Arquivo da tag: Inflação

Inflação

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Os dados mais recentes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indicam que, mesmo diante de uma leve aceleração – 0,03 ponto percentual (p.p.) – da sua taxa de variação em doze meses, o cenário de inflação para 2019 não só se mantém favorável como também começa a sinalizar que a trajetória dos preços esperada para o ano pode ser ainda mais benigna que a prevista anteriormente. De fato, a alta de 0,32% em janeiro surpreendeu positivamente, ficando um pouco abaixo do esperado, ao repercutir um aumento menos expressivo dos alimentos e a continuidade da queda no preço da gasolina. Dentro deste contexto, as estimativas de um aumento de safra superior a 2,0% e a expectativa de melhora no comportamento do câmbio vêm desencadeando uma queda nas expectativas de mercado para a inflação de 2019, que já se encontram abaixo de 4%. Adicionalmente, verifica-se que, mesmo diante de um ambiente de maior dinamismo do nível de atividade, o mercado de trabalho deve continuar se recuperando lentamente, impedindo uma aceleração mais forte da demanda.

Apesar desse resultado melhor em janeiro, a alta de 4,4% da alimentação no domicílio nos últimos doze meses, medida pelo IPCA, é a principal responsável pela maior aceleração da inflação das classes mais pobres, comparativamente aos segmentos de renda mais alta. Em janeiro de 2019, a taxa de inflação acumulada em doze meses, na faixa de renda mais baixa, registrou variação de 3,8%, avançando 1,1 p.p. em relação ao observado neste mesmo mês de 2018. Em contrapartida, mantendo-se a mesma base de comparação, a inflação das famílias de maior poder aquisitivo apresentou incremento de apenas 0,1 p.p., passando de 3,7% para 3,8%. Além dos alimentos, a forte alta das tarifas de energia elétrica ao longo do ano também pressionou muito mais a inflação das camadas de renda mais baixa. De fato, esta combinação de reajustes de preços de alimentos e energia fez com que, em janeiro, enquanto a inflação dos mais pobres apontasse alta de 0,41%, a dos mais ricos variasse 0,25%.

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O cenário para a inflação dos próximos meses continua benigno, apesar da aceleração nos meses anteriores, indicando que não há focos de pressão que ponham em risco o cumprimento da meta, tanto para 2018 quanto para 2019. Na análise desagregada do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), verifica-se que a alta de 4,56% nos últimos doze meses, até outubro, está associada a pressões pontuais e não a um processo disseminado de alta de preços na economia. Por certo, as maiores contribuições ao IPCA vêm dos preços administrados, que acumulam alta de 9,9% no período, refletindo os reajustes dos preços dos combustíveis – em virtude da desvalorização cambial e da alta da cotação do petróleo – e da energia elétrica, impactada pelo baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas e pelos reajustes elevados das distribuidoras. Em contrapartida, os preços livres permanecem surpreendendo positivamente por meio da continuidade da desaceleração da inflação de serviços e pelo crescimento abaixo do esperado dos preços dos alimentos.

Dentro deste contexto, embora as famílias mais pobres ainda apresentem uma inflação abaixo da observada pelas mais ricas, a combinação de reajustes de energia com a recuperação dos preços de alimentos vem reduzindo, ao longo do ano, o diferencial de taxas entre as diversas classes de renda. No acumulado em doze meses, os dados mostram que, em janeiro de 2018, a inflação das famílias de renda mais baixa registrava alta de 2,1%, situando-se 1,6 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa apontada pela faixa mais alta (3,7%). Em outubro, entretanto, com variações de 3,9% e 4,9%, respectivamente, esta diferença recuou para 1,0 p.p.

Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração da inflação acumulada em doze meses, possibilitada pelo recuo dos preços dos combustíveis e pela desaceleração dos preços da energia (a adoção da bandeira amarela em novembro aliada à possibilidade de estabelecimento da bandeira verde em dezembro) e dos alimentos, propiciando a manutenção da taxa de juros no patamar atual.

