uma concentração em poucos grupos, uma riqueza que não está sendo nem tributada", disse Pochmann.

 
 

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