Metodologia de Cálculo do Indicador Ipea Mensal de FBCF

Carta de Conjuntura Nº 37

Por Leonardo Mello de Carvalho e Fernando José da S. P. Ribeiro

A formação bruta de capital fixo (FBCF) da economia é composta pelos investimentos em: máquinas e equipamentos; construção civil; e por outros ativos fixos (como propriedade intelectual, lavouras permanentes, gado de reprodução, etc.). O Sistema de Contas Nacionais (SCN), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresenta dados anuais detalhados de FBCF, e as Contas Nacionais Trimestrais (CNT), também do IBGE, divulga dados trimestrais agregados (sem a divisão entre máquinas e equipamentos, construção civil e outros). O cálculo de indicadores mensais desagregados contribui, portanto, para o acompanhamento mais tempestivo e detalhado da conjuntura econômica. A presente Nota técnica explica a metodologia de cálculo do Indicador Ipea Mensal de FBCF, em suas seis etapas: (i) construção do indicador de demanda de bens de capital, que, na verdade, equivale ao cálculo do consumo aparente desses produtos; (ii) cálculo do indicador de construção civil; (iii) cálculo do consumo aparente do componente ‘outros’, que não era considerado na metodologia anterior deste Indicador Ipea; (iv) determinação dos pesos de cada um dos indicadores supracitados no cálculo do indicador de FBCF; (v) ajuste de nível via desagregação temporal; e (vi) cálculo final do indicador ajustado para coincidir com os dados trimestrais e anuais do SCN.

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Inflação

Carta de Conjuntura Nº 37

Por Maria Andréia Parente Lameiras

A seção de inflação desta Carta de Conjuntura mostra que, após apresentar uma trajetória de forte recuo ao longo do ano, a inflação brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), voltou a acelerar no último bimestre, mantendo-se, entretanto, em patamares bem confortáreis. Essa mudança recente na dinâmica inflacionária não surpreende e reflete a ação de alguns movimentos já esperados, como a contribuição menos favorável da deflação de alimentos e o aumento de alguns preços administrados. Esse comportamento mais recente dos preços dos alimentos teve impactos distintos para as diferentes classes sociais. Os indicadores Ipea de inflação por faixa de renda mostram que, após vários meses apresentando as menores variações dentre todas as categorias, as taxas de inflação das classes mais baixas foram as que registram as maiores altas em outubro – embora as diferenças no mês tenham sido pequenas. Se por um lado, a queda menos acentuada dos alimentos limitou às pressões baixistas sobre a inflação dos mais pobres, por outro lado, os reajustes em itens de maior peso na cesta de consumo destas famílias, como energia elétrica e gás de cozinha, acabaram gerando fatores de pressão adicional no último mês.

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Inflação por Faixa de Renda

Carta de Conjuntura nº 37

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho e José Ronaldo de Castro Souza Júnior

O objetivo desta Nota Técnica é apresentar a metodologia de cálculo do novo Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, que permite não apenas identificar as diferenças no comportamento do custo de vida de famílias com rendas distintas, como também fornecer índices de preços mais precisos para a deflação de séries que necessitem de um indicador de inflação mais específico. Os resultados mostram que, nos últimos 12 meses, encerrados em outubro, a inflação das famílias pertencentes à primeira faixa foi de 2,0%, situando-se bem abaixo da registrada pelo segmento mais rico (3,5%). Entretanto, em uma perspectiva de longo prazo, observa-se que nos últimos 11 anos (de julho de 2006 a outubro de 2017) a inflação dos mais pobres apresenta uma variação de 102%, bastante superior à observada na faixa de renda mais alta, de 86%.