CC41_Inflação_gráficos

CC41_Inflação_tabela

Acesso o texto completo

Acesse aqui a planilha com a série completa das taxas mensais de inflação por faixa de renda



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação

Carta de Conjuntura Nº 39

Por Maria Andréia Parente Lameiras

A inflação brasileira continua apresentando uma trajetória decrescente no período recente, registrando taxas de variação em doze meses abaixo de 3,0%. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), nos últimos doze meses encerrados em maio, a inflação acumulada registra alta de 2,7%. Já no acumulado do ano, a variação de 1,2%, apontada pelo índice, se constitui no melhor resultado para o período desde a implementação do Plano Real. Em que pese a expectativa de manutenção deste ambiente favorável, o cenário de inflação para o restante do ano vem se modificando, dado o surgimento de uma nova combinação entre pontos de pressão e alívio inflacionário. Se, por um lado, a reversão da trajetória dos preços dos alimentos – com deflação de 4,7% em doze meses, até maio, medida pelo IPCA-15 – já é mais do que esperada, devido à menor safra brasileira em 2018, por outro lado, os problemas na produção de grãos na Argentina e nos Estados Unidos devem pressionar os preços das commodities agrícolas gerando focos de pressão adicionais sobre os preços dos alimentos. De modo similar, a previsão de continuidade na trajetória de alta do petróleo certamente poderá implicar novos reajustes de combustíveis, gerando um impacto sobre os preços administrados (gasolina) e livres (indústria química e aumentos de frete). Adicionalmente, a desvalorização cambial de aproximadamente 15%, verificada ao longo do ano, exercerá novos impactos de alta sobre os índices de preços no país. Entretanto, o balanço de riscos mostra que a expectativa de um crescimento menor que o projetado inicialmente do nível de atividade em 2018, a continuidade de níveis elevados de ociosidade da economia e a lenta retomada do mercado de trabalho devem atenuar uma alta de preços mais significativa, principalmente no setor de serviços.

CC39_Inflação_gráficos 2 e 3

CC39_Inflação_gráfico 7

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral de Conjuntura

Carta de Conjuntura nº 38

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

Seção analisa a conjuntura e apresenta previsões macroeconômicas para 2018 e 2019

O período que abrange o final de 2017 e os meses iniciais de 2018 caracterizou-se pela continuidade da recuperação do nível de atividade econômica, com destaque para o aumento da produção industrial e do consumo e a redução do desemprego. Apesar de alguma perda de ritmo nesse processo, com redução das taxas de crescimento na margem, os dados ainda apontam para um cenário positivo ao longo do ano. O Indicador Ipea de Hiato do Produto, que está em 4,4%, mostra que ainda há elevada capacidade ociosa na economia brasileira. Isso permite que a política monetária estimule o crescimento sem grandes riscos de pressão inflacionária devido a excesso de demanda. Aliás, a principal surpresa do primeiro bimestre de 2018 veio da taxa de inflação, a mais baixa em muitos anos, resultando em que as taxas anuais seguiram em queda – ao contrário do esperado pelo mercado, pelo Banco Central do Brasil (BCB) e pela própria Carta de Conjuntura. A evolução benigna da inflação ratifica as expectativas de que a política monetária permaneça expansionista ao longo de todo o ano, constituindo um dos principais motores da recuperação. Entre as previsões para 2018, a de inflação foi uma das poucas que sofreram alterações mais significativas.

