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Estudo comparado sobre a juventude brasileira e chinesa: dados preliminares do Brasil
“Trilha da costura” foi um dos artigos selecionados para a Code 2011
Agência Brasil - Integração entre civis e militares é essencial para políticas eficientes de defesa, diz Ipea Por Guilherme Jeronymo, repórter O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou hoje (6) o livro Defesa Nacional para o Século 21, produzido em conjunto com pesquisadores de universidades fluminenses e militares do Exército.Durante o lançamento, a aproximação entre civis e militares foi classificada como essencial na elaboração de políticas efetivas de defesa. "Quanto mais instituições debaterem a defesa, sejam civis ou militares, dentro ou fora do governo, mais diversas serão as perspectivas acerca dos problemas que nós temos de enfrentar na área. Países que têm uma defesa forte são países que têm, não somente Forças Armadas funcionais e modernas, mas aqueles que conseguiram envolver a sociedade civil no debate em torno da defesa", avaliou o pesquisador do Ipea e um dos organizadores do livro, Rodrigo Fracalossi. A integração não poderia ser mais oportuna, segundo o diretor de Desenvolvimento Institucional do Ipea, Luiz Cesar Loureiro de Azevedo, devido ao atual cenário internacional, citando a eleição presidencial nos Estados Unidos e mudanças no comando da China, países que influenciam as políticas globais de defesa. Para Loureiro, a reconfiguração do cenário político internacional tem pressionado os países a avaliar mudança de posicionamento sobre domínio da tecnologia nuclear e intervenções das grandes potências em nações com menor estrutura militar e econômica. "Não se trata de defender a não intervenção quando um país ruir e seu povo estiver em risco, mas de não se permitir mais que alguns países intervenham quando quiserem, segundo seus interesses", disse. Outro ponto importante, destaca o diretor, é o momento atual pode abrir oportunidades para o Brasil consolidar as estratégias de defesa na região em conjunto com os vizinhos da América do Sul e desenvolver parcerias no setor de tecnologia com outros países, como a África do Sul e a Índia.
Pesquisa traz dados preliminares sobre a juventude brasileira e a chinesa
Correio Braziliense (DF)- Onde falta mão de obra? Por Mariana Niederauer, jornalista A falta de mão obra qualificada no país é assunto freqüente entre empregadores e especialistas: a formação dos trabalhadores brasileiros será determinante para garantir o crescimento econômico. Assim, o governo precisa saber em que setores a escassez é maior. Para mapear os principais gargalos do mercado e ter condições de formular políticas públicas para ajudar a resolver a carência, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançou, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a Rede de Pesquisa Formação e Mercado de Trabalho. A rede reúne pesquisadores para debater o tema, e os profissionais podem se beneficiar dos dados obtidos. Alguns estudos já indicam as tendências do mercado e apontam as ocupações mais promissoras. "Acho que (a rede) vai render muitos pro-! dutos e informação para a própria socieda-: de. O cidadão precisa saber com clareza quais são os retornos e os impactos de cada trajetória educacional seguida", afirma o presidente do IPEA, Marcelo Néri. Ele lembra ainda que, hoje, a educação é a segunda principal preocupação dos brasileiros. A articulação de esforços, que incluirá o Ministério do Trabalho e Emprego, o Ministério da Educação e outras entidades, permitirá mapear o processo de formação dos trabalhaI dores desde a entrada no ensino superior até a chegada ao mercado do trabalho. Os resultados apresentados no lançamento da rede revelam que o desenvolvimento do país nunca dependeu tanto da qualidade da formação da mão de obra. O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Mariano Macedo analisou dados de 2002 a 2009 e chegou à conclusão de que, nesse período, a produtividade do trabalho caiu ou aumentou muito pouco na maioria dos 48 setores industriais, e representou apenas 25% do crescimento de quase 4% que o país obteve entre 2004 e 2011. O restante foi conseqüência do aumento da população ocupada. Hoje, porém, as taxas de desocupação são muito baixas e a simples elavação do nümero de pessoas ocupadas não sustentará o desenvolvimento econômico. Na opinião do especialista, será necessário fazer com que cada ocupação gere mais riqueza. "Para continuar articulando crescimento a taxas expressivas será preciso incentivar a produtividade. Tudo indica que o crescimento que se dará a partir de agora vai exigir mão de obra de mais qualidade", ressalta Macedo. Procuram-se médicos Na medicina, o déficit pode chegar a 100 mil profissionais em 2030, em comparação com o modelo canadense de oferta de médicos a cada mil habitantes. A projeção foi feita pela equipe da Estação de Pesquisa em Sinais de Mercado da Universidade Federal de Minas Gerais (EPSM/UFMG). Para o coordenador da EPSM Sábado Nicolau Girardi a solução é criar mais oportunidades nos cursos das universidades públicas, já que o aproveitamento em termos de vagas e de matrículas é total, ou seja, não faltam alunos. "Defendemos a ampliação da capacidade das universidades públicas, fomentando a parceria com a iniciativa privada." O estudo mapeou a escassez de profissionais na área de atenção primária, que inclui a medicina geral da família e da comunidade e clínico geral, além das especialidades médicas. O profissional que os hospitais da rede privada têm maior dificuldade em encontrar é o pediatra. Para 67% deles, em 2010 foi complicado preencher as vagas para essa especialidade. Em 2008, esse índice era de 32%. "A maior pari te da escassez de mão de obra está nas áreas médicas. São as maiores taxas de ocupação, os maiores salários, mas, por outro lado, apresentam uma das maiores jornadas de trabalho", lembra o presidente do IPEA, Marcelo Néri. Para Susana Piva, 49 anos, pediatra há 20. As dificuldades da profissão não foram uma barreira para que seguisse em frente com sua escolha. Susana decidiu ser pediatra ainda na infância, e o principal incentivo foi a admiração que sentiu por uma profissional que cuidou de seu irmão quando ele estava doente. "0 que me encanta é a sinceridade das crianças, elas são muito verdadeiras", conta. Susana reclama da remuneração, que, segundo a especialista, não corresponde à responsabilidade desse profissional. Porém, para pediatras com experiência como ela, a ocupação é promissora. Hoje, Susana atende em um consultório particular e não precisa aceitar convênios para garantir a sala cheia de pacientes. "À medida que o profissional for conquistando o espaço, poderá montar seu próprio consultório", garante. A hora do pré-sal Outra área que também deve sofrer com a falta de mão de obra qualificada é a geologia. De acordo com um estudo feito pelos professores Sérgio Queiroz e Renato Pedrosa, do Departamento de Política Científica e Tecnologia do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IG/Unicamp) faltará mais de 500 profissionais. "Há um número fixo de escolas de geologia, mas a demanda por geólogos aumentou muito nos últimos anos", diz o especialista. O professor lembra que grande parte dessa busca de profissionais é impulsionada pela descoberta do pré-sal, além da área de mineração, que apresenta crescimento significativo. Queiroz ressalta que a falta na área da geologia já pode ser sentida hoje. Por esse motivo, os profissionais que saem das universidades não costumam encontrar dificuldade em conseguir vagas no mercado. André Queiroz Fernandes, 27 anos, garantiu a sua logo que se formou no curso de geologia da Universidade de Brasília (UnB), em 2008. Ele foi aprovado no concurso da Petrobras e trabalha com mapeamento geológico no Rio de Janeiro. "Eu não sabia onde estava pisando quando escolhi geologia" revela. "Demorei mais ou menos três semestres para entender", completa. Para ele, a falta de conhecimento sobre a profissão faz com que parte dos alunos desista do curso. A grade curricular também influencia. Os estudantes de geologia precisam dominar conteúdos de cãculo, física e química. André ressalta ainda que nem todo mundo aguenta a rotina da profissão, que exige estar sempre em campo e, inclusive, fazer muitas viagens. Mas, para ele, essa é uma vantagem e o principal motivo para continuar atuando na área. "Eu não saio da geologia porque posso trabalhar no campo e não fico preso no escritório", explica. O estudante do 8o semestre de geologia na UnB, Renato do Valle, 31 anos, escolheu o curso por causa da possibilidade de viajar bastante e estar em contato com a natureza. Ele também percebe a desistência de muitos alunos, mas lembra outros benefícios da área: o salário médio inicial varia de R$ 5 mil a R$ 6 mil. "Há muita oportunidade no Brasil. É uma área carente de mão de obra", diz. Qualidade na formação Projeções feitas pelo IPEA no ano passado mostram que o número de engenheiros formados em 2020 ficará entre 1,5 e 1,8 milhão. Nesse mesmo ano, o mercado precisará de 600 mil a 1,15 milhão profissionais. Porém, o que preocupa os especilistas, nesse caso, é a formação e a migração de trabalhadores para ocupações que não são típicas da área. Uma das que mais vai sofrer com o déficit é a engenharia de petróleo e gás. O estudo do professor Sérgio Queiroz mostrou que apenas 28% dos concluintes dos cursos oferecidos no país tiveram nota 4 ou 5 no Enade de 2008.0 quadro é pior na rede privada, onde 11% dos concluintes das instituições alcançaram os índices mais altos no exame, enquanto nas públicas esse percentual é de 47%. "Se olharmos para o conjunto de engenheiros formados pela rede publica e pelas escolas tradicionais, veremos que esse número cresce num ritmo mais baixo do que o da demanda", explica Queiroz.
