Taxas Efetivas Reais de Câmbio por Setor Exportador

Carta de Conjuntura nº 38

Por Marcelo José Braga Nonnenberg, Beatriz Cordeiro Araujo e Helena Nobre de Oliveira

Esta Nota Técnica apresenta a metodologia de cálculo dos novos indicadores Ipea de Taxa Efetiva Real de Câmbio (TERC), que têm como objetivo permitir a análise desagregada da competitividade das exportações por setor exportador.

As taxas efetivas reais de câmbio construídas nesta Nota Técnica têm o propósito de auxiliar a compreensão da competitividade das exportações brasileiras desagregadas por meio do cálculo da taxa efetiva real de câmbio de exportação por setores econômicos. Partindo do princípio de que o câmbio nominal é o mesmo para todos os setores, o cálculo das taxas efetivas reais permite entender como as diferentes composições da pauta segundo países de destino e os diferentes índices de preço impactam de maneira diferente a competitividade da exportação em cada setor.

Assim, são construídas 29 taxas de câmbio efetivas reais de exportação, desagregadas por setores segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 2.0, o que significa uma ampliação da desagregação original dos indicadores Ipea de TERC calculado por Nonnenberg et al. (2015) – que media apenas as taxas agregadas e para produtos manufaturados. São utilizados, como deflatores domésticos, os Índices de Preços ao Produtor Amplo – IPA-OG-DI, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para cada setor. Como deflatores externos, são utilizados os Índices de Preços aos Produtores de cada país que participa da cesta de parceiros comerciais do Brasil. As taxas são calculadas a partir de janeiro de 1997 e se estendem até o último mês para os quais se dispõem das informações de taxas de câmbio e dos índices de preço nacionais e internacionais − neste momento, agosto de 2017.

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Indicador Ipea Mensal de FBCF – novembro de 2017

Investimentos apresentam pequena acomodação em novembro, com recuo de 0,7%

O Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta uma queda de 0,7% em novembro em relação a outubro de 2017, na série com ajuste sazonal. Esse resultado representou a primeira variação negativa após cinco meses. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o Indicador voltou a crescer, atingindo patamar 1,4% superior ao verificado em novembro de 2016. Com isso, o indicador acumula queda de 2,4% no ano.

O desempenho dos componentes da FBCF voltou a ser heterogêneo na comparação dessazonalizada. O consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica acrescida das importações e diminuída das exportações – apresentou queda de 2,1% entre os meses de novembro e outubro, na margem. Entre os componentes do Came, a produção doméstica de bens de capital líquida de exportações recuou 0,2% em novembro. Por sua vez, a queda registrada pela importação de bens de capital (6,1%) voltou a contribuir negativamente para o mau resultado na comparação dessazonalizada. Vale notar que o volume importado recuou nos últimos dois meses, ainda afetado pelo forte crescimento ocorrido em setembro (30,3%).

Já o indicador de construção civil foi o grande destaque positivo, avançando 0,7% em novembro, na série dessazonalizada, resultado que sucedeu pequena queda no período anterior, quando recuou 0,1%. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como “outros ativos fixos”, contribuiu negativamente para o desempenho dos investimentos, registrando queda de 1,3% em novembro, na comparação livre de efeitos sazonais.

Na comparação contra o mesmo período do ano anterior, o resultado também foi heterogêneo. Enquanto o Came registrou alta de 6,5%, a construção civil e o componente outros recuaram 0,7% e 1,7%, respectivamente.

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Acesse aqui a planilha com o Índice Ipea mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (índice 1995=100)



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Os Desequilíbrios Financeiros do Microempreendedor Individual (MEI)

Carta de Conjuntura nº 38

Por Rogério Nagamine Costanzi

A baixa cobertura previdenciária dos trabalhadores por conta própria acabou estimulando diversas ações voltadas para a sua ampliação, como o Plano Simplificado e o Microempreendedor Individual (MEI). Em comum, foram planos caracterizados por elevado desequilíbrio atuarial e financeiro que irão, no futuro, agravar a situação das contas do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Ademais, os efeitos, em termos de inclusão previdenciária, se mostram duvidosos, tendo em vista os indícios de inadequada focalização e possibilidade de migração de empregados com carteira para o MEI. Com objetivo de analisar estas questões, esta Nota busca avaliar o perfil do MEI e mostrar que a ação pode ter beneficiado grupos que teriam capacidade contributiva que não justifica tratamento tão subsidiado.

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Inflação por Faixa de Renda – Dezembro/17

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Em dezembro, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do IBGE, manteve a tendência observada ao longo do ano, no qual se verifica uma menor pressão inflacionária nas classes mais pobres da população brasileira. Segundo os dados da tabela 1, em dezembro, enquanto a inflação das famílias com menor poder aquisitivo apontou alta de 0,33%, a taxa de crescimento dos preços dos bens e serviços consumidos pela parcela mais rica da população foi de 0,45%. A partir desse resultado, observa-se que, embora a desaceleração da inflação em 2017 tenha ocorrido de modo generalizado entre todas as classes de renda, ela foi bem mais intensa nas camadas mais pobres. Por certo, após registrar alta superior a 7,0% em 2016, a inflação das famílias de renda muito baixa recuou 4,8 p.p., atingindo variação de 2,2% em 2017. Já as famílias de renda alta apresentaram queda um pouco menos expressiva (2,5 p.p.), passando de 6,2% para 3,7% entre 2016 e 2017.