CC38_Visão Geral_tabelas 1 e 2

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação

Carta de Conjuntura Nº 38

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Após fechar o ano de 2017 com uma inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de apenas 2,95% – abaixo do limite inferior da banda de tolerância da meta de inflação –, em janeiro de 2018, o IPCA voltou a surpreender positivamente ao apontar variação de 0,29%, gerando uma nova desaceleração da curva de inflação em 12 meses que recuou para 2,86%. Na desagregação do índice, observa-se que dos nove grupos que compõem o IPCA, apenas três deles – habitação (5,2%), saúde (6,4%) e educação (7,0%) – apresentam, em 12 meses, variações acima da meta de 4,5%. Em contrapartida, o grupo alimentos e bebidas e artigos de residência são os que mostram melhores desempenhos, com deflações de 1,5% e 1,3%, respectivamente.

CC38_Inflaçao_gráficos

Essa trajetória favorável dos alimentos é a principal responsável pela desaceleração mais acentuada da inflação das famílias mais pobres em relação ao segmento mais rico da população, de acordo, segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda.

Acesse o texto completo

 



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral de Conjuntura

Carta de Conjuntura nº 35

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

A inflação, a economia internacional e as contas externas seguem em trajetórias benignas que ajudam a melhorar o ambiente macroeconômico brasileiro. O fator que claramente inibe uma retomada cíclica mais vigorosa é o problema fiscal. É evidente que a situação crítica das contas públicas não tem como ser resolvida com medidas tradicionais de ajuste de curto prazo, mas é necessário que se vislumbre a factibilidade do ajuste de longo prazo proposto pelo governo. Por isso, a mudança recente do quadro político afeta diretamente o nível de incerteza em relação às projeções macroeconômicas. Na Carta de Conjuntura anterior, trabalhamos com projeções condicionais a um cenário de aprovação mais rápida das reformas estruturais, em especial da reforma da previdência. A agilidade na realização das reformas vislumbrada na edição anterior desta publicação tornou-se, porém, menos provável. Isso implica mudanças importantes em nossas projeções, que, agora, estão condicionadas a um cenário com incerteza mais elevada e, por conseguinte, com maior risco país e com o câmbio em trajetória oposta. Esse aumento da incerteza tem impactos negativos sobre a retomada da economia, com destaque para o comportamento esperado dos investimentos. Como é comum ocorrer em períodos de retomadas cíclicas, esperava-se que os investimentos fossem um dos principais drivers para o crescimento da demanda. Porém, esse componente do PIB é muito sensível ao nível de confiança sobre o desempenho futuro da economia. Como estamos trabalhando nesta edição com um quadro de incerteza mais elevada, nossas projeções passaram a apontar para variações mais modestas para o investimento – que ainda ficariam no terreno negativo neste ano e apresentariam um crescimento mais moderado no ano que vem.

Os dados mensais mais recentes – analisados detalhadamente na seção de Atividade Econômica desta Carta de Conjuntura – corroboram este cenário de retomada mais lenta do crescimento. Mais especificamente, os dados de confiança de junho da FGV já refletem esse aumento da incerteza.

As novas projeções também incorporam os dados mais recentes de atividade econômica, inclusive as Contas Nacionais Trimestrais referentes ao primeiro trimestre de 2017, que não estavam disponíveis quando da elaboração de nossas últimas projeções. Apesar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ter surpreendido positivamente no primeiro trimestre, este aumento deveu-se fundamentalmente ao avanço do setor agropecuário, ao passo que a recuperação da indústria e dos serviços revelou-se mais lenta do que previsto anteriormente – com repercussões negativas para o crescimento ao longo do ano.

170629_cc35_visao_geral_tabelas

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Modelagem da Relação entre a Inflação do Consumidor e a Inflação do PIB

Carta de Conjuntura nº 35

Por Alexandre Manoel Silva, Alexandre Ywata Carvalho, Bruno Fabrício Ferreira da Rocha
e Giovanni Silva Bevilaqua

Esta nota técnica mostra que a relação entre o deflator do PIB e a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) parece ser implicitamente associada à taxa de câmbio e ao hiato do produto. Aparentemente, quando a economia apresenta elevada taxa de câmbio e está em recessão, pode-se observar uma menor relação entre o deflator do PIB e o IPCA. A intuição é que, em períodos recessivos, conjugados com alta do câmbio, há maior dificuldade por parte das empresas em repassar a alta dos custos (decorrente de uma depreciação cambial) para o consumidor final, diminuindo, portanto, o valor adicionado. Por sua vez, nesses períodos, o IPCA é mais sensível à depreciação cambial por considerar os bens importados. Assim, a razão deflator do PIB/IPCA tende a diminuir em períodos recessivos.

