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Inflação

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O cenário para a inflação dos próximos meses continua benigno, apesar da aceleração nos meses anteriores, indicando que não há focos de pressão que ponham em risco o cumprimento da meta, tanto para 2018 quanto para 2019. Na análise desagregada do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), verifica-se que a alta de 4,56% nos últimos doze meses, até outubro, está associada a pressões pontuais e não a um processo disseminado de alta de preços na economia. Por certo, as maiores contribuições ao IPCA vêm dos preços administrados, que acumulam alta de 9,9% no período, refletindo os reajustes dos preços dos combustíveis – em virtude da desvalorização cambial e da alta da cotação do petróleo – e da energia elétrica, impactada pelo baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas e pelos reajustes elevados das distribuidoras. Em contrapartida, os preços livres permanecem surpreendendo positivamente por meio da continuidade da desaceleração da inflação de serviços e pelo crescimento abaixo do esperado dos preços dos alimentos.

Dentro deste contexto, embora as famílias mais pobres ainda apresentem uma inflação abaixo da observada pelas mais ricas, a combinação de reajustes de energia com a recuperação dos preços de alimentos vem reduzindo, ao longo do ano, o diferencial de taxas entre as diversas classes de renda. No acumulado em doze meses, os dados mostram que, em janeiro de 2018, a inflação das famílias de renda mais baixa registrava alta de 2,1%, situando-se 1,6 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa apontada pela faixa mais alta (3,7%). Em outubro, entretanto, com variações de 3,9% e 4,9%, respectivamente, esta diferença recuou para 1,0 p.p.

Para os próximos meses, a expectativa é de desaceleração da inflação acumulada em doze meses, possibilitada pelo recuo dos preços dos combustíveis e pela desaceleração dos preços da energia (a adoção da bandeira amarela em novembro aliada à possibilidade de estabelecimento da bandeira verde em dezembro) e dos alimentos, propiciando a manutenção da taxa de juros no patamar atual.

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A evolução dos rendimentos médios utilizando deflatores por faixa de renda

Por Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique Leite Corseuil e José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Um indicador muito utilizado para inferir sobre o bem-estar dos trabalhadores é o seu rendimento. Para que a evolução desse indicador reflita a variação do poder de compra do trabalhador, costuma-se deflacionar os dados de rendimento usando índices de preço ao consumidor relacionados a essa variação. O procedimento usual em análises agregadas do mercado de trabalho é usar um único índice para todos os trabalhadores. Implicitamente, pressupõe-se que: i) o padrão de consumo dos trabalhadores está bem representado por uma cesta de bens representativa cuja evolução dos preços é captada pelo índice; e ii) eventuais diferenças nos padrões de consumo não seriam suficientes para alterar sistematicamente a evolução de índices de preço hipotéticos que captassem a heterogeneidade nos padrões de consumo.

No entanto, conforme exposto em Lameiras, Carvalho e Souza Júnior (2017), o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostra que a evolução dos índices de preço pode variar por períodos consideráveis de tempo, quando se leva em consideração padrões distintos de consumo por faixa de renda. Por exemplo, na variação acumulada em doze meses até agosto de 2018, a inflação para as famílias com renda muito baixa alcançou 3,55%, enquanto que para as famílias com renda alta atingiu 4,53% – o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 4,19%. Em uma perspectiva de longo prazo, observa-se que, nos últimos onze anos (de julho de 2006 a outubro de 2017), a inflação dos mais pobres apresenta uma variação de 102%, bastante superior à observada na faixa de renda mais alta, de 86%.

O objetivo desta Nota Técnica é, portanto, averiguar em que medida essas diferenças na trajetória da inflação afetam a evolução dos rendimentos médios, individuais e domiciliares, para as diferentes faixas de renda, utilizando-se de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua desde 2012.

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Inflação por Faixa de Renda – Agosto/2018

Por Maria Andréia P. Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que, em agosto, embora tenha ocorrido uma deflação em todas as classes, a queda da inflação apresentada pelas famílias de renda mais baixa (-0,12%) foi duas vezes maior que a observada na faixa de renda mais alta (-0,06%). Este alívio mais intenso da inflação das famílias mais pobres foi possibilitado, mais uma vez, pela deflação nos preços dos alimentos no domicílio, em especial de itens importantes na cesta de consumo desse segmento, como: tubérculos (-9,7%), carnes (-1,5%), leites e derivados (-1,3%) e aves e ovos (-1,3%). Adicionalmente, a queda no preço do gás de botijão (-1,0%) ajudou a intensificar este processo de deflação. Na outra ponta, a inflação das famílias de renda mais alta também se beneficiou da queda dos preços dos alimentos, porém em menor escala. Apesar do recuo nos preços da gasolina (-1,5%) e das passagens aéreas (-26,1%), a deflação deste segmento de renda foi contrabalançada pela alta das tarifas de gás encanado (1,2%), do plano de saúde (0,8%) e dos cursos diversos (0,5%).

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Inflação por Faixa de Renda – Junho/2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, em junho, o impacto da greve dos caminhoneiros sobre os preços dos alimentos penalizou, sobretudo, a inflação das classes mais pobres da população – veja aqui a análise completa do indicador. Segundo os dados descritos na tabela 1, a inflação das famílias com menor poder aquisitivo apresentou alta de 1,5%, ou seja, mais que o triplo da observada em maio. No caso das famílias mais ricas, nota-se que, embora também aponte aceleração em junho, a inflação desta faixa foi a que registrou menor valor (1,03%).