O Globo (RJ):- É preciso priorizar inovação, afirma ministro Depois de dez anos comandando o País, o PT claramente deixou de lado o conflito entre capital e trabalho para pregar a modernização da economia. "O Brasil precisa se transformar numa economia que produz e disputa os setores portadores de futuro, de alto valor agregado", afirma o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, um dos principais economistas do partido. "Não podemos nos acomodar em ser um país produtor e exportador de commodities, porque isso já somos." Para ele, a versão de governo petista a ser vendida nas eleições de 2014 é aquele que prioriza a inovação. Antes no comando da Ciência e Tecnologia e atualmente na Educação, ele prega a aproximação entre empresas e universidades para permitir ao setor produtivo brasileiro dar um salto no desenvolvimento. Outro conselheiro político da presidente Dilma Rousseff já havia dito ao Estado, meses atrás, que a plataforma de uma eventual campanha dela à reeleição seriam a competitividade e a inovação. Não por acaso, ela colocou em andamento uma agenda de medidas que vai ao encontro das principais reivindicações do setor produtivo. Estão nesse rol a desoneração da folha salarial, o corte nas tarifas de energia elétrica, as concessões em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. "É um programa ousado de parceria com a iniciativa privada que foi uma inflexão importante", afirma Mercadante. Eles acreditam que essa é a evolução natural, visto que houve avanço no campo social, onde estavam as antigas bandeiras do partido. Hoje, o Brasil tem uma das menores taxas de desemprego do mundo. A renda dos mais pobres praticamente dobrou nos últimos dez anos, segundo estudo recentemente divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Assim, a necessidade de posicionar o Brasil no cenário econômico mundial, sobretudo quando a crise econômica passar, é um objetivo que ganha maior peso. / L.A.O e J.D.
O Globo (RJ): - Dos Leitores ANS Em relação ao artigo “Bons negócios, sim, mas e a sociedade?” (31/10), a ANS entende que não há o que se falar em “americanização da saúde” na aquisição da operadora Amil pela americana UnitedHealth. As operadoras continuam sendo brasileiras, sob regulação da ANS, sujeitas às leis locais, e os direitos dos consumidores permanecem preservados. Quando o capital estrangeiro opta por participar do setor Saúde brasileiro, concorda com o regulamento e modelos de negócio aqui existentes. Lembramos que empresas de outros países, que não os EUA, já participam do capital de operadoras brasileiras. Temos o maior sistema de Saúde público universal e o segundo maior suplementar do mundo. OLENKA LASEVITCH GERÊNCIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Nota do autor A ANS se baseou em algum estudo — que analise os impactos da internacionalização sobre concentração, remuneração dos prestadores médico-hospitalares e bem-estar social dos consumidores — para aprovar a entrada da UnitedHealth no Brasil? Não. Foi espantosa a rapidez com que a agência aprovou essa aquisição, apesar do contencioso jurídico em torno do artigo 199 da Constituição, que veda a participação de empresas estrangeiras no setor Saúde. Isso parece no mínimo estranho. Ora, Obama fustiga as grandes operadoras lá e a ANS se omite aqui. O Ministério deveria advertir: americanizar é prejudicial à Saúde! CARLOS OCTÁVIO OCKÉ-REIS ECONOMISTA DO IPEA
Brasil Econômico - Ócio criativo é receita para o desenvolvimento do Brasil Por Rafael Palmeiras, jornalista ENTREVISTA DOMENICO DE MASI Sociólogo italiano e autor de obras sobre o setor criativo Defensor do modelo que equilibra trabalho e tempo livre diz que empresas precisam mudar o pensamento Domenico de Masi, sociólogo e autor do livro ‘O ócio criativo’ é um italiano com coração brasileiro. Defensor do potencial criativo no país, Masi acredita que o Brasil tem boas chances de crescer se adotar o modelo do ócio criativo, que prega um equilíbrio entre trabalho e tempo livre. Afiado com as palavras, o autor não esconde seu profundo descontentamento com um modelo criado que idolatra o trabalho. E estudos mostram que o sociólogo tem certa razão e seu modelo agradaria os trabalhadores. Um levanta-mento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) mostrou que se a jornada de trabalho fosse reduzida,mais de 60% dos trabalha-dores dedicariam o tempo livre a outras atividades. Além de comprometer a qualidade de vida, os trabalhadores reclamam que tem dificuldade para se desligar do trabalho (45,4%). Já entre os que usa-riam o tempo livre para outras atividades, 24,9% se dedica-riam à família, enquanto 12,3% daria prioridade aos estudos. No Brasil à convite da Associação Paulista Viva, Masi fala ao BRASIL ECONÔMICO sobre economia criativa e o ócio criativo. Qual sua visão sobre a economia criativa no Brasil em relação a Europa? Nós temos uma situação muito diferente entre Brasil e Europa. Passamos por uma temporada onde o Brasil estava em depressão e a Europa eufórica. Hoje está o oposto. A Europa está com uma economia em depressão e o Brasil em uma situação de euforia criativa. Como deve ser a economia criativa no Brasil? A economia criativa na Europa serve para encontrar uma maneira original de crescer sem traumas evitando o desperdício e incrementando a distribuição da riqueza. No Brasil a situação é diferente. Uma economia criativa aqui serve para evitar os erros do desenvolvimento da Europa e podemos resolver isso através de uma criatividade capaz de redistribuir trabalho, riqueza, saber, poder e as oportunidades. A economia criativa tem que conseguir completar o desenvolvimento, porém respeitando as distribuições. O senhor já esteve no Brasil diversas vezes. Quais foram as principais mudanças que o senhor percebeu na economia criativa do país? O Brasil tem apresentado vantagens na economia criativa. Desde a mecânica, na criação de aviões, no design, como, por exemplo, os irmãos Campana, até a arquitetura e a música. Existe toda uma parte forte que contribui para o desenvolvimento do Brasil dentro do setor. De que forma o caminho para uma sociedade pós-industrial afetou o desenvolvimento da economia criativa? Algumas sociedades são pós-industriais na produção e outras no consumo. Quando falamos inglês, por exemplo, somos pós-industriais como consumido-es. A pós-indústria é baseada na inovação e a inovação é baseada na criatividade. Nesse caso não se pode ter inovação sem criatividade. As empresas estão cada vez mais investindo em Pesquisa e Desenvolvimento e olhando para os retornos da inovação. Esse é um sinal de que o ócio criativo está ganhando espaço? As empresas são um paradoxo. Elas produzem produtos novos, mas organizam seus funcionários de maneira antiga. As organizações produzem produtos pós-industrial, como informática, mas os funcionários trabalham de forma industrial, como em uma cadeia de montagem onde tudo é feito sobre pressão dos preços sem se preocupar com a estética. Elas são pós-industrial na fabricação do produto e industriais na organização dos funcionários. Na sua opinião o ócio do trabalho já é um protagonista no Brasil? Ele ainda não virou o protagonista. É seguro que isso vai acontecer, mas por enquanto ainda é complicado. As produções das empresas são novas, mas ainda não ocorreu uma mudanças nas organizações. A cadeia de trabalho ainda bate ponto, já que o tempo é importante para a produção material. Mas isso é aplicado também para trabalhadores intelectuais. E para eles não tem o mesmo valor. Quais são as barreiras para desenvolver o ócio criativo? São duas as barreiras. Uma é o habito e outro é o poder. Quando se muda as organizações, mudam as pessoas que tem poder. Portanto as pessoas não querem mudar as empresas para não perderem o poder que elas têm. Todas as nossas sociedades, inclusive o Brasil, acabam tendo, em níveis alto, pessoas muitos velhas na gestão, bloqueando a entrada de lideranças mais jovens.