CC37_NT_Inflação por faixa de renda

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Boletim de Expectativas

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

A taxa de inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) esperada para doze meses, após atingir valores máximos por volta do último trimestre de 2015, entre 7,0% e 9,0%, caiu ao longo de 2016 e do primeiro semestre de 2017 e, no segundo semestre, tem apresentado tendência diferente conforme a fonte, mas tem estado entre 4,0% e 4,5%. A inflação esperada para 2018 – de acordo com a mediana do sistema de expectativas do Banco Central do Brasil (Focus/BCB) – que era de 4,5% até o fim do primeiro trimestre deste ano, caiu até chegar próxima de 4,0%, abaixo da meta de 4,5%. Para 2019 e 2020, a mediana das expectativas é igual à meta para os respectivos anos, de 4,25% e 4,0%. A mediana do Focus/BCB prevê corte da taxa Selic dos atuais 7,5% para 7,0% na reunião de 6 de dezembro próximo e novo corte para 6,75% na seguinte, em 7 de fevereiro de 2018. A taxa de juros real ex-ante de um ano, calculada a partir da taxa do swap DI-Pré de 360 dias (da BM&FBovespa) e do IPCA esperado para doze meses pela mediana da pesquisa Focus/BCB, estava, em 10 de novembro último, em 3,0%. Na curva de juros reais, os vértices para os prazos maiores que dois anos e meio se deslocaram para cima nos últimos trinta dias: as taxas de cinco anos, por exemplo, subiram de 4,5% para 4,9%; e as de dez, de 4,9% para 5,3%. As expectativas para o resultado primário do setor público projetam melhoria gradual ao longo dos próximos quatro anos, saindo de déficit de 2,4% do PIB em 2017 para resultado ainda negativo de 0,4% do PIB em 2021. A previsão de crescimento do PIB é de 0,7% em 2017, 2,5% em 2018 e 2,7% daí em diante, até 2021.

CC37_Boletim de Expectativas II

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Crescimento dos gastos com pessoal ativo e inativo dos estados brasileiros entre 2006–2016

Notas técnicas recentes, publicadas em números anteriores desta Carta de Conjuntura, chamaram atenção para o forte crescimento do deficit previdenciário dos estados na última década. Santos et al. (2017a) apontam como causas do referido crescimento os fortes aumentos salariais concedidos aos servidores da maioria dos estados até 2014 e o rápido crescimento do número de servidores inativos em praticamente todos os estados. Santos et al. (2017b), por seu turno, indicam que o crescimento dos inativos se deve a questões demográficas – em particular, ao fato de o quadro de servidores estaduais ativos ter envelhecido consideravelmente desde 2005 – e ao grande número de servidores estaduais com direito a aposentadorias especiais. Esta nota aprofunda os diagnósticos anteriores de duas maneiras. Primeiramente, explicitando os regimes previdenciários adotados por cada estado e discutindo as distintas implicações destes regimes para as finanças públicas estaduais. Em segundo lugar, apresentando estimativas, estado a estado, para as taxas de crescimento de conceitos relevantes de gastos com pessoal ativo e inativo das administrações públicas estaduais no período 2006–2016.

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Taxa neutra de juros e expectativas para inflação e juros

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Um parâmetro relevante para a condução da política monetária é a taxa de juros neutra, aquela que mantém a taxa de inflação estável. Mas a taxa de juros neutra é uma variável não observável, que precisa ser estimada por meio de modelos econométricos. Não há, porém, consenso sobre a melhor forma de fazê-lo e a estimativa da taxa neutra é sujeita a muita incerteza, até por depender também de estimativas e hipóteses para diversas outras variáveis. Com base em diversas informações – coletadas junto a agentes financeiros e obtidas de cotações de mercado – e levando em consideração a imprecisão de tais estimativas, a taxa neutra real parece estar, no Brasil, entre 4,0% e 5,0%, ou próxima desse intervalo. Esse nível foi atingido após um longo processo de queda.