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Leia a análise completa dos resultados

Acesse aqui a planilha com as taxas mensais de Inflação por faixa de renda



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Demanda interna por bens industriais cresce 1,9% em novembro

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea mensal de Consumo Aparente (CA) de bens industriais – definido como a produção industrial doméstica, acrescida das importações e diminuída das exportações – registrou alta de 1,9% na comparação entre novembro e outubro, na série com ajuste sazonal. Na comparação entre o trimestre terminado em novembro e aquele terminado em agosto, o resultado na margem também é positivo, com saldo de 2% (ver tabela). O indicador avançou ainda na comparação interanual, atingindo patamar 10,1% superior ao observado em novembro de 2016. Com isso, o ritmo de crescimento da variação acumulada em 12 meses voltou a acelerar, passando de 2,5% para 3,7%. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção doméstica líquida de exportações avançou 2,8% em novembro, no comparativo contra o período anterior, as importações de bens industriais apresentaram a segunda queda consecutiva, registrando baixa de 2%.

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Com relação às classes de produção, a extrativa mineral avançou 4,1% na comparação sazonal, resultado que sucedeu alta de 1,6% em outubro. Já a demanda por bens da indústria de transformação avançou 1,9% na margem. Foi verificado um crescimento em 12 segmentos, de um total de 22, aumentando o índice de difusão (que mede a porcentagem dos segmentos da indústria de transformação com aumento em comparação ao período anterior, após ajuste sazonal) para 55%, ante 50% do período anterior. Entre aqueles com maior peso, contribuíram positivamente a metalurgia, com alta de 7,8% na margem, e o de farmoquímicos, com expansão de 4,7%.

Na comparação interanual, o bom desempenho voltou a ser bastante disseminado, com 18 segmentos registrando variação positiva ante mesmo período de 2016. Os destaques ficaram por conta do consumo aparente de veículos automotivos (16%) e outros equipamentos de transporte, cuja forte alta de 334% registrada em novembro foi explicada por uma base de comparação muito deprimida, resultado associado à exportação de uma plataforma de petróleo naquele período. Por fim, em relação ao resultado acumulado no ano, 14 segmentos apresentaram variação positiva até o mês de novembro.

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Acesse aqui a planilha completa do Consumo Aparente (Novembro de 2017)



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Visão Geral de Conjuntura

Carta de Conjuntura nº 37

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

Seção analisa a conjuntura e apresenta previsões macroeconômicas para 2017 e 2018

A continuidade do atual processo de recuperação cíclica da economia brasileira, possivelmente apontando para uma trajetória de convergência gradual rumo a uma situação de crescimento sustentado, depende de modo crucial do equacionamento da questão fiscal. Apesar das dificuldades correntes de aprovação, no Congresso Nacional, de medidas fundamentais de ajuste fiscal estrutural – em particular, da reforma da previdência –, nosso cenário supõe como premissas básicas: (i) que as medidas necessárias serão implementadas, no curto ou no médio prazo; (ii) que a percepção de risco dos agentes privados (em relação à sustentabilidade das contas públicas) se elevará um pouco, porém permanecerá sob controle face à expectativa de ajuste; (iii) que o ambiente externo continuará provendo liquidez suficiente durante o período de transição, enquanto as medidas de ajuste não forem adotadas.

Sob tais premissas espera-se, para o quarto trimestre de 2017, crescimento do PIB de 2,3%, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, e de 0,2% na margem, em termos dessazonalizados. Nos trimestres seguintes, projeta-se a continuidade deste processo de recuperação cíclica, com o PIB atingindo crescimento de 3% em 2018. Pelo lado da oferta, vale destacar a queda esperada do PIB agropecuário (2,5%), em conformidade com a expectativa de safra para 2018 divulgada recentemente pelo IBGE. Apesar dessa queda, o PIB total deve aumentar devido ao crescimento robusto esperado para a indústria (3,7%), bem como à expansão do setor de serviços (2,8%). Pelo lado da demanda, espera-se que o crescimento seja puxado pelos gastos privados de consumo e investimento. O consumo público deve apresentar crescimento nulo, ao passo que as exportações líquidas devem prover contribuição negativa ao crescimento, em decorrência do aumento mais forte esperado para as importações (7,8%) relativamente às exportações (4,3%). A elevada taxa de crescimento das importações é condizente com a expansão da renda doméstica e do investimento ao longo do ano.

As previsões de produto potencial feitas com base no cenário para 2018 mostram que, mesmo com a aceleração do crescimento, o PIB ainda chegaria ao final do período abaixo de seu potencial, o que corrobora o cenário de inflação abaixo da meta no ano que vem.

