Indicador Ipea de Hiato do Produto

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Como destacado na Visão Geral da Conjuntura, o hiato do produto (ver Nota Técnica que descreve a metodologia utilizada) autilizado até o segundo trimestre de 2018 indica que o PIB encotr-se 3,7% abaixo de seu potencial.

As previsões de produto potencial feitas com base no cenário delineado na Visão Geral da Conjuntura para 2018 e 2019 mostram que, mesmo com a aceleração do crescimento, o PIB ainda chegaria ao final de 2018 abaixo de seu potencial e terminaria 2019 com um hiato aproximando-se de zero. É importante ressaltar, no entanto, que essas previsões de hiato apresentam um grau elevado de incerteza, pois pode acumular erros de previsão de duas variáveis (PIB e Produto Potencial).
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Mercado de trabalho

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique L. Corseuil  e Lauro R. A. Ramos

No último trimestre, o mercado de trabalho manteve uma trajetória de lenta recuperação, refletindo o baixo dinamismo da economia brasileira. Nota-se ainda que, embora apresente um recuo da taxa de desemprego e uma aceleração de rendimentos reais, o cenário de emprego no país vem se deteriorando em alguns aspectos. De forma geral, a queda da desocupação não ocorreu por conta da expansão da população ocupada (PO), e sim devido à retração da força de trabalho. Pelo corte etário, percebe-se que o maior recuo do desemprego aconteceu no conjunto dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos, cuja taxa caiu de 27,3% (segundo trimestre de 2017) para 26,6% (segundo trimestre de 2018) – de acordo com os microdados extraídos da PNAD Contínua do IBGE. Entretanto, nesse mesmo período, o contingente de jovens ocupados recuou 0,8%, enquanto a população economicamente ativa (PEA) caiu 1,6%. Na abertura por escolaridade, os dados do segundo trimestre de 2018 mostram que, na comparação interanual, as maiores retrações do desemprego ocorreram nos grupos de trabalhadores com o ensino fundamental incompleto e completo, justamente os que apresentaram recuo da ocupação (-3,0% e 2,9%, respectivamente), ainda que em ritmo inferior ao observado na PEA (-3,6% e -4,4%).

Esta seção analisa detalhadamente os dados de mercado de trabalho, com destaque para a análise detalhada do desalento e da relação entre a informalidade e a estrutura setorial da ocupação.

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Restrições Financeiras e o PIB Per Capita no Brasil

Por Napoleão Silva

As restrições financeiras sobre as firmas brasileiras são muito elevadas em relação às economias avançadas. No Brasil, 59% das firmas têm acesso a um empréstimo bancário ou a uma linha de crédito. Nos países desenvolvidos, o percentual médio é de 95%. Os requerimentos de colaterais para empréstimos são bem maiores no Brasil (95% do valor do empréstimo) quando comparados à média dos países desenvolvidos (50% do valor do empréstimo). O spread da taxa de juros no Brasil é muito elevado em relação à média dos países desenvolvidos (12% no Brasil e 3% nos países desenvolvidos). Neste contexto, o objetivo deste trabalho é avaliar o impacto de reduções em três diferentes restrições financeiras sobre o produto interno bruto (PIB) per capita no Brasil. Em termos mais específicos, nossa meta principal é avaliar qual das três fricções financeiras (custo de participação no mercado de crédito, limite de endividamento ou custo de monitoramento) é a mais importante para afetar o PIB per capita no Brasil.

Neste texto, realizamos três exercícios. No primeiro deles, a redução do custo de participação no mercado de crédito (que eleva o acesso financeiro para o nível dos países desenvolvidos) gera um aumento no PIB per capita de 3,6%. No segundo exercício, a redução do custo de monitoramento (que eleva a eficiência do sistema para o nível dos países desenvolvidos) gera uma elevação no PIB per capita de 1,7%. Por último, no terceiro exercício, avaliamos um relaxamento nas restrições de endividamento que seria obtido se os colaterais como proporção dos empréstimos no Brasil fossem iguais à média dos países desenvolvidos. Os resultados mostram que a redução dos colaterais no Brasil elevaria o PIB per capita em 12%. Neste contexto, a restrição financeira com maior impacto sobre o PIB per capita, no caso brasileiro, é o limite de endividamento. Neste sentido, políticas voltadas para a redução das restrições de endividamento terão um impacto maior sobre o PIB do que políticas que visem reduzir o spread ou elevar a participação no mercado de crédito.