Vale mencionar que há estimativas de diversas fontes indicando que a taxa neutra teve um forte recuo em todo o mundo, relacionado a fatores pelo lado da demanda agregada (associados à demografia, principalmente) e da oferta (menor crescimento potencial). A taxa de juros real ex-ante de um ano encontra-se, atualmente, em 2,9%, abaixo, portanto, da estimativa para a neutra. A inflação projetada para os próximos anos está abaixo da meta ou com ela coincidindo e o PIB está abaixo do potencial, como mostrado, respectivamente, na Visão Geral da Conjuntura e numa Nota Técnica da Carta de Conjuntura nº 36. Por isso, é perfeitamente possível que a taxa de juros real continue por algum tempo abaixo da taxa neutra. O processo de convergência entre as duas se dará, naturalmente, por alguma combinação de alta na taxa real praticada com queda na neutra. A taxa real sofre, em parte, influência da política monetária. A neutra, por outro lado, depende, como observado, de uma variedade de características da economia. Assim, se o país conseguir avanços que sinalizem para um ajuste fiscal de longo prazo e para o aumento da tendência de crescimento da produtividade, a aproximação entre as duas poderia contar com o recuo da taxa neutra. Caso contrário, a normalização da política monetária no futuro terá de ser feita integralmente pela elevação das taxas praticadas na economia, capitaneada pela política monetária.

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Medidas preliminares de produção na saúde pública

Por Manoel Pires e Roberta Vieira

Esta nota técnica apresenta uma metodologia para mensurar a produção dos serviços que são prestados na saúde pública brasileira. Os indicadores apontam para um crescimento moderado das internações, mas um crescimento bastante significativo da atenção ambulatorial, o que reflete preocupações com a promoção e a prevenção à saúde da população e a melhoria da qualidade no sistema. Assim, apresentar a composição do crescimento é uma contribuição para a literatura sobre o tema no Brasil.

Em termos mais gerais, a produção da saúde pública tem crescido ligeiramente acima do PIB. Algumas melhorias e aprofundamentos metodológicos ainda precisam ser feitos, mas esse esforço inicial já permite um debate mais aprofundado sobre o tema e viabiliza os primeiros esforços para se estudar a evolução da produtividade no setor e a composição dos serviços prestados, objetivando ajudar na definição de melhores políticas públicas.

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Produção industrial deve voltar a crescer em setembro de 2017

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Produção Industrial prevê um avanço de 0,8% para o resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, na comparação entre agosto e setembro, na série dessazonalizada. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a produção teria ficado 3,0% acima do patamar de setembro de 2016, quarta alta consecutiva. Com isso, a variação acumulada em 12 meses ficaria em 0,5%, representando a primeira alta após 39 meses

Em relação aos indicadores coincidentes da produção industrial, o bom desempenho exibido na comparação entre setembro e agosto, na série dessazonalizada, foi bastante disseminado (ver tabela). Segundo a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), a importação de bens intermediários registrou alta de 5,4%, resultado que sucedeu a pequena queda ocorrida no período anterior (0,3%). Além disso, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indica um avanço de 1,9% na margem. Vale destacar o crescimento de 27% acumulado em 2017. O destaque negativo ficou por conta das vendas de papel e papelão, que recuaram 4,1%, de acordo com Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO). Na comparação entre setembro de 2017 e o mesmo período de 2016, o desempenho positivo voltou a ser generalizado.

Tabela-Indicador-Ipea-Produção Industrial-Set17



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Demanda interna por bens industriais avança 2,5% em agosto

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea mensal de Consumo Aparente (CA) de bens industriais – definido como a produção industrial doméstica, acrescida das importações e diminuída das exportações – registrou crescimento de 2,5% na comparação entre agosto e julho, na série com ajuste sazonal (ver tabela). O indicador também cresceu na comparação interanual, atingindo patamar 4,4% superior ao observado em agosto de 2016. Com isso, o ritmo de queda da variação acumulada em 12 meses voltou a arrefecer, passando de 1,6% para 0,7%. Este resultado, quando comparado à produção doméstica – medida pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do IBGE – que permaneceu praticamente estável no mesmo período (queda de 0,1%), voltou a indicar um escoamento líquido para o setor externo. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção doméstica líquida de exportações avançou 1% em agosto, no comparativo contra o período anterior, as importações de bens industriais passaram por expressivo crescimento, com alta de 8,7% livre de efeitos sazonais, deixando perspectivas positivas para o desempenho da indústria nos próximos períodos.