Valor Econômico (SP): - Renda do trabalhador volta a crescer mais no setor formal Por Arícia Martins, jornalista | De São Paulo Clemente Ganz Lúcio, do Dieese: rotatividade maior prejudicou informais Pela primeira vez desde 2008, o rendimento real dos trabalhadores com carteira assinada na iniciativa privada cresce com mais força do que no setor informal. Entre janeiro e setembro de 2012, o ganho médio dos profissionais formalizados nas seis principais regiões metropolitanas do país foi de 3,5% sobre o mesmo período do ano passado, descontada a inflação. Na mesma comparação, os salários reais de empregados sem registro em carteira avançaram apenas 0,8%, tendência inversa à observada nos últimos anos, quando a política de valorização do salário mínimo sustentava altas robustas nesse segmento. Para economistas, o principal fator por trás dessa mudança recente é o mesmo que proporcionou o salto de 39% no rendimento médio real dos trabalhadores sem carteira entre 2003 e 2011: com o recuo da informalidade no mercado de trabalho, salários na base da pirâmide e indexados ao mínimo foram incorporados ao universo dos profissionais com carteira assinada, o que puxou para cima a variação dos vencimentos nesse grupo. Reforça essa análise o aumento da participação de funcionários registrados em setores da economia nos quais o piso nacional ainda é referência importante. Fabio Romão, economista da LCA Consultores, observa que, entre setembro de 2004 e igual mês deste ano, o percentual de trabalhadores formais no ramo de serviços prestados a empresas passou de 57,4% para 71%. No setor de outros serviços (nos quais estão hotéis e serviços pessoais, entre outros), o avanço foi menos intenso, mas também acentuado, de 42,2% para 50,6%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. "A base dos trabalhadores formais se alargou e esse ramo acabou incorporando muitas pessoas que têm rendimento menor, mas indexado ao mínimo", diz. Em janeiro, o piso nacional foi reajustado para R$ 622, o que representou aumento real de 7,5%, elevação que, segundo Romão, foi mais absorvida neste ano pelo mercado formal do que pelo informal, com exceção dos trabalhadores domésticos - nesse setor, profissionais registrados eram apenas 2,6% do total em setembro. O analista da LCA nota que, de janeiro e setembro frente igual período de 2011, o rendimento médio real no total dos serviços (incluindo serviços prestados a empresas, serviços domésticos e outros serviços) subiu 3,9%, praticamente o mesmo índice alcançado pela média dos ocupados, de 4%. A partir de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o diretor técnico da entidade, Clemente Ganz Lúcio, aponta que os últimos meses foram marcados por aceleração no ritmo de contratação de trabalhadores sem carteira. No segmento formal, com a baixa taxa de desemprego e os altos custos em demitir funcionários, há "um certo travamento", de acordo com Lúcio. O diretor do Dieese avalia que o setor informal é mais afetado em períodos de desaceleração da atividade. Com a expectativa de retomada na virada da primeira para a segunda metade do ano, diz, as empresas, com destaque para a indústria, preferiram manter a mão de obra qualificada, o que não ocorreu em setores que não exigem treinamento específico. Além de a rotatividade maior ter prejudicado os rendimentos dos informais, Lúcio acredita que o reajuste do mínimo pode ter influenciado mais a renda dos empregados com carteira este ano, tendo em vista a maior base de trabalhadores formais no mercado. "Em São Paulo, o peso do mínimo como indexador é pequeno, mas nas outras regiões é relevante." Com a queda de mais de seis pontos percentuais da taxa de desemprego entre 2003 e 2011, já era esperado que em algum momento a tendência histórica de aumentos reais mais robustos no setor informal fosse revertida, diz Elton Casagrande, professor do departamento de economia da Unesp Araraquara. A maior dificuldade em conseguir mão de obra, em sua visão, estimula empresas a registrar seus funcionários. Para Casagrande, o reajuste maior nos vencimentos de funcionários com carteira assinada é "uma clara evidência" de melhoria do mercado de trabalho, mas não é certo que essa trajetória continue nos próximos anos. Corrigido pelo IPCA do ano anterior e pela expansão do PIB de dois anos antes, o mínimo terá reajuste real muito mais magro em 2013 do que em 2012, o que pode tirar fôlego da renda, tanto de informais como formais. "Esse movimento pode ser bem pontual", diz Ana Luiza Barbosa, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Com a participação cada vez maior de profissionais qualificados na força de trabalho e a saída de pessoas do setor informal para o formal, a economista acredita que a demanda por trabalhadores para preencher vagas que exijam pouco estudo seguirá crescendo acima da oferta, o que aumenta o poder de barganha desses funcionários e puxa remunerações para cima.
Valor Econômico (SP):- Em 10 anos, total de moradores de favelas do Rio na classe C sobe de 29% para 66% Por Diogo Martins, jornalista | Do Rio Daniel dos Santos, morador do Complexo do Alemão: com rendimento mensal de R$ 1,8 mil, já faz parte da classe C As favelas do Rio de Janeiro movimentam R$ 13 bilhões por ano, valor que supera o Produto Interno Bruto (PIB) de 13 capitais brasileiras, entre elas Florianópolis, Natal e Cuiabá, segundo a mais recente pesquisa sobre o PIB dos municípios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Levantamento feito pelo instituto Data Popular, que entrevistou 500 pessoas no mês de agosto, em cinco favelas - Complexo do Alemão, Rocinha, Chatuba de Mesquita, Salgueiro e Cidade de Deus - indica ainda que, se todas as cerca de mil favelas cariocas formassem uma cidade, esse município fictício seria o nono maior do país, em termos populacionais. Os dados da pesquisa são referentes a 2011. Confrontando informações com as de 2001, quando a população residente em favelas da cidade totalizava 970 mil pessoas, o estudo aponta que, em dez anos, a proporção de moradores da classe D - renda familiar até R$ 1.539 - nas favelas do Rio caiu de 59% para 20%, enquanto a classe C aumentou de 29% para 66% e ficou acima da taxa média do Brasil, de 56%. No mesmo período, a classe AB -- renda familiar a partir de R$ 4.345 - passou de 1% para 13% dos habitantes das favelas e também superou a taxa média do país, de 2%. "A renda dos moradores de favela tende a crescer, à medida que o Rio se recupera", afirma o economista Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Em sua avaliação, a "recuperação" da cidade e o aumento do poder de consumo da população de baixa renda são sustentados pelo crescimento econômico de todo o país obtido nos últimos anos, aliado ao programa de segurança pública Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e pela realização dos Jogos Olímpicos de 2016. "A UPP não é a solução para os problemas do Rio, nem das favelas, mas um elemento importante, que gera ganho de renda, de capital, para a população de áreas carentes, pois abre a economia dessas regiões para as empresas se instalarem", diz o presidente do IPEA. Daniel Silva dos Santos, 26 anos, casado e pai de duas crianças, trabalha como segurança há um ano e mora no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade. Nas horas vagas, "Trenzinho", como é conhecido, usa uma Kombi para transportar passageiros na favela. Com as duas atividades, tem rendimento médio mensal de R$ 1.800. Trenzinho é um dos 1,1 milhão de moradores de favela carioca que estão na classe C, grupo com renda mínima de R$ 1.540 e que representa 66% do total de 1,7 milhão de pessoas que habitam favelas no Rio. "Trenzinho" cursou até a sétima série, diz que também tem vontade de retomar os estudos para ajudar o pai em suas "funções políticas", como líder comunitário de uma região do Complexo do Alemão, composto por mais de dez áreas. "O que falta é tempo. O dinheiro que ganho é para os meus filhos. Cobro deles estudo", diz ele. A empregada doméstica Andreia Santos, 36, também faz parte dos moradores do Complexo do Alemão que passaram da classe D para a classe C. Trabalha em residências das zonas sul e norte da cidade, todos os dias da semana, sempre a partir das 7 horas e ganha R$ 1.720 por mês. "Trabalho tanto para que os meus filhos não tenham de largar os estudos. Só assim eles vão poder pensar em ter uma vida melhor", diz ela. Com seis filhos, separada e moradora do Alemão há 19 anos, Andreia diz que "as coisas vem melhorando" nos últimos quatro anos, período em que pode comprar eletrodomésticos, TV, DVD e móveis para sua casa. "Daqui para frente, minha vontade é comprar uma casa maior, mas no mesmo lugar em que moro, porque lá é tranquilo", afirma Andreia, que também tem o desejo de voltar a estudar, já que "é mais fácil arrumar emprego". Além do aumento da renda e da recente aquisição de bens duráveis, outro ponto comum entre Daniel e Andreia é a dificuldade em acessar serviços, como bancos e redes de varejo. Eles se queixam também dos serviços públicos, como o de limpeza urbana. O levantamento feito pelo Data Popular foi encomendado pela rádio Beat 98, com o apoio da Central Única das Favelas (Cufa), organização que atua em várias regiões do país, na formação de crianças carentes. A Beat 98, emissora com programação musical popular, encomendou a pesquisa para conhecer melhor seu público e adequar suas ações de marketing O secretário-geral da Cufa, Celso Athayde, diz que a experiência com trabalhos em favelas o leva a crer que o aumento de consumo da população ocorreu mais fortemente nos últimos dez anos. Com o passar do tempo, afirma ele, as pessoas passaram a comprar bens até então inacessíveis, como celulares, móveis, eletrodomésticos, e motos. "Hoje em dia, o que mais ouvimos como sonho de consumo nas favelas são TVs de LCD e tablets", diz Athayde.
