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Inflação

Carta de Conjuntura Nº 36

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Ao longo dos últimos meses, o processo de desinflação da economia brasileira continuou a surpreender positivamente, repercutindo uma desaceleração em todos os segmentos de preços da economia. Nos últimos 12 meses, encerrados em julho, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 2,7% e reduziu à metade a variação apresentada em janeiro (5,4%). Por um lado, o aumento da oferta de alimentos e o baixo dinamismo da demanda doméstica vêm possibilitando uma queda contínua dos preços de bens e serviços livres. Por outro, o bom comportamento do câmbio, aliado à lenta recuperação da atividade econômica e à consolidação da credibilidade da autoridade monetária ajuda a construir este quadro de alívio inflacionário. A melhora do ambiente de inflação brasileiro é corroborada pela trajetória declinante apresentada pelos indicadores de núcleo e de difusão do IPCA, cujas variações vêm se mantendo em patamar abaixo das suas médias históricas.

Não obstante ao que vem acontecendo no varejo, os índices de preços no atacado também apresentam comportamento declinante ao longo do ano. De acordo com o índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), a inflação em 12 meses deste segmento recuou de 7,7% em dezembro de 2016 para -4,2% em julho, refletindo a desaceleração dos preços agrícolas e industriais. O cenário externo mais favorável, tanto em relação ao câmbio quanto às commodities, indica que não há, no curto prazo, nenhum fator de forte pressão sobre a inflação no atacado.

Dentro deste contexto, a expectativa para o restante do ano é de uma inflação bem comportada, em patamar próximo a 3,5%, previsto na edição anterior da Carta de Conjuntura, mesmo em um contexto de aceleração de preços administrados.

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Inflação

Carta de Conjuntura Nº 35

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Esta seção analisa a dinâmica recente da inflação no Brasil e conclui que a previsão da inflação (medida pelo IPCA) não deve sofrer alterações significativas em relação à última previsão feita em 30 de março pela Carta de Conjuntura nº 34, que era de 3,8%.

A forte queda da inflação corrente e o aumento da credibilidade do Banco Central vêm ancorando as expectativas e reduzindo o componente inercial da variação dos preços. Para o restante do ano, o balanço de riscos para a inflação estará condicionado ao comportamento da taxa de câmbio, que pode sofrer impactos do ambiente de incerteza política. No entanto, mesmo que haja alguma desvalorização cambial, os impactos sobre os preços ao consumidor não seriam imediatos e tenderiam a ser minimizados devido ao grande nível de ociosidade na economia.

 Adicionalmente, o baixo dinamismo do mercado de trabalho deve contribuir para impedir uma aceleração mais forte dos preços livres, em especial dos serviços e dos bens de consumo. Desta forma, ainda que, a partir do terceiro trimestre do ano, haja alguma alta de preços administrados por conta de reajustes de tarifas públicas e uma leve aceleração dos alimentos, estes dois movimentos não serão fortes o suficiente para pressionar significativamente o IPCA.

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Inflação

Carta de Conjuntura Nº 33

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Após iniciar o ano de 2016 com uma taxa acumulada em 12 meses próxima a 11%, a inflação mostrou sinais moderados de arrefecimento até meados do terceiro trimestre. Com a reversão da forte tendência de alta dos preços dos alimentos, a partir de setembro deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) iniciou uma trajetória de desaceleração mais intensa, de modo que, a variação acumulada em 12 meses já havia caído para 7% em novembro. Na margem, esta desaceleração dos preços ao consumidor voltou a se intensificar. De acordo com os dados do IPCA-15 de dezembro, a inflação brasileira registou alta de 0,19%, recuando praticamente 1,0 p.p. em relação ao observado no mesmo mês de 2015 (1,18%). Assim como vem ocorrendo ao longo do último trimestre, o maior alívio veio do grupo alimentação:  sozinho contribuiu com -0,05 p.p., refletindo a queda da alimentação no domicílio, com deflação de 0,45%.

Para o próximo ano, a expectativa é de continuada desaceleração da inflação, gerando uma convergência mais rápida para algum valor próximo da meta de 4,5% – o que seria possibilitado por uma queda mais expressiva dos preços livres, em especial dos alimentos e dos serviços.

No caso dos alimentos, as boas projeções de safra tanto no país quanto no resto do mundo e a baixa probabilidade da ocorrência de fenômenos climáticos, que poderiam prejudicar a produção agrícola, devem manter os preços das commodities agrícolas bem comportados, dando continuidade à trajetória de queda de preços já em curso desde o último trimestre de 2016.

Em relação aos demais preços livres, o que deverá puxar a desaceleração inflacionária é a lenta retomada prevista para a atividade econômica e seus efeitos sobre o mercado de trabalho. Adicionalmente, a baixa confiança dos consumidores, aliada ao forte endividamento das famílias e ao menor reajuste do salário mínimo, deve manter a demanda doméstica contraída, facilitando o recuo da inflação dos bens e serviços livres mesmo em um ambiente de redução das taxas de juros. Por fim, a recuperação da confiança na atuação do Banco Central, no que tange ao cumprimento da meta de inflação, vem desencadeando um movimento de ancoragem das expectativas e ajudando o processo desinflacionário brasileiro.

Os riscos para a consolidação desse quadro são baixos, porém existentes, e estão, basicamente, conectados ao mercado externo. Pode ocorrer alguma desvalorização cambial decorrente de medidas adotadas pelo novo governo norte-americano, com impacto nos preços comercializáveis. Além disso, o recente acordo entre os produtores de petróleo pode gerar uma alta nos preços domésticos dos combustíveis, cuja regra de reajuste passou a refletir as cotações internacionais.

