Primeira Hora (MT): Cai proporção de microempresários entre os trabalhadores no País
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29/04/2013 10:59

Primeira Hora (MT): Cai proporção de microempresários entre os trabalhadores no País




O brasileiro ocupado não tem aberto mais empresas, mas, cada vez mais, se tornado um trabalhador formal. Como conseqüência, a proporção de empresários brasileiros em relação ao conjunto de trabalhadores ocupados tem caído, o que diminui as chances de uma pessoa com as mesmas características de ter um empreendimento como ocupação em 8,5% este ano, em comparação a 2006.

Esta é uma das conclusões do terceiro caderno "Vozes da Nova Classe Média", lançado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) nesta segunda-feira (29), e que trata da relação entre empreendedorismo e a classe média.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), produzida pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que abrange o período de 2001 a 2011, foram criados 15 milhões de novos postos de trabalho no Brasil.

Deste total, menos de 2 milhões devem-se à expansão do número de pequenos empreendedores, o que corresponde à 12% dos novos postos de trabalho. Isso fez com que a participação dos pequenos empreendedores na força de trabalho declinasse de 26% para 24%

"Há mais emprego e menos empreendedorismo", diz o ministro-chefe interino da Secretaria e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "Uma população mais qualificada, ainda que a partir de um nível ruim, e o aumento do mercado interno e da empregabilidade colaboraram para isso".

A pesquisa caracteriza como pequenos empreendedores quem trabalha por conta própria ou como empregador com até dez empregados.

Segundo dados da PNAD, o Brasil conta com uma força de trabalho composta por 92 milhões de trabalhadores. Deste total, 22 milhões são pequenos empreendedores: 19 milhões de trabalhadores por conta própria e 3 milhões de empregadores com até dez empregados.

Os pequenos empreendedores são diretamente responsáveis pela geração de 37 milhões de postos de trabalho (somando os postos que geram para si mesmos e para aqueles que empregam). Como consequência, o grupo responde por 40% dos postos de trabalho no País e por quase 40% da massa de remunerações da força de trabalho brasileira, número que supera R$ 500 bilhões.

Mais lucro e menos risco

Mas isso não quer dizer que há mais dificuldades para se tornar um pequeno empreendedor. Parte destes novos empregos formais foi gerada por estes empreendimentos, que se expandiram nos últimos anos.

Em atividades não-agropecuárias, o número de pequenos empregadores cresceu em 50 mil no período abrangido pela PNAD, e o tamanho dos estabelecimentos cresceu em 33%, e passaram a empregar em média 6,4 trabalhadores. Dos 6 milhões de novos postos de trabalho que os pequenos empreendedores geraram na década, 95% eram formais.

Estes dois movimentos produzem maior equilíbrio no mercado ao diminuir a concorrência, que era "predatória" há dez anos, lembra Neri.

De acordo com o estudo, baseado em dados da Pesquisa Nacional de Emprego (PME), o lucro dos pequenos empreendedores cresceu 4% ao ano até 2012, "acima do PIB [Produto Interno Bruto] registrado no ano passado", aponta Neri. O lucro médio passou de R$ 1.710,05 em 2003 para R$ 2.172,34 em 2013.

Para complementar, a probabilidade de alta do lucro passou de 22% para 25% entre 2003 e 2013, enquanto o risco dos lucros diminuírem caiu de 22% para 14%.

"Ser empreendedor significa um risco para a família, mas vemos que a parte boa do risco aumentou como resultado de mais oportunidades, enquanto a parte da vulnerabilidade, o lado ruim do risco, diminuiu", conclui Neri.

Na análise do ministro, responsável pelo estudo, o pequeno empreendedor não quer mais ser "camelô de esquina". De um lado, é absorvido pelo mercado formal e, de outro, se beneficia do aquecimento do consumo da nova classe média, e "acaba tendo a oportunidade de vender produtos para si mesmo."

Desigualdade menor

Mais empregos formais e expansão dos negócios diminuíram a desigualdade entre os microempreendedores. O lucro de mulheres cresceu no período 7,7% mais que o dos homens. O dos negros cresce 10,7% mais do que o de brancos e o de analfabetos subiu 16,9% mais que o daqueles que já ingressaram nos bancos universitários

Os lucros dos negócios de Recife e Salvador, as mais pobres entre as principais metrópoles brasileiras, aumentaram, respectivamente, 20,9% e 19,4% mais que os de São Paulo, que é a maior e a mais rica metrópole brasileira. Já o lucro nas periferias cresceu 3% a mais do que nas capitais

Mas ainda existem muitas diferenças: o lucro nas metrópoles de Recife ou Salvador, respectivamente, é 37,7% e 30,4% menor que o observado na Grande São Paulo. Já os ganhos dos negócios da periferia são 13,9% menores que nas capitais brasileiras.

 
 

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