Valor Econômico (SP):Recursos humanos para o desenvolvimento Por Marcelo Côrtes Neri, presidente do Ipea Um dos principais ativos de um país são as pessoas e sua força de trabalho. A educação é o fator crucial para o desenvolvimento econômico e social. Nos últimos anos o Brasil passou por um processo de crescimento com redução de desigualdades. A década inclusiva nos levou a novo patamar em termos de qualidade de vida, de renda e consumo per capita, mas também enseja novos desafios para o futuro. Um dos nossos maiores desafios está na formação de recursos humanos qualificados para um mercado de trabalho em expansão. Temos uma situação diferente da chamada crise de desemprego brasileira que vigorou no período 1998 a 2003 e da situação europeia e americana atual. De todas as formas, é um problema que exige políticas de longo prazo. O tema da escassez de mão de obra qualificada é recorrente nos últimos anos. Outra questão relacionada é a melhoria dos indicadores de produtividade e competitividade. Para isso, a qualificação da mão de obra é de extrema relevância. O governo federal tem apostado em novos programas de qualificação como o Ciência sem Fronteiras e o Programa Nacional de Acesso Técnico e Emprego (Pronatec). Falta de trabalhador qualificado é mais grave e generalizada na base da pirâmide e menos em áreas como engenharia A fim de subsidiar o Plano Brasil Maior e discutir as questões relativas tanto a oferta quanto a demanda de pessoal qualificado no Brasil, o IPEA e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) lançaram a Rede de Pesquisas sobre Formação e Mercado de Trabalho. O lançamento da Rede foi seguido por dois dias de seminário sobre os dilemas para a formação de recursos humanos de alto nível no país. Contrariando algumas visões disseminadas, os estudos apresentados identificaram carência mais grave e generalizada de mão de obra na base da pirâmide e menos em áreas como as engenharias, um dos principais focos deste debate. O problema transparece mais em ocupações de nível técnico, fortalecendo a importância do Pronatec. Em carreiras de nível superior, os focos de escassez parecem estar circunscritos a habilitações específicas das engenharias (engenharia naval), certas profissões que têm sido mais demandadas nos últimos anos mas que formam pouca gente (geologia) e especialidades médicas (pediatria e obstetrícia). Outro foco de escassez passa pela dificuldade de se atrair profissionais qualificados para algumas regiões distantes ou mesmo dentro dos grandes centros. Por exemplo, Niterói e Belfort Roxo, ambas no Grande Rio, ocupam os extremos do ranking da relação médico por habitante nos 200 maiores municípios brasileiros. Há também o desafio do desenvolvimento de competências específicas como o domínio de idiomas e cursos de informática que raramente são incorporados na agenda de políticas educacionais. Ou mesmo nas séries estatísticas utilizadas. A PME demonstra salto superior a 100% nos últimos oito anos na proporção de jovens de 15 a 17 anos que cursam ou que concluíram cursos não regulares. Em muitos casos a deficiência não está apenas na oferta de formação básica ou técnica. Segundo os próprios jovens de 15 a 17 anos, dois terços dos fatores pelos quais não estão na escola regular está na falta de demanda como falta de interesse (40%) ou renda insuficiente (27%). No caso de cursos técnicos, a falta de demanda corresponde a 82% das razões alegadas. É preciso ouvir os jovens e informá-los sobre os potenciais retornos pecuniários prospectivos acerca das diversas escolhas educacionais. De toda forma, é evidente que o país precisa ampliar o número de pessoas com cursos médios e superiores que alavanquem a aquisição de competências profissionais requeridas por níveis mais altos de produtividade e competitividade. A despeito das melhorias de fluxo na educação básica e da expansão de programas como Prouni e Fies, o Brasil ainda carece de mão de obra com melhor escolaridade: segundo publicação recente da OCDE, somente 41 a cada 100 brasileiros entre 25 e 64 anos dispõem de ensino médio completo, e apenas 11 detêm um título de nível superior, longe da média dos países ricos, onde 74% concluíram o ensino médio e 31% passaram por algum tipo de educação terciária. Sem uma força de trabalho escolarizada, restringem-se as possibilidades de dinamizar e agregar valor à estrutura produtiva brasileira. Apesar da diversificação de nossa indústria setores mais intensivos em tecnologia representam uma parcela ainda pequena do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações brasileiras. O crescimento da participação desses setores na economia é o norte do Plano Brasil Maior. Por fim, o principal consenso que emergiu entre os pesquisadores é a importância da melhoria da qualidade da educação brasileira, em todos os níveis. Avaliações educacionais de larga escala mostram que apesar dos avanços, nossa educação básica ainda é de baixa qualidade e nosso ensino superior é muito heterogêneo. É preciso de bons engenheiros, médicos e programadores, como também de técnicos industriais, laboratoriais e de construção civil. Enfim, em todas as áreas tenhamos profissionais com os conhecimentos e as habilidades necessárias para o mundo do trabalho e para os desafios da sociedade do conhecimento. Essa é a principal rota a para ampliarmos a competitividade e a produtividade de nossa economia e para chegarmos ao desenvolvimento inclusivo e sustentável. Marcelo Côrtes Neri é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). Fernanda De Negri, Paulo Meyer Nascimento, Divonzir Gusso são pesquisadores do IPEA.
Promovido pela SAE, Encontro Nacional de Estudos Estratégicos reunirá civis e militares no RJ
Chamada Pública nº 112/2012 Chamada Pública nº 112/2012 – Projeto “Estudos sobre segurança pública e sistema de justiça criminal” Vagas: 16 (dezesseis) Bolsas Assistente de Pesquisa III (mestre) Prazo de inscrição: 16 a 31 de agosto de 2012 Resultado: A partir de 06 de setembro de 2012 Início das bolsas: setembro de 2012 Chamada Pública nº 112/2012 Extrato de Retificação Clique aqui para ver o Resultado 1ª parte Clique aqui para ver o Resultado 2ª parte Acesse aqui para cadastrar seu currículo Informações básicas: Obs: Este texto é apenas informativo e não substitui o conteúdo da Chamada Pública. Atenção: Os candidatos que apresentarem proposta para os processos de seleção em aberto, quando do cadastramento do currículo, devem mencionar no campo "Projeto de atuação pretendido no Ipea" o nome do projeto ao qual desejam concorrer à bolsa.
