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Retratos - Retratos - O jeito de fazer do Piauí

2011 . Ano 8 . Edição 68 - 16/10/2011

Foto: Rômulo Fialdini/Acervo Museu Casa do Pontal

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Obra: Anjo Guerreiro - Artista: Mestre Dezinho

Arte santeira do Piauí tem início na década de 1960. Hoje, 150 artesãos piauienses vivem da atividade, um dos muitos patrimônios imateriais do Brasil

Foto: Divulgação/Acervo Museu Casa do Pontal

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Mestre Dedezinho, um dos principais nomes da arte santeira no Piauí, ao lado de um de seus tótens


É comum encontrar nas ruas de Teresina, no Piauí, grandes peças entalhadas de madeira, em formato de santos como São Francisco, Santo Antônio e Nossa Senhora da Conceição. A religiosidade do piauiense é esculpida na madeira de cedro, com serrote e formão, e o polimento finaliza o trabalho, conhecido por arte santeira. Os artesãos da arte sacra do Piauí, chamados de mestres, têm como referência uma religiosidade popular que transforma o típico homem nordestino e piauiense em santos e anjos.

A história da arte santeira no estado começa na década de 1960, período em que José Alves de Oliveira, mais conhecido como Mestre Dezinho, mudou-se de Valença do Piauí para Teresina. Artesão dos chamados ex-votos – objetos que normalmente representavam membros do corpo humano, como mãos, pés e cabeças, para pagar promessas religiosas – Mestre Dezinho, então com 45 anos, começou sua vida na capital piauiense como vigia da Praça da Vermelha, e aproveitava os horários de folga para produzir os ex-votos. O padre da paróquia da Praça da Vermelha percebeu o talento de Mestre Dezinho e pediu para que ele fizesse o Cristo da igreja, que estava em reforma. Foi ao esculpir o Cristo em madeira que Mestre Dezinho tornou-se precursor da arte santeira, atividade que envolve hoje mais de 150 artesãos no estado.

Outro importante artesão também marca a arte sacra piauiense: Expedito Antonino dos Santos, o Mestre Expedito. Nascido em 1932, na cidade de Domingos Mourão, Expedito foi para Teresina em 1970 para desenvolver seu trabalho artístico, onde desenvolveu importantes trabalhos para a igreja Nossa Senhora de Lourdes. Ao longo da sua vida, Mestre Expedito teve contato com as obras de Aleijadinho, e deste assimilou a característica de imprimir nos seus personagens o estilo primitivo mais próximo da arte barroca – com ênfase nos traços naturais do corpo humano. Sua arte ganhou notoriedade no Brasil e no exterior e, assim como os trabalhos de mestre Dezinho, exerce forte influência na geração mais nova de artesãos que surgiu em Teresina nos anos seguintes.

Os artesãos da arte santeira destacam-se por empregar estilos próprios a suas obras. São oratórios, totens e peças pintadas que, devido à originalidade e à diversidade de estilos dos artesãos locais, tem feito a arte santeira do Piauí ser reconhecida em todo o Brasil, e até no exterior. Estudo realizado em 2005 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Piauí identificou uma oportunidade de exportar a arte santeira, especialmente para países com maior concentração populacional de católicos, como Itália, França, Espanha e Polônia.

Foto: Divulgação/Acervo Museu Casa do Pontal

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Mestre Expedito expõe um de seus trabalhos em cedro


No entanto, o elevado custo da madeira é um dos entraves para o desenvolvimento da atividade. De acordo com a pesquisa do Sebrae, aproximadamente 42% dos artesãos entrevistados afirmaram ter dificuldade para adquirir o cedro, madeira mais utilizada para o trabalho. Outros 58,33% alegam que há falta de matéria-prima no mercado e, por isso, substituem o cedro por umburana, a cerejeira e o mogno, que são madeiras de qualidade inferior.

O valor alto da peça da arte santeira restringe as vendas para as camadas sociais de alto poder aquisitivo, sobretudo para os turistas que visitam Teresina. Outro segmento de renda elevada que vem crescendo no consumo da arte santeira são os arquitetos que trabalham com decoração. Segundo a pesquisa, 25% dos entrevistados afirmaram vender para esse tipo de profissional. Além disso, o próprio processo produtivo das peças – caracterizado pelo caráter estritamente manual – é um dos fatores mais importantes na determinação da elevação do preço. Os mestres da arte santeira levam, aproximadamente, dois meses para finalizar uma peça.

A arte santeira do Piauí já possui um Inventário Nacional de Referências Culturais junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. O próximo passo é registrar o modo de fazer no Livro do Registro, o que garante que a arte santeira do Piauí seja um patrimônio imaterial brasileiro. O processo está em andamento desde 2008. De acordo com o Iphan, o registro é uma forma de reconhecimento, e busca a valorização de bens imateriais da cultura brasileira.

 
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