Visão Geral da Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos e Leonardo Mello de Carvalho

Esta seção faz uma síntese da conjuntura econômica brasileira e apresenta previsões macroeconômicas para 2019 e 2020.

Em relação às previsões, os dados mais recentes de atividade, divulgados entre junho e setembro de 2019, apontam para uma variação dessazonalizada de 0,2% no terceiro trimestre, menor do que a variação de 0,4% observada no trimestre anterior. Com relação à revisão das previsões anuais, a taxa de crescimento do PIB esperada para 2019 foi mantida em 0,8%, mesma previsão na Carta de Conjuntura nº 43. Espera-se, por um lado, efeitos positivos advindos principalmente da política de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, em menor grau, do ciclo de redução dos juros. Por outro lado, os efeitos negativos do cenário externo mais desafiador reforçam as evidências de uma recuperação em ritmo ainda lento. Para 2020, a previsão é de aceleração do crescimento, para 2,1%. Projetamos um ritmo mais acelerado de redução de taxa de juros, de forma que a taxa de juros real ex-post deve ficar estável em cerca de 1% ao ano (a.a.) no ano que vem. Tal interpretação está em linha com as últimas comunicações do Banco Central do Brasil (BCB), que indicam a continuidade do ciclo de redução de juros.

Essa flexibilização da política monetária é compatível com o significativo grau de ociosidade da economia brasileira. O Indicador Ipea de Hiato do Produto está estimado em 3,0% atualmente e, caso nosso cenário macroeconômico se concretize, ele deve fechar 2020 em 2,0%. Temos, portanto, as duas condições mais fundamentais para a validação do ciclo de redução de taxa de juros: inflação esperada inferior à meta e hiato do produto negativo. Nesse contexto, é importante ressaltar que a redução na meta de inflação nos próximos anos reduz a folga na inflação esperada, o que explicaria uma eventual reversão no atual ciclo de expansão monetária no fim de 2020.

Tabela 2

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Atividade econômica: Indicadores mensais

Por Leonardo Mello de Carvalho

A análise dos indicadores de atividade no início do terceiro trimestre sugere um cenário de acomodação, depois da aceleração observada no trimestre anterior. Segundo o Indicador Ipea mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), os investimentos cresceram 1% na passagem entre os meses de junho e julho, novamente impulsionados pelo segmento de máquinas e equipamentos e pela construção civil. Já o setor manufatureiro voltou a perder fôlego. Após recuo em julho, a Dimac/Ipea estima um desempenho estável para a indústria de transformação em agosto, com crescimento nulo na margem. As previsões para as vendas no comércio e o volume de serviços, por sua vez, são de quedas de 0,9% e 0,3% ante o mês de julho, respectivamente. Com isso, o produto interno bruto (PIB) mensal, pela metodologia do Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV), registraria queda de 0,6% em agosto na margem.

Grafico 2

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Mercado de Trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique L. Corseuil, Lauro Roberto Albrecht Ramos e Sandro Sacchet de Carvalho

A melhora do mercado de trabalho proporcionou, no segundo trimestre do ano, especialmente para a população mais jovem, cuja desocupação recuou 0,8 ponto percentual (p.p.), resultado de uma alta de 1,7% da ocupação dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos. Deve-ressaltar, ainda, que os efeitos da melhora da ocupação sobre o recuo da taxa de desemprego só não são mais significativos por conta do crescimento mais elevado da força de trabalho. Por certo, de janeiro a julho de 2019, a população economicamente ativa (PEA) aponta uma variação interanual de 1,8%, bem acima da observada no mesmo período do ano anterior (0,8%). Logo, se a força de trabalho apresentasse, em 2019, uma dinâmica similar à observada em 2018, a taxa de desocupação no último trimestre móvel, encerrado em julho, seria de 10,9%, ou seja, quase 1,0 p.p. abaixo da registrada.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – julho de 2019 Demanda interna por bens industriais avançou 2,6% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna não exportada acrescida das importações – registrou alta de 2,6% na comparação entre os meses de julho e junho, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu um recuo de 0,2% no período anterior, o trimestre móvel terminado em julho encerrou com crescimento de 1,8% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações cresceu 1,1% na margem em julho, as importações de bens industriais registraram alta de 8,9%.

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais avançou 1,2% contra julho do ano passado. O resultado superou o desempenho apresentado pela produção industrial (queda de 2,5%), mensurada pela PIM-PF do IBGE. Com isso, o trimestre móvel mostrou crescimento de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou variação negativa (-1,1%), com desempenho próximo ao exibido pela produção industrial (-1,3%).

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A análise dos resultados por grandes categorias econômicas, por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador.