Por outro lado, com a recuperação da economia, utilizando os mesmos argumentos acima, espera-se que o IPCA fique abaixo do deflator do PIB, justamente pela menor dificuldade que os empresários possuem para repassar a alta de custos para o consumidor final em uma economia que está crescendo. Esse resultado tem um significado importante do ponto de vista do ajuste fiscal que o país está buscando atualmente. Espera-se que as medidas de maior racionalização dos gastos públicos possam levar a um aumento de confiança dos agentes econômicos, incorrendo em uma melhora no quadro econômico do país. Os resultados, neste artigo, indicam que uma melhora na situação econômica, refletida na taxa de câmbio nominal e no nível de utilização da capacidade instalada, pode levar a maiores valores da relação entre deflator do PIB e IPCA. Com o deflator do PIB acima do IPCA, pode-se chegar mais rapidamente a um ponto de estabilização da relação entre a dívida bruta e o PIB do país.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação

Carta de Conjuntura Nº 35

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Esta seção analisa a dinâmica recente da inflação no Brasil e conclui que a previsão da inflação (medida pelo IPCA) não deve sofrer alterações significativas em relação à última previsão feita em 30 de março pela Carta de Conjuntura nº 34, que era de 3,8%.

A forte queda da inflação corrente e o aumento da credibilidade do Banco Central vêm ancorando as expectativas e reduzindo o componente inercial da variação dos preços. Para o restante do ano, o balanço de riscos para a inflação estará condicionado ao comportamento da taxa de câmbio, que pode sofrer impactos do ambiente de incerteza política. No entanto, mesmo que haja alguma desvalorização cambial, os impactos sobre os preços ao consumidor não seriam imediatos e tenderiam a ser minimizados devido ao grande nível de ociosidade na economia.

 Adicionalmente, o baixo dinamismo do mercado de trabalho deve contribuir para impedir uma aceleração mais forte dos preços livres, em especial dos serviços e dos bens de consumo. Desta forma, ainda que, a partir do terceiro trimestre do ano, haja alguma alta de preços administrados por conta de reajustes de tarifas públicas e uma leve aceleração dos alimentos, estes dois movimentos não serão fortes o suficiente para pressionar significativamente o IPCA.

Acesse o texto completo

 



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação

Carta de Conjuntura Nº 34

Por Maria Andréia Parente Lameiras

A alta de 0,33% no IPCA em fevereiro, beneficiada pela deflação de 0,75% dos alimentos no domicílio, reforça ainda mais trajetória de desaceleração da inflação  iniciada no último trimestre de 2016. Esta melhora no ambiente inflacionário vem sendo possibilitada não só pelo forte recuo de preços dos alimentos, como também pelos efeitos da apreciação cambial e do baixo dinamismo da demanda interna. Adicionalmente, a aprovação do teto das despesas do governo e as propostas de reformas importantes enviadas ao Congresso vêm desencadeando um aumento da confiança dos agentes econômicos, que juntamente com a maior credibilidade do Banco Central, está ancorando as expectativas futuras de inflação, mesmo em um ambiente de redução de taxas de juros.