Correio Braziliense (DF):- A urgência do ensino médio :: Por Mozart Neves Ramos, Membro do Conselho de Governança do Todos Pela Educação e do Conselho Nacional de Educação, e professor da UFPE No início da gestão do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, uma importante decisão foi tomada: o Brasil precisa fechar de vez a “torneira” do analfabetismo. É preciso que todas as crianças estejam alfabetizadas pelo menos até os oito anos de idade. O secretário de Educação Básica, Cesar Callegari, não perdeu tempo e saiu a campo: trouxe todos os atores diretamente envolvidos com essa etapa educacional, especialmente a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), e elaborou um programa de alfabetização que inclui formação docente, material didático de boa qualidade e avaliação. Em menos de um ano, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) foi estruturado e em breve será lançado oficialmente. Esse é um exemplo de convicção, decisão política, coragem e investimento direcionado para uma etapa tão importante. Na outra ponta da educação básica está o ensino médio, com diversos problemas que desencadeiam baixos indicadores de aprendizagem. Esses problemas não são de hoje, já vêm de longe, e seus efeitos começam a se tornar mais nítidos agora. Sem resolvê-los, o país não atingirá uma das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE): o de elevar a 33% o percentual de jovens de 18 a 24 anos no ensino superior. Vale lembrar que essa já era a meta do PNE que se concluiu em 2010. Nem sequer nos aproximamos desse percentual ao seu término, chegando a apenas 14,6%. De antemão, sabemos que essa será uma das metas mais desafiadoras do plano, em função da crise que o ensino médio vem enfrentando. Faltam professores, um currículo atraente e escola de tempo integral. Enquanto isso, o Ministério da Educação e os secretários estaduais de Educação não se entendem. A consequência desse descompasso em relação ao ensino médio pode afetar diretamente o crescimento do país, que vive hoje uma boa onda econômica. Ou o Brasil forma bem os jovens de agora ou não teremos quem sustente a sua economia num futuro próximo. Faltará — o que já se vem observando nos mercados internos em expansão — mão de obra qualificada para atender as demandas. O Brasil terá que importá-la, enquanto os nossos jovens ficarão à margem do processo produtivo. Para tentar ajudar a resolver o problema da mão de obra qualificada, as empresas e o Sistema S (Senai, Senac, Sesi, Sebrae e outros) começam a investir fortemente no aumento de escolaridade de seus trabalhadores, tal como vem fazendo o Sesi/SC. Essas iniciativas vêm contribuindo para a redução da desigualdade de renda. Números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelam que o aumento da escolarização da mão de obra fez cair a diferença salarial entre os que têm menos e mais instrução. Uma das consequências foi que o Índice de Gini — indicador que mede a distribuição de renda — baixou de 0,552 em 2001 para 0,485 em 2011. Pela primeira vez, ficou abaixo de 0,5 — e quanto mais próximo de zero, melhor a distribuição de renda. Mas muito do que se investe hoje em educação é para tapar o buraco deixado pela baixa qualidade do ensino oferecido. Uma situação análoga à da formação continuada de professores, que deveria ser uma atualização e uma nova qualificação, e não uma formação complementar à inicial, como acontece. O Brasil precisa resolver o problema do ensino médio. Não há mais tempo. Um país que quer ser protagonista num cenário mundial competitivo não pode se acomodar com uma geração nem-nem — jovens que nem trabalham nem estudam. Segundo estudo do Senai, o país tem hoje 5,3 milhões de brasileiros entre 18 e 25 anos que estão excluídos do mercado de trabalho e do ensino formal. Para esses sobram profissões de baixa remuneração, que não exigem o ensino médio. Ocorre que nos tempos atuais, com mudanças tecnológicas tão intensas, as mudanças estruturais são cada vez mais rápidas nos meios de produção. Assim, em médio prazo, esses trabalhadores precisarão de maior escolarização, seja para aperfeiçoar a educação num curso universitário, seja para fazer um curso profissionalizante. No país há alguns poucos modelos, já em escala razoável, de bons programas de ensino médio, a exemplo das Escolas de Referência de Tempo Integral, em Pernambuco. Porém, diferentemente do pacto nacional que vem se estabelecendo pela alfabetização de crianças na idade certa, para melhorar o ensino médio, ainda faltam entendimento, cooperação, humildade e investimentos. É preciso estabelecer também um pacto pelo ensino médio, e o mais rápido possível!
O Globo (RJ) - Bons negócios, sim, mas e a sociedade? Opinião Por Carlos Octávio Ocké-Reis A gigante americana United Health Group comprou a maior operadora de planos de saúde brasileira por RS 10 bilhões. Os negócios vão muito bem, mas até onde vai esse mercado? Uma vez americanizado o nosso sistema de saúde, mais exacerbada será sua segmentação, privatização e terceirização. Consolidaremos o modelo do managed care, criticado hoje nos EUA? Cabe à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), por meio da Lei 9.956/98, zelar pela defesa do consumidor e pela concorrência regulada, na tentativa de reestruturar o mercado, visando à redução das práticas oligopolistas e à eliminação dos abusos econômicos. Uma vez que as ações e os serviços de saúde são definidos como relevância pública na Constituição, a Agência foi desenhada para ser orientada em defesa do interesse público, seguindo, à sua maneira, a tradição das legislações antitruste. Nessa linha, são atribuições do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência — formado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico — a análise, o julgamento de fusões e aquisições e as ações de prevenção e de repressão às infrações contra a ordem econômica. A regulamentação do mercado de planos de saúde pode, assim, contar com instrumentos de defesa da concorrência e com próprio o Código de Defesa do Consumidor. Mas as normas acabaram determinando mudanças substantivas na estrutura do mercado, dentre as quais a concentração, a centralização e a internacionalização das operadoras, e não existe consenso acerca dos possíveis efeitos colaterais desse fenômeno. Há quem analise que, em certos ambientes regulatórios, a existência de extenso número de usuários na carteira dos planos de saúde garantiria melhor atendimento, cobertura e preço. No caso brasileiro, ao contrário, suspeita-se que a influência dos oligopólios comprometa o custo e a qualidade da atenção médica privada; aumente o gasto dos empregadores com salários indiretos; reduza o nível de investimento na rede; promova a adoção de práticas gerenciais de ajustamento de risco — que acabam prejudicando a cobertura de doentes crônicos e idosos. Pior: amplie os escandalosos subsídios federais (renúncia de arrecadação fiscal), que subtraem os recursos da saúde e concentram renda. Embora a aquisição da Amil peia United tenha sido aprovada pela ANS, o Ministério da Saúde deveria avaliar melhor os impactos da internacionalização sobre a concorrência e os consumidores. Deveria arguir a constitucionalidade dessa medida, uma vez que a decisão da Advocacia-Geral da União não é definitiva. O artigo 199 da