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Indicador Ipea de Produto Potencial

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Como destacado na Visão Geral da Conjuntura, o hiato do produto, reestimado (ver Nota Técnica que descreve a metodologia utilizada) com base nas atualizações recentes dos dados das Contas Nacionais  do IBGE, ainda se encontra num patamar que permite ao BCB manter a taxa de juros abaixo da neutra ao longo do próximo ano – o PIB está 4,3% abaixo de seu potencial.

As previsões de produto potencial feitas com base no cenário para 2018 mostram que, mesmo com a aceleração do crescimento, o PIB ainda chegaria ao final do período abaixo de seu potencial, o que corrobora o cenário de inflação abaixo da meta no ano que vem.

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Acesse aqui a série completa do Indicador Ipea de Produto Potencial



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Atividade Econômica – indicadores mensais

Carta de Conjuntura nº 37

Por Leonardo Mello de Carvalho

Esta seção analisa os principais indicadores mensais de atividade econômica e apresenta previsões para a produção industrial e para as vendas do comércio de novembro

 O Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta alta de 0,1% em outubro em relação a setembro de 2017, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu patamar 5,6% superior. O componente da construção registrou avanço de 0,2% na margem, corroborando o aumento da confiança entre os empresários do setor.

O Indicador Ipea Vendas do Comércio (prévia do resultado da Pesquisa Mensal do Comércio – PMC, do IBGE), no conceito ampliado, estima pequena acomodação em novembro, com queda de 0,6% na comparação com período anterior. Já no conceito restrito, a previsão é de que as vendas tenham avançado 0,3%.

Em relação ao setor manufatureiro, de acordo com o Indicador Ipea de Consumo Aparente de bens industriais, apesar da queda de 1,1% entre setembro e outubro, na série sem efeitos sazonais, a demanda por esses bens apresenta crescimento acumulado de 3,0% em 2017. Por fim, após iniciar o quarto trimestre com crescimento de 0,2% na margem, o Indicador Ipea de Produção Industrial sugere mais um avanço em novembro, com alta de 0,3%. Na comparação interanual, a previsão também é de crescimento, com expansão de 4,0% sobre novembro de 2016.

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Indicador Ipea Mensal de FBCF – outubro de 2017

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos avançam 0,1% em outubro, iniciando 4º trimestre praticamente estáveis

O Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta um crescimento de 0,1% em outubro em relação a setembro de 2017, na série com ajuste sazonal. Esse resultado representou a quinta variação positiva seguida na margem.  Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o Indicador atingiu patamar 5,6% superior ao verificado em outubro de 2016. Apesar desta nova alta mensal, o indicador ainda acumula queda de 2,7% no ano.

O desempenho dos componentes da FBCF é heterogêneo na margem. O consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde a sua produção doméstica acrescida das importações e diminuída das exportações – apresentou queda de 2,4% entre os meses de outubro e setembro, na série dessazonalizada. Entre os componentes do CAME, a produção doméstica de bens de capital líquida de exportações avançou 0,2% em outubro. Por outro lado, a forte queda registrada pela importação de bens de capital (15,6%) ajudou a explicar o mau resultado na comparação dessazonalizada. Vale notar que o volume importado havia crescido 30,2% em setembro.

Já o indicador de construção civil avançou 0,2% em outubro, na série dessazonalizada, após permanecer estável no período anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, contribuiu positivamente para o desempenho dos investimentos, registrando alta de 5,5% em outubro, na comparação dessazonalizada.

Na comparação contra o mesmo período do ano anterior, o crescimento foi generalizado. Enquanto o Came e o componente outros registraram altas de 16,3% e 4%, respectivamente, a construção civil cresceu 0,3% em relação ao mês de outubro de 2016, interrompendo sequência negativa que já durava 42 meses.

Tabela indicador Ipea FBCF out17

Acesse aqui a planilha completa com os dados do Indicador Ipea Mensal de FBCF (índice 1995=100)



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Política Fiscal

Carta de Conjuntura Nº 37

Por Paulo Mansur Levy

A arrecadação tributária já começou a melhorar devido à recuperação da atividade econômica, porém o desempenho fiscal no setor público consolidado ainda mostra um aumento do deficit primário nos últimos meses quando comparado a anos anteriores. Embora parte da piora se deva a fatores transitórios, o resultado primário do ano deverá ficar em patamar semelhante ao de 2016, com o deficit alcançando 2,4% do PIB. O deficit nominal acumulado em 12 meses até outubro foi de 9,3% do PIB, ante 9% em 2016 e 10% em 2015. A dívida pública, por seu turno, manteve a trajetória de crescimento, alcançando, no conceito “dívida bruta”, 74,4% do PIB. Mesmo com a vigência da EC nº 95, que limita o crescimento dos gastos primários do Governo Federal à inflação do ano anterior, esta dívida ainda deve crescer cerca de 10 pontos percentuais do PIB antes de se estabilizar em meados dos anos 2020.

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