Para o restante do ano, a expectativa é de continuada desaceleração da inflação, especialmente dos preços livres. No caso dos alimentos, as boas projeções de safra e a baixa probabilidade da ocorrência de fenômenos climáticos devem garantir a manutenção deste comportamento mais favorável. Já os serviços se beneficiarão não apenas do baixo dinamismo do mercado de trabalho, como também da alta menor do salário mínimo em 2017 e da própria desaceleração da inflação em curso, reduzindo o componente inercial na composição dos seus reajustes. Por fim, a lenta retomada da economia brasileira, a provável estabilidade do câmbio e a manutenção dos preços das commodities em níveis próximos aos atuais também contribuem para a composição deste ambiente de maior alívio inflacionário.

Dentro deste contexto, com a incorporação dos próximos resultados do IPCA, cujas variações se manterão bem abaixo das registradas no ano anterior, a curva de inflação em 12 meses recuará ainda mais Nos próximos meses. A partir do último trimestre, entretanto, com o fim deste efeito estatístico, o IPCA apresentará uma leve aceleração, sem ultrapassar, entretanto, o centro da meta de inflação. A previsão específica para este ano está sendo elaborada agora pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) e será divulgada em breve.

 Acesse o texto completo

Acesse os textos completos de todas as seções já divulgadas da Carta de Conjuntura nº 34 no portal do Ipea



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação

Carta de Conjuntura Nº 33

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Após iniciar o ano de 2016 com uma taxa acumulada em 12 meses próxima a 11%, a inflação mostrou sinais moderados de arrefecimento até meados do terceiro trimestre. Com a reversão da forte tendência de alta dos preços dos alimentos, a partir de setembro deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) iniciou uma trajetória de desaceleração mais intensa, de modo que, a variação acumulada em 12 meses já havia caído para 7% em novembro. Na margem, esta desaceleração dos preços ao consumidor voltou a se intensificar. De acordo com os dados do IPCA-15 de dezembro, a inflação brasileira registou alta de 0,19%, recuando praticamente 1,0 p.p. em relação ao observado no mesmo mês de 2015 (1,18%). Assim como vem ocorrendo ao longo do último trimestre, o maior alívio veio do grupo alimentação:  sozinho contribuiu com -0,05 p.p., refletindo a queda da alimentação no domicílio, com deflação de 0,45%.

Para o próximo ano, a expectativa é de continuada desaceleração da inflação, gerando uma convergência mais rápida para algum valor próximo da meta de 4,5% – o que seria possibilitado por uma queda mais expressiva dos preços livres, em especial dos alimentos e dos serviços.

No caso dos alimentos, as boas projeções de safra tanto no país quanto no resto do mundo e a baixa probabilidade da ocorrência de fenômenos climáticos, que poderiam prejudicar a produção agrícola, devem manter os preços das commodities agrícolas bem comportados, dando continuidade à trajetória de queda de preços já em curso desde o último trimestre de 2016.

Em relação aos demais preços livres, o que deverá puxar a desaceleração inflacionária é a lenta retomada prevista para a atividade econômica e seus efeitos sobre o mercado de trabalho. Adicionalmente, a baixa confiança dos consumidores, aliada ao forte endividamento das famílias e ao menor reajuste do salário mínimo, deve manter a demanda doméstica contraída, facilitando o recuo da inflação dos bens e serviços livres mesmo em um ambiente de redução das taxas de juros. Por fim, a recuperação da confiança na atuação do Banco Central, no que tange ao cumprimento da meta de inflação, vem desencadeando um movimento de ancoragem das expectativas e ajudando o processo desinflacionário brasileiro.

Os riscos para a consolidação desse quadro são baixos, porém existentes, e estão, basicamente, conectados ao mercado externo. Pode ocorrer alguma desvalorização cambial decorrente de medidas adotadas pelo novo governo norte-americano, com impacto nos preços comercializáveis. Além disso, o recente acordo entre os produtores de petróleo pode gerar uma alta nos preços domésticos dos combustíveis, cuja regra de reajuste passou a refletir as cotações internacionais.

Acesse o texto completo

Acesse os textos completos de todas as seções já divulgadas da Carta de Conjuntura Nº 33 no portal do Ipea



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------