Tabela-Indicador-Ipea-Consumo Aparente_ago-17

Ao se considerar o consumo aparente por grandes categorias econômicas, com exceção dos bens intermediários – que recuaram 2,2% entre os meses de agosto e julho –, todas as demais registraram alta na comparação dessazonalizada. Entre elas, o destaque positivo voltou a ser a categoria bens de consumo duráveis, com alta de 6% na margem. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior, o crescimento também foi disseminado. Novamente a categoria de bens intermediários foi a única a registrar variação negativa sobre agosto de 2016.

Com relação às classes de produção, a extrativa mineral registrou o segundo avanço seguido na comparação com ajuste sazonal, com alta de 3,5% em agosto. A demanda por bens da indústria de transformação também acelerou o ritmo de crescimento, avançando 2,8% na margem. Ainda foi verificado um crescimento em 15 segmentos, de um total de 22, elevando o índice de difusão (que mede a porcentagem dos segmentos da indústria de transformação com aumento em comparação ao período anterior, após ajuste sazonal) para 68%, ante 59% em julho e 50% em agosto do ano passado. Entre aqueles com maior peso, contribuíram positivamente o de veículos automotivos, com alta de 6,9% na margem, e o de farmoquímicos, com expansão de 5,7%.

Na comparação interanual, 16 segmentos registraram variação positiva ante agosto de 2016, com destaque também para o consumo aparente de veículos automotivos (+26,2%). Por fim, em relação ao resultado acumulado em 12 meses, 11 segmentos já apresentaram variação positiva até o mês de agosto.

Gráficos_Indicador Ipea CA_ago-17

Acesse os dados do Indicador Ipea de Consumo Aparente



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Indicador Ipea Mensal de FBCF – agosto de 2017

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos voltam a apresentar crescimento na comparação interanual

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) manteve-se praticamente estável em agosto, apontando pequena queda de 0,1% em relação a julho de 2017, na série com ajuste sazonal. Mas, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu uma alta de 0,8%, após 13 meses consecutivos de quedas. No período de 42 meses iniciados em março de 2014, este indicador apresentou variação interanual positiva apenas duas vezes, a primeira em junho de 2016 (de 0,1%) e a segunda agora. No ano, o indicador ainda acumula queda, de 3,9%.

O desempenho dos dois principais componentes da FBCF voltou a ser heterogêneo. O consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica, acrescida das importações e diminuída das exportações – apresentou crescimento de 1,8% na margem, mais que compensando a queda de 0,9% registrada no período anterior. Entre os componentes do CAME, a produção doméstica de bens de capital avançou 1,4% em agosto. Por sua vez, as variáveis de comércio exterior apresentaram fraco desempenho na comparação dessazonalizada. Enquanto o volume de importações por este tipo de bem caiu 1,2% em agosto (após o forte crescimento de 12% no mês anterior), o volume exportado de bens de capital, que é subtraído da produção doméstica para o cálculo do indicador, recuou 1,1%, na mesma base de comparação.

O destaque negativo voltou a ficar por conta do indicador de construção civil, que registrou retração de 2,3% em agosto, resultado que sucedeu duas variações positivas na série dessazonalizada. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior, enquanto a construção registrou queda de 4,5%, o Came cresceu expressivos 11% sobre o mês de agosto de 2016.

Tabela - Indicador Ipea FBCF ago17

Gráfico indicador Ipea FBCF ago17

Acesse aqui a planilha completa com os dados do Indicador Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



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