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Demanda interna por bens industriais recua 0,6% em julho

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações – registrou queda de 0,6% na comparação entre julho e junho de 2018, na série com ajuste sazonal. Com isso, o trimestre encerrado em julho teve uma retração de 0,3% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações caiu 1,9% na margem, as importações de bens industriais cresceram 6,1%.

tabela consumo versus produção

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 6,6%, resultado que sucedeu o avanço de 7,5% no mês anterior. O resultado de julho superou a alta da produção industrial (4%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do IBGE. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (5,7%) que o apresentado pela produção industrial (3,2%).

Demanda versus produção

A queda registrada em julho foi bastante disseminada entre as grandes categorias econômicas, como mostra o texto completo que analisa o indicador.

Acesse aqui a planilha completa com a série histórica até julho de 2018

 



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Setor Externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

Os indicadores Ipea de taxa efetiva real de câmbio (TERC) seguiram o movimento de desvalorização da taxa de câmbio nominal real/dólar, que se desvalorizou em mais de 20% no ano. As TERCs ponderadas pelas exportações, no período de julho de 2017 a julho de 2018, apresentam uma grande diferença de acordo com as categorias de produtos. Para o total das exportações, utilizando-se os índices de preços ao consumidor, a desvalorização foi de 18,2%, quase a mesma observada para os manufaturados. No entanto, no caso dos básicos, a desvalorização foi de apenas 7,7%, e de 9,4% no caso dos semimanufaturados. No mesmo período, taxas ponderadas pelas importações com base no Índice de Preços por Atacado (IPA) sofreram desvalorização de 10%, ao passo que se usando como deflator o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), essa desvalorização é de 17,5%.

O saldo da balança comercial atingiu US$ 37,8 bilhões no acumulado do ano em agosto, abaixo dos US$ 48,1 bilhões alcançados no mesmo período de 2017. O superavit comercial, medido pelas médias diárias dessazonalizadas, vem caindo sistematicamente desde maio deste ano, na medida em que as importações crescem mais do que as exportações. Boa parte dessa queda (US$ 7,3 bilhões), no entanto, deve-se à nova forma de contabilização de plataformas de petróleo, iniciada neste ano em função de mudanças na legislação tributária.

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Política Fiscal

Por Paulo Mansur Levy

Apesar da melhora em relação a igual período do ano passado, os resultados fiscais até julho deste ano continuam mostrando um desequilíbrio ainda elevado nas contas públicas, o qual mantém a dívida pública numa trajetória crescente e insustentável no médio prazo. Mostram, também, o esforço de reduzir gastos de modo a respeitar os limites impostos pela Emenda Constitucional (EC) no 95/2016, que restringe o crescimento dos gastos primários à inflação do ano anterior, assim como aqueles associados à meta de resultado primário para o ano, definida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017. Diante da pressão autônoma de crescimento dos gastos obrigatórios, notadamente benefícios previdenciários e pessoal e encargos, nos sete primeiros meses do ano houve redução principalmente em subsídios e subvenções. Ao contrário do que ocorreu em 2017, neste ano os gastos discricionários estão crescendo. Apesar desse crescimento, surpresas positivas pelo lado das receitas – algumas de caráter não recorrente –, têm garantido um resultado primário bem menor que nos primeiros sete meses de 2017. A preparação do orçamento de 2019 – cujo projeto de lei acaba de ser enviado ao Congresso – ressalta, no mesmo sentido, a escassa margem de manobra para acomodar a pressão derivada do crescimento dos gastos obrigatórios. No caso do cumprimento da regra de ouro no ano que vem, parte dos gastos obrigatórios foi incluída sob a forma de créditos suplementares.