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A inflação dos alimentos: uma análise do desempenho recente

Carta de Conjuntura Nº 31

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Leonardo Mello de Carvalho

Desde meados de 2010, a inflação brasileira media pelo Índice Nacional de Preços ao consumidor Amplo (IPCA) vem se mantendo sistematicamente acima da meta de 4,5%, e, há quase dois anos, já se encontra em nível superior ao teto da banda de tolerância (6,5%). Embora esse comportamento tenha sido influenciado por fatores diversos ao longo do tempo, a trajetória dos alimentos vem, sistematicamente, contribuindo para a manutenção do IPCA em patamares pouco confortáveis.  Mais recentemente, a trajetória de alta dos alimentos, que acontece com uma intensidade ainda maior no atacado, ganhou novo impulso e impediu o recuo mais rápido do IPCA.

Para tentar entender melhor essa dinâmica dos preços dos alimentos, desenvolveu-se um modelo VAR, cuja análise da decomposição da variância indica que, em um horizonte de três meses, aproximadamente 37% da variação do IPCA é explicada pelos choques dos alimentos no atacado, enquanto o câmbio responde por 7,6% (Tabela 2). Adicionalmente, nota-se que o comportamento do câmbio sobre os preços dos alimentos no varejo torna-se mais relevante à medida que o horizonte se alonga, de modo que a influência chega a 14% nos 12 meses subsequentes. Diante desses resultados, pode-se inferir que parte da evolução recente dos preços dos alimentos no IPCA ainda é reflexa da intensa desvalorização cambial ocorrida no segundo semestre de 2015 e dos choques de preços no atacado provenientes dos problemas de safra ocorridos no primeiro trimestre deste ano. Adicionalmente, a melhora no comportamento dessas duas variáveis indica que a inflação dos alimentos deve reduzir a pressão sobre o IPCA nos próximos meses.

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Inflação

Carta de Conjuntura Nº 31

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Apesar de apresentar uma tendência de desaceleração ao longo do ano, a inflação brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ainda se encontra em patamares pouco confortáveis, mantendo-se bem acima do teto da banda de variação (6,5%) da meta de inflação.

A trajetória de queda da inflação em 2016 já era esperada e vem sendo possibilitada, sobretudo, pelo desempenho dos preços administrados, cuja variação acumulada em 12 meses retroagiu de 18% em dezembro para 10,8% em maio, refletindo, basicamente, o fim dos fortes reajustes da energia elétrica ocorridos no primeiro trimestre do ano passado. Mas ainda não está claro se os preços livres irão, de fato, auxiliar no processo desinflacionário este ano. Com efeito, mesmo diante de um cenário marcado pela significativa redução da demanda interna, a variação dos preços livres nos últimos 12 meses tem apresentado ligeira alta, repercutindo não só o aumento dos preços dos alimentos, como também os efeitos defasados da desvalorização cambial e a resiliência da inflação de serviços.

De fato, o desempenho dos preços dos alimentos ao longo dos últimos meses vem surpreendendo negativamente, impedindo um recuo mais rápido da inflação ao consumidor. No acumulado de janeiro a maio, o custo da alimentação no domicílio, medida pelo IPCA, apontou alta de 8%, pressionado pela aceleração dos preços dos produtos in natura e de grãos e cereais. Se, por um lado, os efeitos climáticos ajudam a explicar boa parte desse aumento, tendo em vista os prejuízos sobre a safra, por outro, a alta internacional das commodities agrícolas e a melhora do câmbio para o setor exportador vem deslocando parte da produção para o mercado externo, gerando uma diminuição da oferta doméstica de alimentos.

Assim como vem acontecendo com os alimentos, a resiliência da inflação de serviços também tem sido determinante para a demora na queda da inflação dos preços.  Em maio, os serviços livres apresentaram uma alta acumulada em 12 meses de 7,5%  – contra uma inflação acumulada de 8,1% em 2015 – ainda significativamente elevada, portanto, a despeito da  rápida deterioração das condições do mercado de trabalho.

Por fim, os bens de consumo duráveis também podem agir, ainda que na margem, no sentido de dificultar um recuo mais intenso do IPCA nos próximos meses. Em que pese o bom comportamento da inflação deste grupo de bens – que vem girando em torno de 3% ao ano -, os efeitos represados do câmbio e o início do ajuste de estoques na indústria podem gerar alguma aceleração nos preços em 2016.

Neste contexto, espera-se que o IPCA desacelere gradualmente ao longo do ano, puxado, sobretudo, por um recuo mais intenso dos preços administrados e, em menor escala, pela consolidação de um movimento de recuo das taxas de inflação dos preços livres, que seria potencializada pela contração da demanda interna.

Para a composição deste cenário, algumas outras questões devem ser pontuadas. Por um lado, o indicativo de um ajuste fiscal mais vigoroso – aliado a um maior esforço do Banco Central do Brasil (BCB) em trazer de volta a inflação para uma trajetória mais compatível com a meta – pode facilitar esta descompressão sobre os preços. Por outro lado, as incertezas quanto ao fim do ciclo de repasse da desvalorização cambial para os preços comercializáveis, os impactos remanescentes do reajuste superior a 10% do salário mínimo e a possibilidade de se fazer um ajuste fiscal via aumento de impostos podem se constituir entraves a uma queda mais acentuada da inflação.

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