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Matriz de novos empreendedores
A Fundação Certi, de Florianópolis, atingiu a maioridade aos 21 anos e funcionou como articuladora de empresários, cientistas e poder público para gerar uma das melhores experiências brasileiras de fomento ao empreendedorismo e de estímulo à inovação em tecnologia e negócios
Ottoni Fernandes Jr
O percurso começou em 1993, quando Maurício Ibarra Dobes, sócio e principal
executivo da Suntech, terminou o curso de graduação em Engenharia Elétrica
na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), já sonhando em montar
uma empresa de desenvolvimento de software. Ainda não tinha escolhido
com precisão a área em que ia trabalhar, depois de concluir o mestrado
em Engenharia Biomédica na UFSC. Sabia que deveria ser em inteligência
artificial, voltada para medicina ou para telecomunicações. A lâmpada
acendeu e Ibarra detectou uma oportunidade de negócios no setor de telecomunicações.
A privatização do setor abriu uma janela de oportunidades para empreendedores,
pois as novas empresas, livres das amarras da estatização, investiam em
tecnologia e disputavam ferozmente o mercado consumidor. O número de usuários de telefonia móvel crescia e a empresa precisava
gerenciar o tráfego, medir a qualidade das conexões e todo o aparato tecnológico
e de marketing para atender às demandas de um público exigente. "O nicho
estava descoberto, pois os programas existentes ainda rodavam plataformas
complexas. Decidimos lançar uma alternativa baseada no sistema operacional
Windows, mais fácil de operar", recorda Ibarra. A Suntech foi fundada
em junho de 1996 e em março do ano seguinte passou no "vestibular" e foi
aceita no Celta. Ibarra já tinha experiência com empresas incubadas, pois
quando era estagiário do Certi, enquanto cursava a faculdade, teve contato
com as primeiras que se abrigaram na Incubadora Empresarial e Tecnológica,
que surgiu em 1986 e era gerenciada pela fundação. Atualmente, o Vigia responde por 60% do faturamento da Suntech, que
deve chegar a 7 milhões de reais em 2005, com crescimento de 80% sobre
o ano anterior. Tentam agora colocá-lo no mercado externo e o negociam
com empresas da Argentina, Colômbia e México. Para 2006, informa Ibarra,
a meta é faturar 10 milhões de reais, 30% dos quais no exterior. Mas a
empresa não dorme em cima do sucesso e já lançou outros produtos, como
o programa que permite a localização da posição geográfica de um telefone
móvel, que, por exemplo, muitos pais adotam para saber onde estão seus
filhos. Ibarra e seus sócios também estão de olho no mercado de ligação
telefônica celular através da Internet (voiceIP). Os recursos para bancar a primeira fase de desenvolvimento de produtos
vieram de dois financiamentos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep),
de 40 mil reais em 1998 e de 200 mil reais em 2002, feitos com apoio da
Fundação Certi. Além disso, Ibarra e seus três sócios fundadores foram
buscar um sócio capitalista e bateram na porta do Fundo de Investimento
em Empresas Emergentes de Santa Catarina (Fiee-SC), montado por fundos
de pensão e administrado pela Fator Administradora de Recursos, que hoje
possui 19% do capital da Suntech, enquanto a Fundação Certi tem 1,5% e
o restante se divide entre os quatro sócios. A Suntech saiu da incubadora
em 2001, mas continua perto da universidade, pois a sede está no bairro
de Trindade, ao lado da entrada do campus da UFSC. Atualmente, a empresa
conta com 38 funcionários, dos quais 30 têm nível superior e incluem cinco
estagiários, alunos de Engenharia e Ciência da Computação. Pode ser que
a Suntech esteja funcionando, também, como matriz de novos empreendedores.
O software de gerenciamento de redes e análise de desempenho foi bem-aceito
pelas operadoras e assim Ibarra passou a conhecer a realidade dessas empresas
e percebeu outra oportunidade, a gestão dos pedidos feitos pela Justiça
brasileira para interceptação legal de ligações por celulares. "Como a
Justiça brasileira é pulverizada, as operadoras recebiam milhares de pedidos
de interceptação por meio de diversos escritórios ou sucursais", diz Ibarra.
E depois, confirmada a legalidade do pedido, o que exigia longos percursos
até o departamento jurídico das operadoras, era preciso fazer a interceptação
e gerar os relatórios para a Justiça. "Criamos o sistema Vigia, que automatiza
todo o processo. Os pedidos entram por um único lugar, são encaminhados
para o departamento jurídico e, se aprovados, comandam a interceptação,
entregue sob a forma de voz e texto."

