PALAVRA DE ESPECIALISTA

Planejamento e Direção na Produção de Inteligência Competitiva

Elaine Marcial*

A primeira etapa do processo de produção de Inteligência é a do planejamento e direção. É nesse momento que o analista de Inteligência vai delimitar o escopo do seu trabalho, com base na demanda recebida do tomador de decisão. Essa etapa é importante pois, além de dar foco ao trabalho, orienta o analista para atender o princípio da oportunidade: “a Inteligência produzida é oportuna, está pronta e disponível no tempo certo para apoiar o processo decisório e de definição de estratégias” (MARCIAL, 2013).

Isso porque, nessa etapa, além da definição clara do objeto e objetivo do trabalho, especificando sua finalidade ou uso, o cronograma de trabalho também é elaborado. É nesse momento que o analista distribui o tempo de produção entre as diversas etapas desse processo para atender o demandante no momento certo, para que realmente possa contribuir com o processo decisório.

Também o objeto é explorado quanto as seus aspectos fundamentais e frente a eles identificado as necessidades informacionais, destacando-se o que é necessário conhecer. Os recursos necessários para a realização da produção de Inteligência, inclusive financeiros, também são levantados.

É importante que o demandante aprove esse plano de trabalho para evitar que o analista de Inteligência, ao apresentar os resultados, ouça: “muito bom, mas ... não era bem isso que eu esperava”. Na realidade, a interação com o demandante durante todo processo é de vital importância para dirimir dúvidas e, assim, garantir a produção da informação que fará a diferença no processo decisório.

Cabe aqui destacar que há autores que tratam essa etapa com sendo a etapa inicial, não do processo de produção de Inteligência como definido por Kahaner (1996), mas como o início do processo de monitoramento do ambiente, que orienta a construção do sistema de Inteligência Competitiva, conforme descrito por Miller (2002).

Todos os autores que apresentam o processo de produção de Inteligência apresentam essa etapa, mas em geral de forma superficial como, por exemplo, em Kahaner (1996). Vaitsman (2001) foi um dos que apresentou de forma mais detalhada esse processo e Marcial (2011) sugere, inclusive, o preenchimento de um formulário que orienta o profissional quanto às principais questões a serem abordadas nessa etapa.

Muitos analistas, no dia-a-dia, acabam subestimando a importância dessa etapa e partem direto para a coleta dos dados, pois entendem que se trata de um processo burocrático, mas sempre é válido lembrar que quem não tem clareza para onde vai pode chegar a qualquer lugar e pior, perder a janela de oportunidade que se abre com a demanda pela produção de Inteligência.

É preferível simplificar o processo, garantindo a aprovação do demandante, do que somente descobrir ao final que percorreu o caminho errado e produziu uma excelente informação que não atende ao processo decisório.

Sendo assim, construa um bom planejamento do seu trabalho de Inteligência, tenha foco e mantenha o decisor informado.

 

 

Referência

KAHANER, Larry. Competitive Intelligence: how to gather, analyze and use information to move your business to the top. New York: Simon & Schuter, 1996.

MARCIAL, Elaine C. Aspectos fundamentais da Inteligência Competitiva e a Ciência da Informação. Brasília: Universidade de Brasília, 2013. 252 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação. Universidade de Brasília, Departamento de Ciência da Informação e Documentação: Brasília, 2013.

MARCIAL, Elaine C. Análise estratégica: estudos de futuro no contexto da inteligência competitiva. Brasília: Thesaurus Editora, 2011.

MILLER, Jerry P. O milênio da inteligência competitiva. Porto Alegre: Bookman, 2002.

VAITSMAN, Hélio Santiago. Inteligência empresarial: atacando e defendendo. Rio de Janeiro: Interciência, 2001.

 

 

Brasília 02 de setembro de 2015.

*Elaine C. Marcial é Doutora e Mestre em Ciência da Informação (UnB), possui DEA em Informação Científica e Tecnológica (Universidade de Marseille-FR), é Bacharel em Estatística e especialista em Cenários Prospectivos e Inteligência Competitiva. Atua na área de estudos de futuro e Inteligência Competitiva desde 1996 e já elaborou/coordenou a construção de diversos cenários prospectivos e estudos de tendências e previsões. Coordenou a elaboração do projeto de implantação do Sistema de Inteligência Competitiva em instituição financeira e realizou/coordenou diversos relatórios de Inteligência. Autora de diversos livros possui vários artigos científicos publicados em revistas e congressos nacionais e internacionais. É coordenadora da Assessoria de Gestão Estratégica, Informação e Documentação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e associada fundadora da Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva (Abraic), onde já exerceu os cargos de vice-presidente e de presidente (de 2000 a 2004). É coordenadora do Comitê Editorial da Thesaurus Editora e é membro da Rede Brasileira de Prospectiva e da World Future Society. e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.