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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura nº 33

 Por Sandro Sacchet de Carvalho e José Ronaldo de C. Souza Jr.

As condições do mercado de trabalho permaneceram em uma trajetória de deterioração no terceiro trimestre de 2016. A taxa de desemprego alcançou 11,8%, 2,9 pontos percentuais acima do observado no mesmo período do ano anterior. O setor populacional mais atingido pelo desemprego são os jovens entre 14 e 24 anos, cuja taxa de desemprego atingiu 27,7%, e os trabalhadores com ensino médio incompleto (21,4%). Entre o 3º trimestre de 2016 e o mesmo período de 2016, o desemprego subiu 6,8 p.p. entre os jovens, enquanto entre os adultos até 59 anos a queda foi de 2,9 p.p.. Subiu 5,2 p.p. entre aqueles com ensino médio incompleto e 1,6 p.p. para trabalhadores com ensino superior.

Até meados de 2016, o aumento do desemprego, apesar de ter sido substancial, foi atenuado devido ao fato de muitas pessoas que perderam emprego terem se tornado trabalhadores por conta-própria. A análise de transições no mercado de trabalho feita nesta seção revela, contudo, que essa tendência se reverteu no terceiro trimestre de 2016, quando se observou uma queda dos ocupados por conta-própria. Esse movimento foi acompanhado de uma queda na taxa de atividade, reforçando que, desde o último trimestre de 2015, o aumento do desemprego foi causado majoritariamente pela queda da população ocupada (PO), tendo sido reduzida a contribuição do aumento da população economicamente ativa (PEA). Cabe notar que se a taxa de participação tivesse se mantido no mesmo nível de um ano antes, a taxa de desemprego seria de 12,4% no terceiro trimestre deste ano.

Já o rendimento real médio, não apresentou um desempenho tão ruim quanto a ocupação, registrou um ligeiro aumento de 0,9%, comparando com o trimestre anterior. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, entretanto, o rendimento real apresentou queda de 2,1% neste terceiro trimestre. A PNADC mostra que a redução nos salários reais foi pior em setores como Alojamento e Alimentação (-7,7%) e Outros Serviços (-4,3%). Subdividindo os trabalhadores em 10 faixas (decis) de renda, observa-se que o rendimento médio do grupo que se encontra na faixa mais baixa de renda apresentou uma expressiva recuperação, tanto na comparação interanual (crescimento de 17,6%), como na comparação do terceiro trimestre com o segundo (crescimento de 19,8%).

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Metodologia para a construção de séries longas de mercado de trabalho

Carta de Conjuntura nº 32

 Por Sandro Sacchet de Carvalho

Em 2012, o IBGE deu início à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), que substituiu a Pesquisa Mensal de Emprego, extinta em fevereiro de 2016, como fonte da produção de indicadores de curto prazo sobre o mercado de trabalho. A nova pesquisa traz uma série de vantagens, como a maior cobertura geográfica, mas gera uma dificuldade para a comparação intertemporal dos dados de emprego e renda.

Os indicadores reportados pelas duas pesquisas mostraram-se substancialmente diferentes, mesmo se restringindo a PNADC apenas às seis regiões metropolitanas cobertas pela PME. Para tratar desse tema e explicitar ao leitor regular da Carta de Conjuntura o impacto que a substituição da PME pela PNADC terá na análise conjuntural do mercado de trabalho, são apresentadas aqui as seguintes notas técnicas:

Nota Técnica 1: As diferenças entre a PME e a PNADC como fonte de indicadores de curto prazo sobre trabalho e rendimento

O objetivo é aprofundar a comparação entre as duas pesquisas para tentar compreender o que explica as divergências entre seus resultados. Tal propósito se justifica por duas razões. Primeiro, explicitar o impacto que a substituição da PME pela PNADC terá na análise conjuntural do mercado de trabalho. Segundo, mesmo que se concorde que as duas pesquisas não são comparáveis, uma série longa das principais variáveis do mercado de trabalho são indispensáveis para a aplicação em modelos macroeconométricos. Com isso, alguma compatibilização entre as duas fontes de dados torna-se incontornável para muitos pesquisadores, de modo que a comparação realizada aqui auxiliará na decisão sobre como melhor proceder com essa compatibilização.

Nota Técnica 2: Construção de séries longas de alta frequência de indicadores do mercado de trabalho com a PME e a PNADC

Propõe uma metodologia de construção de séries temporais longas de alta frequência de indicadores do mercado de trabalho, com destaque para a taxa de desemprego e a taxa de atividade, para o período de 1992 a 2014. São propostas séries que atendem a dois critérios básicos, a saber, a cada período do tempo o nível da série esteja o mais próximo possível do valor correto (valor populacional em nível nacional), e que as informações dos ciclos econômicos e das variações de curto prazo do período de setembro de 1992 a 2012 (início da série da PNADC) sejam preservadas da melhor forma possível.