Constituição, afinal, virou letra morta? Realmente faria mais sentido para o SUS que esse setor fosse organizado a partir do regime de concessão, a exemplo do setor elétrico. Obama tentou convencer os EUA sobre a necessidade de se criar um seguro público para competir com os planos privados. Parece que as autoridades brasileiras não entenderam o recado: o Estado seria um parceiro mais confiável e previsível da sociedade do que o poderoso mercado de planos — para incrementar a qualidade e ampliar o acesso do sistema de saúde. Carlos Octávio Ocké-Reis é economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Valor Econômico (SP) -Mudanças no Minha Casa, Minha Vida: em que direção? Opinião Por Claudia M. Eloy e Rafael F. Cagnin No início de outubro, o Conselho Curador do FGTS resistiu às pressões para o aumento do limite máximo de renda familiar que dá acesso ao Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Ampliou, entretanto, os subsídios, reajustou os limites de renda das faixas intermediárias e o valor máximo dos imóveis. A elevação do teto atual de R$ 5 mil mensais para a renda e do valor máximo dos imóveis financiados pelo programa é defendida pelas construtoras imobiliárias sob a justificativa de permitir à classe média o acesso ao programa. Vale ressaltar, contudo, que a classe média brasileira, segundo diferentes definições, já vem sendo atendida pelo MCMV. A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), por exemplo, define como classe média aqueles que recebem renda per capita mensal entre R$ 291 e R$ 1.019. É importante, ainda, ter em mente que as famílias com rendas superiores ao teto do MCMV já são favorecidas pela existência de circuitos regulamentados de crédito que integram o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com funding nas cadernetas de poupança. É justamente o fato de ter como objetivo o atendimento das famílias cujo nível de renda lhes dificulta o acesso ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH) que justifica o montante importante de subsídio que aporta o MCMV. As fortes pressões no sentido de elevação dos tetos dos valores dos imóveis e da renda das famílias que balizam o acesso ao MCMV devem, entretanto, continuar presentes. Isso porque os retornos da atividade imobiliária são maiores nas faixas superiores de renda do programa, cujo mercado tende a se estreitar diante da escalada de preços de terrenos e de imóveis. Alterações no programa devem calibrar incentivo à construção e a universalização do acesso à moradia digna A busca de aperfeiçoamento do programa é fundamental, mas caminha na direção de viabilizar o atendimento da chamada Faixa I (isto é, de famílias com rendas de até três salários mínimos) que compreendem 89,6% do déficit habitacional brasileiro, segundo cálculo da Fundação João Pinheiro (FJP). Para essas famílias, a solução adotada pelo programa - a de produzir unidades habitacionais e entregá-las às famílias em troca de uma contrapartida financeira equivalente a 5% da renda familiar por 10 anos - tem se mostrado de difícil implementação do ponto de vista da oferta. Segundo a Caixa, das 1.691.626 unidades habitacionais contratadas entre abril de 2009 e maio de 2012, somente 677.769 unidades (40%) destinavam-se à Faixa I. A meta do programa (somando-se suas duas fases) era destinar ao menos 1,6 milhão de unidades para esse segmento (atualmente 2 milhões); o que não é muito se considerada a proporção dessa faixa de renda no déficit habitacional. Além disso, o desempenho obtido frente às metas regionais é bastante assimétrico, sendo os piores resultados encontrados nas regiões Sul e Sudeste. As incorporadoras alegam que os limites de preços estabelecidos pelo governo são inferiores aos custos de produção. Desde o início do programa, em 2009, os reajustes nos limites de preço da Faixa I superaram 50% em todas as capitais do país e em alguns casos ultrapassaram 60%. Nesse mesmo período (abril de 2009 a julho de 2012), o INCC acumulado foi de 27,7% e o IPCA, de 19,4%. Mesmo descontando as exigências de melhorias construtivas que acompanharam essas alterações, o aumento real dos limites chegou, em alguns Estados do Nordeste a 28%. A resposta ao problema não parece ser o aumento contínuo de limites de preços. O estudo recente de Mendonça e Sachsida1 (Ipea, agosto de 2012) alerta para a responsabilidade de o governo, ao validar a elevação dos preços dos imóveis, contribuir para a formação de uma "bolha" imobiliária no Brasil. Esse curso de ação põe em risco, ainda, a própria sustentabilidade do programa, pela erosão dos orçamentos dispensados, comprometendo o equacionamento do déficit habitacional. Nesse sentido, a expansão do MCMV e seus subsídios para rendas mais altas não é apenas socialmente injusta, mas agrava a atual situação. Tivemos essa experiência nos anos do BNH, conhecemos o seu resultado e não devemos repeti-la. Será que, diante da exiguidade de renda de muitas dessas famílias, a solução recai unicamente na entrega de unidades prontas e acabadas, em geral mal localizadas? O já esquecido Plano Nacional de Habitação, finalizado em 2008, previa uma gama mais variada de soluções para o atendimento dessas famílias, respeitando também as diferenças regionais. Estudos sugerem que a expansão da oferta de novas unidades não é o único caminho para o enfrentamento do déficit habitacional. De acordo com a FJP, em 2008, o segundo maior componente do déficit, responsável por 34% do total, era o ônus excessivo com aluguel (mais de 30% da renda). No Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país, o ônus excessivo era o maior componente do déficit, representando 48%, 43% e 38% respectivamente. Estudo de Magalhães Eloy & Paiva2, com base na Pnad 2009, aponta para um crescimento deste componente, passando a representar 39% do déficit habitacional total. Este componente exprime uma condição de "financial burden", a rigor, uma situação que poderia ser enfrentada sem a construção de novas unidades, em franco contraste com os demais componentes do déficit habitacional que requerem, de fato, o incremento do estoque habitacional - a coabitação familiar, a precariedade e o adensamento excessivo. Alterações no MCMV devem calibrar o incentivo à construção de moradias - que tem papel importante como dinamizador da economia - com a universalização do acesso à moradia digna, meta máxima da nossa Política Nacional de Habitação. Para isso, é imperioso aliar as políticas de subsídio habitacional a políticas fundiárias e urbanas, que mobilizem os instrumentos de inserção urbana com a elevação do número e da qualidade da produção habitacional recente. Somente dessa forma o governo poderá mitigar a apropriação dos subsídios pelos agentes dos mercados fundiário e imobiliário por meio da elevação dos preços. 1 Mendonça, M. & Sachsida, A. "Existe bolha no mercado imobiliário brasileiro?" TD nº1.762, agosto de 2012. 2 Magalhães Eloy, C.; Paiva, H. Paving the Way to Extend Mortgage Lending to Lower Income Groups in Brazil: The Case of the French System. Housing Finance International, ago/2011. Claudia Magalhães Eloy é urbanista, participou da formulação do Plano Nacional de Habitação (2008) - Ministério das Cidades. Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo na FAU-USP. E-mail: claudiamagalhaes@usp.br.
