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Edição 15
Janeiro/2005

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Matriz de novos empreendedores
A Fundação Certi, de Florianópolis, atingiu a maioridade aos 21 anos e funcionou como articuladora de empresários, cientistas e poder público para gerar uma das melhores experiências brasileiras de fomento ao empreendedorismo e de estímulo à inovação em tecnologia e negócios

Ottoni Fernandes Jr

O percurso começou em 1993, quando Maurício Ibarra Dobes, sócio e principal executivo da Suntech, terminou o curso de graduação em Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), já sonhando em montar uma empresa de desenvolvimento de software. Ainda não tinha escolhido com precisão a área em que ia trabalhar, depois de concluir o mestrado em Engenharia Biomédica na UFSC. Sabia que deveria ser em inteligência artificial, voltada para medicina ou para telecomunicações. A lâmpada acendeu e Ibarra detectou uma oportunidade de negócios no setor de telecomunicações. A privatização do setor abriu uma janela de oportunidades para empreendedores, pois as novas empresas, livres das amarras da estatização, investiam em tecnologia e disputavam ferozmente o mercado consumidor.

O número de usuários de telefonia móvel crescia e a empresa precisava gerenciar o tráfego, medir a qualidade das conexões e todo o aparato tecnológico e de marketing para atender às demandas de um público exigente. "O nicho estava descoberto, pois os programas existentes ainda rodavam plataformas complexas. Decidimos lançar uma alternativa baseada no sistema operacional Windows, mais fácil de operar", recorda Ibarra. A Suntech foi fundada em junho de 1996 e em março do ano seguinte passou no "vestibular" e foi aceita no Celta. Ibarra já tinha experiência com empresas incubadas, pois quando era estagiário do Certi, enquanto cursava a faculdade, teve contato com as primeiras que se abrigaram na Incubadora Empresarial e Tecnológica, que surgiu em 1986 e era gerenciada pela fundação.
O software de gerenciamento de redes e análise de desempenho foi bem-aceito pelas operadoras e assim Ibarra passou a conhecer a realidade dessas empresas e percebeu outra oportunidade, a gestão dos pedidos feitos pela Justiça brasileira para interceptação legal de ligações por celulares. "Como a Justiça brasileira é pulverizada, as operadoras recebiam milhares de pedidos de interceptação por meio de diversos escritórios ou sucursais", diz Ibarra. E depois, confirmada a legalidade do pedido, o que exigia longos percursos até o departamento jurídico das operadoras, era preciso fazer a interceptação e gerar os relatórios para a Justiça. "Criamos o sistema Vigia, que automatiza todo o processo. Os pedidos entram por um único lugar, são encaminhados para o departamento jurídico e, se aprovados, comandam a interceptação, entregue sob a forma de voz e texto."

Atualmente, o Vigia responde por 60% do faturamento da Suntech, que deve chegar a 7 milhões de reais em 2005, com crescimento de 80% sobre o ano anterior. Tentam agora colocá-lo no mercado externo e o negociam com empresas da Argentina, Colômbia e México. Para 2006, informa Ibarra, a meta é faturar 10 milhões de reais, 30% dos quais no exterior. Mas a empresa não dorme em cima do sucesso e já lançou outros produtos, como o programa que permite a localização da posição geográfica de um telefone móvel, que, por exemplo, muitos pais adotam para saber onde estão seus filhos. Ibarra e seus sócios também estão de olho no mercado de ligação telefônica celular através da Internet (voiceIP).

Os recursos para bancar a primeira fase de desenvolvimento de produtos vieram de dois financiamentos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), de 40 mil reais em 1998 e de 200 mil reais em 2002, feitos com apoio da Fundação Certi. Além disso, Ibarra e seus três sócios fundadores foram buscar um sócio capitalista e bateram na porta do Fundo de Investimento em Empresas Emergentes de Santa Catarina (Fiee-SC), montado por fundos de pensão e administrado pela Fator Administradora de Recursos, que hoje possui 19% do capital da Suntech, enquanto a Fundação Certi tem 1,5% e o restante se divide entre os quatro sócios. A Suntech saiu da incubadora em 2001, mas continua perto da universidade, pois a sede está no bairro de Trindade, ao lado da entrada do campus da UFSC. Atualmente, a empresa conta com 38 funcionários, dos quais 30 têm nível superior e incluem cinco estagiários, alunos de Engenharia e Ciência da Computação. Pode ser que a Suntech esteja funcionando, também, como matriz de novos empreendedores.

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