Uma terceira Nota Técnica, que está sendo elaborada pelo Grupo de Estudos de Conjuntura (Gecon) do Ipea e será divulgada em breve, mostrará séries de indicadores de mercado de trabalho, também com início em 1992, mas que sejam encadeadas com a PNADC. O objetivo é ter séries longas que possam ser atualizadas diretamente com os dados que são periodicamente divulgados pela pesquisa do IBGE.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura nº 32

 Por Sandro Sacchet de Carvalho

No segundo trimestre de 2016, as condições do mercado de trabalho permaneceram em ritmo acelerado de deterioração. A análise desagregada desse mercado, por meio dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), mostra que as maiores perdas (em pontos percentuais) acumuladas desde o início de 2015 foram justamente dos grupos que tendem a ter desemprego mais elevado (com destaque para os jovens de 14 a 24 anos). Entretanto a maior taxa de variação ficou com o grupo populacional que tem o menor nível de desemprego (pessoas com mais de 59 anos), cujo aumento foi de 132% na comparação entre o segundo trimestre deste ano com o último de 2014 (último período antes da piora no mercado de trabalho). Quando se analisa o que ocorreu apenas neste ano, a taxa de variação do desemprego também foi maior para as pessoas com mais de 59 anos, que apresentou uma alta 44% na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano – a taxa de desemprego desse grupo de idade passou de 3,29% no primeiro trimestre para 4,75% no segundo trimestre.

Desde o último trimestre de 2015, os dados da PNADC indicam que o aumento do desemprego foi causado majoritariamente pela queda da população ocupada, tendo sido reduzida a contribuição do aumento da população economicamente ativa (PEA). Por outro lado, o aumento do desemprego não tem sido ainda mais intenso porque muitos trabalhadores têm tomado a iniciativa de se tornarem trabalhadores por conta própria. A queda do número de trabalhadores formais (e também de empregados sem carteira) está sendo mais forte que a de ocupados, tendência que continuou sendo observada no segundo trimestre deste ano. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), entre abril e junho de 2016 foram encerradas mais de 226 mil vagas formais, além de outras 94 mil no mês de julho.

Na comparação com o trimestre anterior, o rendimento real médio não apresentou um desempenho tão ruim quanto à ocupação, apresentando uma queda de 1,5%. Entretanto, na comparação com o ano anterior, o rendimento real chegou a apresentar queda de mais de 4% neste segundo trimestre. A PNADC mostra que a redução nos salários reais foi pior em setores que exigem menor qualificação, visto que nenhuma ocupação que exige apenas ensino fundamental mostrou sustentação na renda, resultado corroborado pelo fato de que a queda dos rendimentos foi mais forte entre aqueles que recebem menos que o salário mínimo. Os rendimentos reais para quem recebe menos que o salário mínimo caíram cerca de 9% nos últimos 12 meses. Já o rendimento real do decil superior da distribuição de renda subiu 2,4% no último ano. Além desse grupo, apenas o trabalhador que ganha exatamente o salário mínimo não apresentou perda real de rendimento. A queda generalizada nos rendimentos, somada à queda na ocupação. fizeram com que no trimestre entre maio e julho de 2016, a massa salarial se situasse em 175 bilhões de reais (em R$ de junho de 2016), mesmo patamar que se encontrava há três anos.

Devido ao cenário macroeconômico atual, é provável que se observe a manutenção da queda do nível de ocupação, visto que esta tem sido causada principalmente pelo menor número de admissões, e estas ainda não apresentaram sinais de recuperação. Se isso resultará em aceleração da taxa de desemprego, dependerá muito do comportamento da PEA. Se ela voltar a crescer como no primeiro semestre de 2015, o desemprego poderá subir no mesmo ritmo acelerado apresentado neste trimestre.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura nº 31

 Por Sandro Sacchet de Carvalho

No primeiro trimestre de 2016, as condições do mercado de trabalho permaneceram em ritmo acelerado de deterioração. A taxa de desemprego alcançou 11,2%, 3,2 pontos percentuais acima do observado no mesmo período do ano anterior. O setor populacional mais atingido pelo desemprego foram os jovens entre 14 e 24 anos tanto em termos absolutos como em termos relativos.

Desde o último trimestre de 2015, os dados da PNADC indicam que o aumento do desemprego foi causado majoritariamente pela queda da população ocupada, tendo sido reduzida a contribuição do aumento da população economicamente ativa (PEA). Por outro lado, o aumento do desemprego não tem sido ainda mais intenso, pois muitos trabalhadores têm tomado a iniciativa de se tornarem trabalhadores por conta-própria. A queda do número de trabalhadores formais (e também de empregados sem carteira) está sendo mais forte que a de ocupados, situação que se agravou no primeiro trimestre deste ano. De acordo com o CAGED, entre janeiro e março de 2016 foram encerradas mais de 320 mil vagas formais, contra cerca de 65 mil no mesmo período do ano passado.

