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Matriz de novos empreendedores
A Fundação Certi, de Florianópolis, atingiu a maioridade aos 21 anos e funcionou como articuladora de empresários, cientistas e poder público para gerar uma das melhores experiências brasileiras de fomento ao empreendedorismo e de estímulo à inovação em tecnologia e negócios
Ottoni Fernandes Jr
Amostra Atualmente, o faturamento das cerca de 290 empresas de base tecnológica
de Florianópolis já deve superar o de hotelaria e turismo, de acordo com
Alexandre d'Avila da Cunha, presidente da Acate, com base em uma amostra
levantada com os 88 associados da entidade. Uma delas é a Cebra, presidida
por Cunha, que nasceu na Incubadora Empresarial e Tecnológica, onde ficou
de 1990 a 1994, e deve faturar cerca de 6,5 milhões de reais neste ano
com produtos para o setor de automação bancária. Outra iniciativa da Certi
que ajudou a definir a vocação tecnológica da capital do estado foi planejar
o ParqTec Alfa, em parceria com o governo do estado, para abrigar a nova
safra de empresas geradas na primeira incubadora ou que fossem atraídas
pelo potencial da cidade. A idéia surgiu em 1986, mas a inauguração só
ocorreu em maio de 1993. Atualmente, o parque Alfa, instalado no início
da estrada que vai de Florianópolis em direção ao norte da ilha, abriga
59 empresas de base tecnológica, 12 outras de serviços, que, no conjunto,
faturam 145 milhões de reais por ano, onde trabalham 1,8 mil pessoas,
das quais 1,2 mil com curso superior. Também funciona no parque a segunda incubadora de Florianópolis, o Centro
Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), gerido pela
Fundação Certi, criado em agosto de 1995. As 38 empresas em operação na
incubadora faturam 40 milhões de reais anualmente, sendo que 29 foram criadas por empresários formados na UFSC. Não
é fácil ser aceito no Celta, pois o processo de seleção é rigoroso. Segundo
Tony Chierighini, gerente da incubadora, já foram entregues até hoje 900
planos de negócios, dos quais 450 passaram pelo primeiro filtro, mas apenas
83 foram aprovados para serem incubados. A taxa de mortalidade das empresas
é baixa, pois apenas sete empresas encerraram suas atividades. O rigor
do processo de seleção é uma das explicações para essa taxa de sucesso,
mas também é importante o treinamento em gestão, marketing e outras disciplinas
que o Celta oferece por meio do Sebrae-SC, como explica o empresário Everton
Gubert, sócio da Agriness, que desenvolveu um bem-sucedido software para
o agribusiness. "Aprendemos a fazer planejamento de médio e longo prazo". Em setembro, a Agriness foi eleita a melhor empresa
incubada de 2005 e mereceu o prêmio da Associação Nacional de Entidades
Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) - que reúne as incubadoras
existentes no Brasil -, no qual concorreram 43 empresas. A direção do Celta dá um prazo de no máximo quatro anos para que as
empresas fiquem abrigadas em suas instalações, mas admite algumas exceções,
avaliadas pontualmente. O objetivo é abrir espaço para novos empreendimentos
e colocar as empresas na rota da expansão. No entanto, é comum que muitos
empresários prefiram permanecer na incubadora, onde desfrutam, além de
infra-estrutura e treinamento, de um ambiente sinérgico, no qual podem
trocar experiências e criar uma interação que é extremamente importante,
porque é movida pelo conhecimento, como explica José Eduardo Azevedo Fiates,
presidente da Anprotec. A exemplo do que foi feito pela Certi, é essencial
acoplar a incubadora a um parque tecnológico, para que as empresas possam
se instalar depois que saírem do ambiente protegido, afirma. Para ele,
a primeira condição para uma incubadora ser bem-sucedida não é a infra-estrutura,
mas sim a existência de empreendedores.
No caso específico de Florianópolis, o parque Alfa ficou pequeno e já
não é capaz de abrigar as empresas que se graduam (isto é, saem do ambiente
protegido) nas duas incubadoras da cidade, informa Cunha, da Acate, e
o poder público municipal não colocou em sua lista de prioridades a criação
de outros parques tecnológicos. Coube à Certi, em conjunto com a Companhia
de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Codesc), do governo estadual,
dar o pontapé inicial para remover esse gargalo. Há cinco anos começaram
a planejar o lançamento do Sapiens Parque, a ser instalado num terreno
de 4,5 milhões de metros quadrados na praia de Canasvieiras, no norte
da ilha, onde funcionou uma colônia penal agrícola até a década de 80.
O projeto é mais amplo, pois, além de um condomínio para empresas de base
tecnológica, prevê um centro de convenções e instalações para atividades
turísticas, de serviços e educacionais. "Estamos negociando com o hospital
Sarah Kubitschek, de Brasília, para que instalem uma unidade no Sapiens
Parque", informa Leandro Carioni, da Fundação Certi, gerente executivo
do projeto. A meta é ambiciosa, pois envolverá 1,5 bilhão de reais em
investimentos a serem captados no setor privado, mas as promessas são
grandes, pois o planejamento feito pela Certi prevê que em dez anos o
Sapiens Parque criará 30 mil empregos, com uma receita anual de 1,3 bilhão
de reais. Para Cunha, da Acate, a proposta é importante para mudar, de
uma vez, a vocação regional da ilha, ainda muito dependente do turismo
de verão, nos meses de janeiro e fevereiro, quando a população chega a
dobrar. Em setembro, foi superado o primeiro obstáculo para a criação
do Sapiens Parque, quando o empreendimento recebeu a licença ambiental
prévia para seguir em frente.