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Inflação por faixa de renda – agosto/2019 Em agosto, inflação dos mais pobres foi de 0,12%, contra 0,08% das famílias de maior poder aquisitivo

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Em agosto, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda apontou desaceleração no ritmo de crescimento dos preços em todas as classes pesquisadas, refletindo um quadro deflacionário ainda mais intenso dos alimentos e transportes. Observa-se, no entanto, que, na desagregação por classes de renda, a inflação das famílias mais pobres (0,12%) registrou alta maior que a das faixas de renda mais alta (0,08%), influenciada, sobretudo, pelo aumento do grupo habitação. De fato, a análise da inflação dos mais pobres mostra que, se por um lado, a queda nos preços dos tubérculos (-10,7%), das verduras (-6,5%), das carnes (-0,75%) e dos leites e derivados (-0,30%) constituíram-se nos principais pontos de alívio do grupo alimentação, por outro, as altas de itens de grande peso na cesta de consumo desse segmento, como energia elétrica (3,85%), aluguel (0,63%) e taxa de água e esgoto (1,34%), geraram um forte impacto sobre o grupo habitação (tabela 2). Em contrapartida, embora o efeito da queda dos preços dos alimentos tenha sido menor na inflação das faixas de renda mais alta, não só o reajuste das tarifas de energia pesou menos no orçamento dessa classe, mas também a deflação de 15,7% das passagens aéreas possibilitou uma contribuição ainda mais favorável do grupo transportes, implicando um alívio adicional sobre a inflação dessas famílias.

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Veja a análise completa do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda de ago./2019

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – julho de 2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,41% no mês de julho, 0,15 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada em junho. Esse foi o terceiro maior nível para um mês de julho desde o início da série histórica em 2013.

No acumulado em doze meses, o ICTI apresentou alta de 5,03%, ficando abaixo dos índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) – e acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como mostra a tabela 1.

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Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, os maiores impactos ao índice vieram dos segmentos pessoal e demais despesas operacionais, cuja contribuição conjunta de 4,56 p.p. respondeu por 91% da variação total apontada pelo indicador.

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Indicador Ipea de FBCF – julho de 2019 Investimentos iniciam terceiro trimestre de 2019 com avanço de 1% em julho

Por Leonardo Melo de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta alta de 1% em julho em relação a junho de 2019, na série com ajuste sazonal, deixando um carregamento estatístico de 1,8% para o terceiro trimestre de 2019. Com esse resultado, o trimestre móvel terminado em julho registrou alta de 3,1%, também na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a FBCF atingiu patamar 0,4% superior ao verificado em julho de 2018. No acumulado em doze meses, os investimentos desaceleraram, com a taxa de crescimento passando de 4,3% para 3,1%.

Na comparação com ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações acrescida das importações – apresentou alta de 1,2% em julho. Com esse resultado, o trimestre móvel encerrado em julho registrou crescimento de 6,6%. Em julho, enquanto o componente nacional de máquinas e equipamentos avançou 1,9%, a importação cresceu 5,4% no mesmo período. No acumulado em doze meses, o resultado aponta expansão de 6,7% para o segmento.

O indicador de construção civil, por sua vez, avançou 1,1% em julho, resultado que sucedeu alta de 0,6% no período anterior, na série dessazonalizada. Com isso, o trimestre móvel avançou 2,5% ante o período imediatamente anterior. No acumulado em doze meses, o setor segue com fraco desempenho, registrando queda de 1,2%. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou alta de 1% na passagem de junho para julho, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 1,4%.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho mensal foi heterogêneo. Enquanto a construção civil registrou variação positiva de 2,4%, o segmento máquinas e equipamentos registrou queda de 2,9% em julho. Parte desse resultado é explicado pela forte retração das importações no período que, devido à alta base de comparação – importações de plataformas de petróleo ocorridas em julho de 2018 –, recuou 24,7% em termos anuais. O componente outros, por seu turno, atingiu patamar 3,8% superior ao observado em julho de 2018.

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Crédito e juros

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

O comportamento dos saldos de crédito no segundo trimestre e no mês de julho de 2019 acentuou as diferenças de tendência que vinham sendo observadas: de crescimento no segmento livre e queda no direcionado; de aumento para pessoas físicas (PFs) e diminuição para pessoas jurídicas (PJs); de taxas positivas para bancos privados e negativas para públicos. A taxa de crescimento interanual do saldo de recursos livres foi, em julho, a maior dos últimos sete anos – a de PFs, a maior dos últimos cinco anos. No comportamento do crédito para PF, algumas categorias se sobressaíram: crédito pessoal não consignado; crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público; aquisição de veículos; cartão de crédito à vista (todos do segmento livre); e crédito rural com taxas de mercado (do segmento direcionado). Entre eles, o texto destaca o setor de veículos, com dados de inadimplência, prazos, saldo de empréstimos, novas concessões, taxas de juros e custo do crédito. Ainda sobre o segmento de PF com recursos livres, deve-se ressaltar que o valor das novas concessões em julho de 2019 foi maior que o pico anterior à recessão, em fevereiro de 2014. As novas concessões para PJ estão ainda longe dos valores anteriores à recessão, mas têm trajetória crescente desde fins de 2017. O recente aumento do comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida foi causado pelo crescimento do endividamento não habitacional e pelo aumento no custo de crédito, com maior importância do endividamento. A inadimplência, embora permaneça em níveis baixos, tem subido nos últimos meses. As taxas de juros médias das novas concessões caíram ao longo de 2017 e 2018; em 2019, estabilizaram-se ou aumentaram levemente. Os spreads também caíram ao longo de 2017 e durante o primeiro semestre de 2018, mas depois passaram a subir, e de forma mais acentuada para PF.