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Inflação por Faixa de Renda – maio de 2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que, em maio, ao contrário do que vinha ocorrendo no período recente, houve uma maior pressão inflacionária nas classes mais pobres da população brasileira – veja aqui a análise completa do indicador. Segundo a tabela 1, observa-se que, enquanto a inflação das famílias com menor poder aquisitivo registrou alta de 0,41%, a variação dos preços dos bens e serviços consumidos pela parcela mais rica da população foi de 0,38%. Essa taxa de inflação maior para as classes mais baixas, em maio, é explicada pela piora no comportamento dos preços dos alimentos – especialmente, tubérculos, legumes, verduras e derivados de trigo – e da energia elétrica, já que parcela relevante do orçamento dessas famílias é destinada à compra destes itens. A inflação das classes mais elevadas foi pressionada, sobretudo, pela aceleração nos preços dos combustíveis, com grande impacto no grupo transportes (tabela 2).

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Inflação por Faixa de Renda – Abril/2018

Por Maria Andréia Parente Lameiras

 O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda de abril mostra que,  ao contrário dos meses anteriores, as taxas de inflação se mantiveram muito próximas independentemente da classe de renda, refletindo aumentos que impactaram tanto os mais pobres (ônibus urbano, medicamentos) quanto os mais ricos (gasolina, plano de saúde), veja aqui a análise completa dos resultados. Entretanto, no acumulado do ano até abril, enquanto a inflação das famílias com menor poder aquisitivo registrou alta de apenas 0,56%, a variação dos preços dos bens e serviços consumidos pela parcela mais rica da população foi de 1,34%.

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Inflação por Faixa de Renda – fevereiro de 2018

Por Maria Andréia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do IBGE, continua apresentando, em 2018, uma pressão inflacionária menor nas classes mais pobres da população brasileira. De acordo com os dados mais recentes, em fevereiro de 2018, a inflação das famílias com menor poder aquisitivo apontou alta de apenas 0,08%, enquanto a variação dos preços dos bens e serviços consumidos pela parcela mais rica da população foi de 0,66%. Com a incorporação desse resultado, observa-se que, nos dois primeiros meses do ano, a inflação das famílias de renda muito baixa correspondeu a quase um terço da registrada na classe de renda mais alta. Do mesmo modo, nos últimos 12 meses, a inflação dos mais pobres (2,1%) mostrou-se bem inferior à observada nas famílias mais ricas (3,5%).

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Na comparação com fevereiro de 2017, enquanto a inflação em 2018 das famílias das classes mais baixas ficou bem próxima à observada no ano anterior, para o segmento mais rico da população houve um recuo mais expressivo no ritmo de crescimento dos preços. Esta queda mais significativa da inflação dos mais ricos, na comparação interanual, ocorreu porque os reajustes das mensalidades escolares em 2018 (7,0%, na média dos ensinos infantil, fundamental e médio) ficou cerca de 2,0 p.p. abaixo do registrado em 2017.

Leia a análise completa dos resultados

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Inflação por Faixa de Renda – Dezembro/17

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Em dezembro, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do IBGE, manteve a tendência observada ao longo do ano, no qual se verifica uma menor pressão inflacionária nas classes mais pobres da população brasileira. Segundo os dados da tabela 1, em dezembro, enquanto a inflação das famílias com menor poder aquisitivo apontou alta de 0,33%, a taxa de crescimento dos preços dos bens e serviços consumidos pela parcela mais rica da população foi de 0,45%. A partir desse resultado, observa-se que, embora a desaceleração da inflação em 2017 tenha ocorrido de modo generalizado entre todas as classes de renda, ela foi bem mais intensa nas camadas mais pobres. Por certo, após registrar alta superior a 7,0% em 2016, a inflação das famílias de renda muito baixa recuou 4,8 p.p., atingindo variação de 2,2% em 2017. Já as famílias de renda alta apresentaram queda um pouco menos expressiva (2,5 p.p.), passando de 6,2% para 3,7% entre 2016 e 2017.

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Inflação por Faixa de Renda – Novembro/17

Por Maria Andréia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda de novembro de 2017, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do IBGE, mostra que as classes mais pobres foram as que apresentaram as menores taxas de inflação. De acordo com a Tabela 1, verifica-se que a inflação da população de renda muito baixa registrou alta de 0,07% – recuando 0,41 p.p. na comparação com o mês imediatamente anterior. A taxa de crescimento dos preços das famílias de renda alta, por sua vez, apontou variação de 0,34% – 0,04 p.p. abaixo da observada em outubro, mas 0,27 p.p. e 0,23 p.p. acima da inflação das famílias de renda muito baixa e de renda baixa, respectivamente. Com a incorporação desses resultados, a inflação dos mais pobres acumula no ano uma alta de 1,8%, bem inferior à registrada pela classe de renda mais alta, com elevação de 3,2%.

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Inflação

Carta de Conjuntura Nº 37

Por Maria Andréia Parente Lameiras

A seção de inflação desta Carta de Conjuntura mostra que, após apresentar uma trajetória de forte recuo ao longo do ano, a inflação brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), voltou a acelerar no último bimestre, mantendo-se, entretanto, em patamares bem confortáreis. Essa mudança recente na dinâmica inflacionária não surpreende e reflete a ação de alguns movimentos já esperados, como a contribuição menos favorável da deflação de alimentos e o aumento de alguns preços administrados. Esse comportamento mais recente dos preços dos alimentos teve impactos distintos para as diferentes classes sociais. Os indicadores Ipea de inflação por faixa de renda mostram que, após vários meses apresentando as menores variações dentre todas as categorias, as taxas de inflação das classes mais baixas foram as que registram as maiores altas em outubro – embora as diferenças no mês tenham sido pequenas. Se por um lado, a queda menos acentuada dos alimentos limitou às pressões baixistas sobre a inflação dos mais pobres, por outro lado, os reajustes em itens de maior peso na cesta de consumo destas famílias, como energia elétrica e gás de cozinha, acabaram gerando fatores de pressão adicional no último mês.

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