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Inflação por Faixa de Renda – Agosto/2018

Por Maria Andréia P. Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que, em agosto, embora tenha ocorrido uma deflação em todas as classes, a queda da inflação apresentada pelas famílias de renda mais baixa (-0,12%) foi duas vezes maior que a observada na faixa de renda mais alta (-0,06%). Este alívio mais intenso da inflação das famílias mais pobres foi possibilitado, mais uma vez, pela deflação nos preços dos alimentos no domicílio, em especial de itens importantes na cesta de consumo desse segmento, como: tubérculos (-9,7%), carnes (-1,5%), leites e derivados (-1,3%) e aves e ovos (-1,3%). Adicionalmente, a queda no preço do gás de botijão (-1,0%) ajudou a intensificar este processo de deflação. Na outra ponta, a inflação das famílias de renda mais alta também se beneficiou da queda dos preços dos alimentos, porém em menor escala. Apesar do recuo nos preços da gasolina (-1,5%) e das passagens aéreas (-26,1%), a deflação deste segmento de renda foi contrabalançada pela alta das tarifas de gás encanado (1,2%), do plano de saúde (0,8%) e dos cursos diversos (0,5%).

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Acesse aqui a planilha com a série completa das taxas mensais de inflação por faixa de renda



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Crédito e Juros

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

No primeiro semestre de 2018, o saldo total de crédito no Sistema Financeiro Brasileiro  caracterizou-se pela estabilidade, tanto em termos reais quanto em porcentagem do PIB. Essa estabilidade ocorreu no crédito para pessoas físicas (PF) e pessoas jurídicas (PJ), e para livre (CL) e direcionado (CD). No crescimento em comparação com os mesmos meses do ano passado, os recursos direcionados para PJ destoam das demais categorias, apresentando fortes quedas, enquanto as outras mostram pequeno crescimento. Nas novas concessões, a tônica foi também a estabilidade nas grandes categorias, com os valores de julho semelhantes aos de dezembro passado, sem muitas oscilações no intervalo.

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Indicador Ipea Mensal de FBCF – julho de 2018

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos iniciam terceiro trimestre com recuo de 1% em julho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta queda de 1% em julho em relação a junho de 2018, na série com ajuste sazonal. Este resultado sucedeu avanço de 9,3% verificado no mês anterior. Com isso, comparando o trimestre terminado em julho e o terminado em abril, os investimentos caíram 4,2%. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador registrou variação positiva, atingindo patamar 4% superior ao verificado em julho de 2017. Por fim, o crescimento no resultado acumulado em doze meses ficou em 3,2%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações e acrescida das importações – apresentou queda de 7,6% em julho. Entre os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital líquida de exportações recuou 2%, a importação de bens de capital caiu 12,1% na margem.

O indicador de construção civil, por sua vez, cresceu pelo segundo mês seguido na série dessazonalizada, registrando alta de 1,7%. Apesar disso, o trimestre terminado em julho recuou 3,7% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou queda de 0,4% na passagem de junho para julho.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o bom desempenho foi generalizado. Após a forte elevação de 18,6% em junho, o ritmo de crescimento do Came desacelerou, caindo para 9,9% em julho. Já a construção civil registrou alta de 2,3% na comparação interanual, interrompendo dois períodos consecutivos de queda.

Tabela - Indicador Ipea FBCF jul1

Acesse aqui a planilha com o Índice Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação – Julho de 2018

Por Marco Antônio F. de H. Cavalcanti e Leonardo S. Vasconcelos

O Indicador Ipea de Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) do mês de julho apresentou variação de 0,04% e ficou 0,63 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,67% registrada em junho. Esse foi o menor nível para um mês de julho desde o início da série histórica em 2013.

Na ótica dos últimos doze meses, o ICTI apresentou um acumulado de 4,45%. Comparativamente, ele se situa próximo ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e abaixo dos índices da Fundação Getulio Vargas (FGV), enquanto, no acumulado do ano, o indicador apresenta o menor aumento entre os índices analisados, como mostra a tabela 1.

Tabela1_julho2018Entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, energia elétrica continuou apresentando a maior variação no acumulado de doze meses até julho de 2018, com incremento de 18,02%. Material de consumo e depreciação e amortização tiveram variação próxima a zero e o grupo de demais despesas operacionais manteve a trajetória de aceleração, fechando em 8,26%. Os outros grupos vieram com altas variando entre 0,38% e 4,78%, conforme pode ser observado na tabela 2. O maior impacto no ICTI ocorreu pelo grupo pessoal, que foi responsável por 2,30 p.p.

Tabela2_julho2018

Acesse aqui a planilha com a série completa do ICTI



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