Na comparação com o trimestre anterior, o rendimento real médio não apresentou um desempenho tão ruim quanto à ocupação, mantendo-se em patamar semelhante. Entretanto, na comparação com o ano anterior, o rendimento real já apresenta queda de mais de 3%. A PNADC mostra que a redução nos salários reais foi pior em setores que exigem menor qualificação, resultado corroborado pelo fato de que a queda dos rendimentos foi mais forte entre aqueles que recebem menos que o salário mínimo. Os rendimentos reais para quem recebe menos que o mínimo caíram cerca de 10% nos últimos 12 meses. Já o rendimento real do decil superior da distribuição de renda caiu 6,7% no último ano. Apenas o trabalhador que ganha exatamente o salário mínimo não apresentou perda real de rendimento. A queda generalizada nos rendimentos, somadas a queda na ocupação fizeram com que no trimestre entre fevereiro e abril de 2016, a massa salarial se situa-se em 173 bilhões de reais (em R$ de  março de 2016), mesmo patamar que se encontrava há três anos.

Devido ao cenário macroeconômico atual, é provável que se observe a manutenção da queda do nível de ocupação, visto que esta tem sido causada principalmente pelo menor número de admissões. Se isso resultará em aceleração da taxa de desemprego, dependerá muito do comportamento da PEA. Se ela voltar a crescer como no primeiro semestre de 2015, o desemprego subirá no mesmo ritmo acelerado apresentado neste trimestre.

 Desemprego dos jovens

Tendo em vista que o grupo dos jovens foi o mais afetado pelo aumento do desemprego, seu comportamento será analisado com mais detalhe. A taxa de desemprego entre os mais jovens (até 25 anos) aumentou quase 10 pontos percentuais em dois anos, de 16,8% no primeiro trimestre de 2014 para 26,36% no mesmo período deste ano. O gráfico 3 mostra como se divide a população entre 14 e 24 anos entre ocupados, desocupados, aqueles que só estudam e os chamados “nem-nem”, ou seja, aqueles que nem estudam nem participam da força de trabalho. A proporção de jovens ocupados vem caindo desde 2013 de acordo com a PNADC. Após atingir um pico de 44% no terceiro trimestre de 2012, os jovens ocupados eram apenas 37% no primeiro trimestre de 2016. No entanto, até 2015, essa queda na ocupação era refletida muito mais no aumento daqueles que apenas estudavam do que em qualquer elevação de desempregados. Os jovens que somente estudavam subiram de 35% em 2012 até 38,2% no último trimestre de 2014, e, desde o início da crise, recuaram novamente até 36,3% no início de 2016. Por outro lado, a proporção de jovens desocupados oscilava em torno de 8% até 2015, tendo subido aceleradamente desde então, alcançando 13,2% em 2016. Enquanto isso, a parcela de jovens nem-nem não mostrou qualquer tendência, tendo oscilado em torno de 13% durante todo o período.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura Nº 30

Por Sandro Sacchet de Carvalho

As condições do mercado de trabalho apresentaram uma deterioração no último trimestre de 2015. Houve uma contínua queda do nível de ocupação e diminuição do salário médio real. Apesar disso, os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) revelam uma estabilidade da taxa de desemprego nos últimos meses, mas, tal fato deve-se ao comportamento da PEA. No caso da PME, a redução da população economicamente ativa (PEA) reduziu a taxa de atividade a patamares próximos dos mínimos históricos.

A piora das condições do mercado de trabalho foi mais acentuada nas regiões metropolitanas do que no país todo como sugere a comparação dos dados da PME com a PNADC. De qualquer forma, em ambas as pesquisas, a queda da população ocupada veio por meio da diminuição do número de empregados (tanto formal quanto informal), tendo o trabalhador procurado alternativas na ocupação por conta-própria. Por exemplo, dados do CAGED apontam que em 2015 foram fechados mais de 1,5 milhão de postos de trabalho formais. E a queda da ocupação formal deveu-se a uma diminuição da quantidade de admissões, tendo o nível de desligamentos se mantido constante.  No caso da ocupação informal ocorreu o inverso.

A deterioração do salário real apresentou-se muito intensa na PME tendo atingido um aqueda anual de 8% nos últimos meses. Na PNADC, as últimas observações indicam um aqueda anual de 2%, o que, entretanto, representa uma aceleração da queda dos rendimentos.

Com a continuidade da recessão e da atual crise, é provável que se observe a manutenção da aqueda do nível de ocupação. Se isso resultará em aceleração da taxa de desemprego dependerá muito do comportamento da PEA. Se ela se mantiver em níveis deprimidos, aumentando o nível de desalento com o prolongamento da crise, o ritmo de crescimento do desemprego deverá ser menor que o observado em 2015. Se a PEA voltar a crescer, o desemprego subirá no mesmo ritmo acelerado do ano anterior.

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