Valor Econômico (SP)leição dá ao PT gestão de R$ 77 bi Por César Felício, Marta Watanabe e Sergio Lamucci, de São Paulo A vitória de Fernando Haddad em São Paulo desequilibrou o cenário de poder nos municípios brasileiros a favor do PT. O partido passa a governar cerca de 27 milhões de eleitores, 7 milhões a mais do que obteve há quatro anos. Além disso, terá um orçamento anual conjunto de R$ 77,7 bilhões para administrar, sendo 41,6% desse valor na capital paulista. No conjunto de 83 municípios com mais de 200 mil eleitores o PT recuou, mas continua com a maior parcela. O PMDB, que em 2008 havia conquistado o maior número de eleitores e o maior volume de recursos, perdeu parte de seu poder. Tinha 28,4 milhões de eleitores e agora terá 22,8 milhões. Administrava 22,7% das receitas e agora vai ficar com 17,6%. O PSB, liderado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi o partido que mais avançou. PT comandará maior parcela dos orçamentos municipais Uma única cidade, São Paulo, vai representar 41,6% dos R$ 77,6 bilhões de orçamentos municipais que o PT governará no país a partir do próximo ano. A eleição de Fernando Haddad na capital paulista deixou o PT com 22,7% da soma dos caixas das 5.568 prefeituras, de acordo com levantamento feito pelo Valor Data com base nos dados da Secretaria do Tesouro Nacional. A conquista de São Paulo fez com que o PT suplantasse o PMDB, partido que conseguiu em 2008 exatamente a mesma porcentagem obtida este ano pelos petistas. Desta vez, os prefeitos pemedebistas vão gerir um orçamento que soma R$ 60,2 bilhões, ou 17,7% do total. O Rio de Janeiro representa 29% da receita pemedebista. O PSDB, principal sigla oposicionista, teve uma ligeira queda em sua fatia. Em 2008, havia obtido prefeituras que administravam 13,6% do orçamento dos municípios. Agora vai gerir 12,5%, ou R$ 42,6 bilhões. Em relação ao PT e PMDB, a grande diferença é o alto grau de dispersão dessa receita. A prefeitura com mais caixa que vai controlar é a de Manaus, com um orçamento que equivale a apenas 6% do total tucano e é somente a 14ª receita municipal do país. O PSB dobrou a sua participação nacional nos orçamentos municipais que vai administrar. A sigla vai gerir 11,1% dos caixas municipais. Belo Horizonte vai representar 17% do total que os prefeitos da sigla vão gerir. Sem a prefeitura de São Paulo desde o ano passado, com a migração do prefeito Gilberto Kassab para o recém criado PSD, o DEM foi o partido que mais recuou na divisão do bolo orçamentário. Dos 15,6% obtidos em 2008 o partido caiu para 3,8% do total, ou R$ 12,9 bilhões. Desse total, 28% será gerido pelo novo prefeito de Salvador, ACM Neto. O partido criado pelo prefeito paulistano obteve nas urnas 5,5% dos orçamentos municipais. O principal orçamento que vai administrar é o de Ribeirão Preto (SP), onde a prefeita Dárcy Vera se reelegeu. Ela administra um caixa de R$ 1,5 bilhão, ou cerca de 8% do total. O partido também ficou com Florianópolis, que conta com um orçamento de R$ 1 bilhão. O quinto partido em fatia orçamentária dos municípios, o PDT, se estrutura como um fenômeno sulista. As prefeituras de Porto Alegre e Curitiba correspondem a 37% da fatia de R$ 25 bilhões que os prefeitos do partido vão administrar, ou 7,3% do total nacional. Em relação a 2008, o PDT cresceu. Na eleição passada, o partido geria 6,2% dos caixas dos municípios. O partido é seguido pelo PP, que recuou a sua participação nos orçamentos municipais de 5,8% para 5% do total nacional. Ex-secretário de Finanças na gestão de Luiza Erundina em São Paulo, Amir Khair diz que os novos prefeitos assumem com uma perspectiva de crescimento econômico maior nos próximos dois anos em relação ao de 2012. Isso, diz ele, vai elevar as transferências federais e estaduais, que respondem por 70% das receitas totais dos municípios do país. Nos Estados do Norte e Nordeste, comenta Khair, as transferências chegam a 90% das receitas das prefeituras e o principal repasse é do governo federal, resultante principalmente da arrecadação do Imposto de Renda cobrado sobre o lucro das empresas. Nas demais cidades a principal transferência vem dos Estados, que dividem sua arrecadação do ICMS, tributo que reflete consumo e produção das indústrias. "O cenário é favorável em termos de receita, mas as prefeituras precisam manter esforço de gestão para elevar a arrecadação própria e controlar despesas." O especialista em contas públicas Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), é um pouco mais cético que Khair quanto às perspectivas de crescimento da economia brasileira e, por tabela, do comportamento das receitas dos municípios nos próximos anos. Para ele, haverá uma aceleração da atividade nos próximos 12 meses, mas a tendência para os próximos quatro ou cinco anos não é das mais favoráveis. O cenário externo tende a continuar complicado, com a crise na Europa e o crescimento não muito expressivo dos EUA, diz Almeida, lembrando ainda que a taxa de desemprego brasileira já está muito baixa, havendo pouca ou nenhuma folga no mercado de trabalho. Com isso, a expectativa não é de alta exuberante das receitas dos municípios nos próximos anos, afirma o economista do IPEA. A prefeitura de São Paulo deu ao PT a liderança nas receitas orçamentárias dos municípios, mas a capital paulista carrega a maior dívida com a União entre as prefeituras, estimada atualmente em R$ 50 bilhões. Bandeira de várias gestões da prefeitura, a renegociação da dívida com a União não deve ser facilitada para Fernando Haddad, segundo Khair. É necessário mudar a legislação para recalcular a dívida ou para aumentar o limite de endividamento. "E o governo federal não pode criar uma facilidade para São Paulo porque abre espaço para reivindicações de Estados endividados." Além disso, diz o economista, a União está preocupada com o resultado primário e uma renegociação da dívida comprometeria isso. São Paulo gasta 13% de sua receita líquida real (descontada a inflação) com o pagamento da dívida com a União. Em 2011, o município pagou R$ 2,7 bilhões, mas mesmo assim o saldo devedor aumentou em R$ 4 bilhões. Hoje, o endividamento corresponde a 1,9 vez a receita corrente líquida da prefeitura. Em 2001, quando começou a vigorar a Lei de Responsabilidade Fiscal, a relação era de 1,92, bem acima do teto de 1,2 definido para os municípios. O número atual continua bem mais alto que o parâmetro indicado na trajetória de redução pactuada com a União, que deveria estar atualmente em 1,4. Administrar um bolo maior de receitas é sem dúvida um trunfo importante para os partidos, diz Almeida, observando, contudo, que há um engessamento considerável dos orçamentos municipais. "As vinculações constitucionais destinam 25% das receitas para a educação e outros 15% para a saúde", afirma Almeida, lembrando que há também os gastos referentes ao serviço da dívida. Nesse quadro, a capacidade de investimento de muitos municípios é bem mais limitada do que sugere o volume de arrecadação.alor
Estado de Minas (MG)- Logística: em busca do tempo perdido :: Rodrigo Seabra Por Rodrigo Seabra, diretor de vendas da Latam, BDP International É chover no molhado dizer que a competitividade que o Brasil tanto tem buscado implica desatar os nós de sua infraestrutura, reduzir o chamado custo Brasil, ampliar e interligar de modo planejado a malha dos modais de transporte, reduzindo assim o transit time e o custo das operações logísticas que refletem no custo final dos produtos. Seria, caso este texto fosse assinado pela indústria, que vem sofrendo para somar competitividade com tantos custos e entraves. Porém, isso dito por quem opera a logística pode soar, no mínimo, inusitado. Muito da atuação do operador logístico está em gerir toda uma cadeia, desde a chegada do insumo até a entrega do produto final em seu destino, no menor tempo e com o menor custo para o importador. Sendo assim, imagina-se que com a quantidade de entraves que a infraestrutura logística de transporte do Brasil apresenta – em portos, aeroportos, fronteiras, rodovias, ligação entre os modais –, cada vez mais a presença do especialista se faz necessária. Quanto pior o cenário, melhor para o especialista, que buscará soluções para as dificuldades. Na verdade, os entraves logísticos compõem o custo Brasil e reduzem a competitividade do produto brasileiro. Se hoje o operador é necessário, em função das dificuldades que a indústria encontra para gerenciar o door to door em menor tempo e com o menor custo, em um cenário mais funcional, o papel do operador será ainda mais estratégico na busca do diferencial de mercado para cada produto. O compromisso do Brasil com o desenvolvimento sustentável foi reforçado pelo governo federal, com o anúncio de projetos práticos de investimento na infraestrutura. Tais medidas visam atender as necessidades de aumento quantitativo e qualitativo considerável da malha de transportes já a curto prazo para os dois eventos que serão sediados pelo Brasil em 2014 (Copa do Mundo) e em 2016 (Olimpíadas), de início, porém com um legado maior, de crescimento sustentável. O país cresceu na última década e a malha de logística não acompanhou esse crescimento. Hoje ela claramente não é mais suficiente ou adequada à demanda. Em agosto, o governo federal lançou a primeira etapa de um novo pacote de concessões para incentivar investimentos na infraestrutura do país. Esta primeira fase do chamado Programa de Investimentos em Logística prevê a aplicação de R$ 133 bilhões na reforma e construção de rodovias federais e ferrovias. Com concentração excessiva no transporte rodoviário de cargas (mais de 75% das mercadorias vão por rodovias), as barreiras desse modal são as condições das estradas, as variações no preço do combustível, e a incidência de roubo de carga, fatores que acabam encarecendo o frete. Já no caso dos aeroportos nacionais, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontou que 17 dos 20 principais aeroportos do país, ou 85%, estão em situação crítica. Nos portos, a situação é parecida: o contrato de mais de 77 terminais portuários em 15 portos – entre eles os de Santos e Rio de Janeiro – vencerão no ano que vem e não serão prorrogados. Há que se evidenciar melhorias na malha ferroviária, a partir de investimentos privados. Porém, pelas dimensões do país, ainda há muito que fazer. É preciso pensar também na questão da mão de obra qualificada para atender todo esse "desenvolvimento e aprimoramento logístico", que vai muito além da simples ligação entre sistemas modais. É possível até que, num primeiro momento, o país precise buscar profissionais no exterior ou quem sabe enviar nosso pessoal para se capacitar lá fora. Esta é a hora e a vez de o Brasil mostrar a que veio, principalmente quanto ao nosso preparo a fim de ampliar a competitividade nacional. O importante é não perder de vista a ligação entre infraestrutura, operação e logística, sabendo sempre que uma depende da outra para chegar ao próximo porto, aeroporto, rodovia e ferrovia, sempre pensando no menor custo e melhor atendimento. É como dizem, vamos arregaçar as mangas e correr literalmente atrás do tempo perdido em busca de um presente melhor e mais alinhado para todos.