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Atividade econômica: desempenho do PIB

Por Leonardo Mello de Carvalho

O PIB avançou 0,4% no segundo trimestre de 2019, na comparação com o trimestre anterior livre de efeitos sazonais, e 1% na comparação interanual, em linha com a previsão da Visão Geral da Carta da Conjuntura divulgada em junho. Embora o ritmo de crescimento da atividade econômica continue lento, o resultado representou uma aceleração em relação aos dois trimestres anteriores, quando o PIB permaneceu virtualmente estagnado, afastando a possibilidade de recessão técnica. O crescimento do segundo trimestre aumentou o carry-over para 2019, que passou de 0,2% para 0,6%. Isso significa que, caso permanecesse estagnado nos próximos dois trimestres, o PIB fecharia o ano com alta de 0,6%.CC44_Atividade-PIB_tabelaCC44_Atividade-PIB_gráfico

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Política Fiscal

Por Paulo Mansur Levy, Felipe dos Santos Martins e Adriana Cabrera Baca

A política fiscal no primeiro semestre de 2019 manteve sua trajetória de redução gradual do deficit primário que, pelo conceito de necessidades de financiamento do setor público, caiu de 0,4% do PIB no primeiro semestre de 2018 para 0,2% do PIB neste ano, refletindo o desempenho do governo central, cujo deficit caiu de 0,9% do PIB para 0,7% do PIB. O deficit nominal caiu mais intensamente, de 6,5% do PIB no primeiro semestre de 2018 para 5,3% em 2019, refletindo a forte redução das despesas com juros, de 6,1% para 5,2% do PIB. Para estados e municípios, o desempenho segue ligeiramente positivo (0,1% do PIB em doze meses), mas há indicações de um enfraquecimento da posição fiscal dos entes subnacionais no período recente.

Diante de deficit primários ainda elevados, a dívida pública manteve sua trajetória de crescimento ao longo do primeiro semestre de 2019. A dívida líquida passou de 51,5% do PIB em junho de 2018 para 55,2% do PIB em junho deste ano; na dívida bruta do governo geral, o crescimento foi de 77,4% para 78,7% do PIB.

Pelo critério “abaixo da linha”, o Tesouro Nacional registrou um deficit de R$ 28,9 bilhões no primeiro semestre deste ano – queda de 12,3%, em termos reais, em relação ao primeiro semestre de 2018. É o valor mais baixo, a preços constantes, desde o primeiro semestre de 2016. Essa redução refletiu um aumento de 0,6% na receita bruta, um incremento de 4,3% nas transferências a estados e municípios – o que resultou em uma queda de 0,2% na receita líquida – e uma redução de 1,5% na despesa total. O aumento relativamente modesto da receita bruta em nível federal no primeiro semestre (+0,6% real em relação ao primeiro semestre de 2018) refletiu o comportamento das receitas de impostos e contribuições, cuja variação real foi de apenas 0,4%, enquanto as receitas não administradas pela RFB cresceram 1,8%. Parte do fraco desempenho da arrecadação de impostos e contribuições decorre do menor volume de receitas atípicas ou de mudanças de alíquotas (caso da PIS/Cofins sobre o diesel), em comparação com o primeiro semestre de 2018. Segundo a RFB, excluindo-se os fatores atípicos, as receitas recorrentes de impostos e contribuições mostram crescimento de 2,3%, ante 1,2% sem esses ajustes.

A despesa total do governo federal no primeiro semestre caiu 1,4% em termos reais na comparação com igual período de 2018. As despesas com pessoal e encargos sociais aumentaram 1% e os benefícios previdenciários, 1,9%. Em sentido contrário, as outras despesas obrigatórias (principalmente subsídios) caíram 2,6% e as despesas do poder executivo sujeitas à programação financeira, 11,2% – com as despesas discricionárias propriamente ditas caindo 23,5%.

O maior fator de contenção da despesa este ano não é a limitação do teto de gastos. A frustração da arrecadação (principalmente pelo menor volume de receitas extraordinárias, até o momento, em comparação com 2018), associada ao crescimento das despesas obrigatórias, segue comprimindo as despesas discricionárias – agora, para garantir o cumprimento da meta de resultado primário. Em anos anteriores, a restrição efetiva foi o teto dos gastos. É preciso ressaltar que os benefícios previdenciários são o maior componente das despesas obrigatórias e, mesmo com a aprovação da reforma da Previdência, continuarão crescendo em termos reais.

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