O Estado de São Paulo - BNDES negocia com o governo o uso do Fundo Soberano para se capitalizar Banco pleiteia repasse de ações de empresas estatais do Fundo; os papéis ingressariam como capital efetivo, elevando o seu patrimônio RIO - Irrigado este ano com R$ 40 bilhões em empréstimos do Tesouro Nacional, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começou a negociar com o governo uma capitalização efetiva para o início de 2013. Ao contrário dos recursos repassados como financiamento de longo prazo pelo Tesouro - R$ 285 bilhões autorizados desde 2009, dos quais R$ 270 bilhões já repassados -, o banco de fomento pleiteia o repasse de ações de estatais do Fundo Soberano Brasileiro (FSB). Os papéis ingressariam no BNDES como capital efetivo, elevando o patrimônio de referência, usado como parâmetro para definição do limite de empréstimo a cada empresa ou projeto. No último balanço divulgado, o patrimônio de referência do BNDES é de R$ 94,041 bilhões. O banco pode correr o risco de emprestar até 25% desse valor (R$ 23,5 bilhões) para apenas um projeto ou grupo empresarial. O governo já abriu exceções a esses limites, nos empréstimos aos setores de petróleo, mineração e elétrico, permitindo financiamentos maiores a Petrobrás, Vale e grupo Eletrobrás. Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, a Caixa Econômica Federal, já capitalizada dessa forma em agosto, com R$ 1,5 bilhão em ações da Eletrobrás, estaria também reivindicando nova operação do tipo. O BNDES também já recebeu recursos de forma semelhante. No início do mês, o banco incorporou no estatuto social um aumento de capital de R$ 6,783 bilhões, em operações de 2010 e 2011, com repasse de ações da Petrobrás. O capital social do BNDES é de R$ 36,340 bilhões. Fundo Administrado pelo Tesouro, o FSB detém ações de empresas como Eletrobrás, Petrobrás e Banco do Brasil. No caso do BNDES, o repasse de ações do BB seria de pouca serventia, pois não podem ser incluídas no patrimônio de referência, por ser tratar de instituição financeira. A reivindicação do BNDES não é vista como urgente. Na verdade, a diretoria do banco tem negociação permanente pela capitalização. Nos últimos três anos, o Tesouro, único acionista do banco, repassa os empréstimos, mas não resolve em definitivo as necessidades do banco. As operações do Tesouro com BNDES, Caixa e Banco do Brasil tiveram início como medida de exceção, no auge da crise internacional, mas se tornaram tática recorrente. Com a estratégia, o Tesouro capta recursos com emissão de títulos de dívida, em vez de retirá-los do Orçamento. Assim, aumenta a capacidade de emprestar dos bancos sem afetar o superávit primário (sem levar em conta juros da dívida) das contas públicas. O aumento de capital com ações da Petrobrás também preserva o superávit. Porém, a estratégia gera custos: como a taxa paga pelo governo nos títulos é superior à cobrada pelo BNDES nos financiamentos, o governo sai perdendo na operação. Por isso, têm sido alvo de críticas de economistas. Há duas semanas, em palestra no Rio, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco chamou a atenção para "um exagero de criatividade" do governo e classificou os artifícios contábeis de "quase pornográficos". Segundo o economista Mansueto Almeida Jr., especialista em contas públicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o estoque de dívida repassada aos bancos públicos chega a R$ 400 bilhões desde 2007 e já virou uma "bola de neve". Ao "transformar parte da dívida em receita primária", a estratégia não deixa claro o cálculo de custos e benefícios. "É mais fácil no Brasil construir o trem-bala do que aumentar os gastos com saúde e educação."
O Estado de São Paulo - BNDES negocia com o governo o uso do Fundo Soberano para se capitalizar Banco pleiteia repasse de ações de empresas estatais do Fundo; os papéis ingressariam como capital efetivo, elevando o seu patrimônio RIO - Irrigado este ano com R$ 40 bilhões em empréstimos do Tesouro Nacional, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começou a negociar com o governo uma capitalização efetiva para o início de 2013. Ao contrário dos recursos repassados como financiamento de longo prazo pelo Tesouro - R$ 285 bilhões autorizados desde 2009, dos quais R$ 270 bilhões já repassados -, o banco de fomento pleiteia o repasse de ações de estatais do Fundo Soberano Brasileiro (FSB). Os papéis ingressariam no BNDES como capital efetivo, elevando o patrimônio de referência, usado como parâmetro para definição do limite de empréstimo a cada empresa ou projeto. No último balanço divulgado, o patrimônio de referência do BNDES é de R$ 94,041 bilhões. O banco pode correr o risco de emprestar até 25% desse valor (R$ 23,5 bilhões) para apenas um projeto ou grupo empresarial. O governo já abriu exceções a esses limites, nos empréstimos aos setores de petróleo, mineração e elétrico, permitindo financiamentos maiores a Petrobrás, Vale e grupo Eletrobrás. Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, a Caixa Econômica Federal, já capitalizada dessa forma em agosto, com R$ 1,5 bilhão em ações da Eletrobrás, estaria também reivindicando nova operação do tipo. O BNDES também já recebeu recursos de forma semelhante. No início do mês, o banco incorporou no estatuto social um aumento de capital de R$ 6,783 bilhões, em operações de 2010 e 2011, com repasse de ações da Petrobrás. O capital social do BNDES é de R$ 36,340 bilhões. Fundo Administrado pelo Tesouro, o FSB detém ações de empresas como Eletrobrás, Petrobrás e Banco do Brasil. No caso do BNDES, o repasse de ações do BB seria de pouca serventia, pois não podem ser incluídas no patrimônio de referência, por ser tratar de instituição financeira. A reivindicação do BNDES não é vista como urgente. Na verdade, a diretoria do banco tem negociação permanente pela capitalização. Nos últimos três anos, o Tesouro, único acionista do banco, repassa os empréstimos, mas não resolve em definitivo as necessidades do banco. As operações do Tesouro com BNDES, Caixa e Banco do Brasil tiveram início como medida de exceção, no auge da crise internacional, mas se tornaram tática recorrente. Com a estratégia, o Tesouro capta recursos com emissão de títulos de dívida, em vez de retirá-los do Orçamento. Assim, aumenta a capacidade de emprestar dos bancos sem afetar o superávit primário (sem levar em conta juros da dívida) das contas públicas. O aumento de capital com ações da Petrobrás também preserva o superávit. Porém, a estratégia gera custos: como a taxa paga pelo governo nos títulos é superior à cobrada pelo BNDES nos financiamentos, o governo sai perdendo na operação. Por isso, têm sido alvo de críticas de economistas. Há duas semanas, em palestra no Rio, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco chamou a atenção para "um exagero de criatividade" do governo e classificou os artifícios contábeis de "quase pornográficos". Segundo o economista Mansueto Almeida Jr., especialista em contas públicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o estoque de dívida repassada aos bancos públicos chega a R$ 400 bilhões desde 2007 e já virou uma "bola de neve". Ao "transformar parte da dívida em receita primária", a estratégia não deixa claro o cálculo de custos e benefícios. "É mais fácil no Brasil construir o trem-bala do que aumentar os gastos com saúde e educação."

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