Todos os posts de José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Inflação

Por Maria Andréia P. Lameiras

Após acelerar fortemente em junho, a inflação brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), voltou a registar variação mais amena em julho, ratificando a expectativa, para o restante do ano, de um cenário inflacionário ainda bem-comportado, com taxas acumuladas em doze meses abaixo da meta de 4,5%. No acumulado do ano até julho, a alta nos preços dos alimentos (3,5%), combinada ao forte reajuste nas tarifas de energia elétrica (13,8%), vem reduzindo a diferença entre as taxas de inflação por faixa de renda. Enquanto, no acumulado em doze meses, a inflação das classes mais pobres (3,5%) ainda se mantém bem abaixo da observada nas camadas de renda mais elevada (5,2%), no acumulado do ano, este diferencial já é bem menor – das famílias de renda mais baixa foi de 2,8%, ou seja, apenas 0,4 ponto percentual (p.p.) menor que a registrada na faixa de maior renda (3,2%).

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Demanda interna por bens industriais mostra recuperação em junho, com alta de 9,9%

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente (CA) de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna líquida das exportações e acrescida das importações – registrou crescimento de 9,9% na comparação entre junho e maio de 2018, na série com ajuste sazonal. Apesar disso, o resultado foi insuficiente para evitar a queda no segundo trimestre, que ficou em 2,1% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda no comparativo entre junho e maio, enquanto a produção interna líquida de exportações avançou 11,1% na margem, as importações de bens industriais cresceram 2,5.

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Gráfico_Indicador Ipea CA_jun-18

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais também mostrou recuperação após a queda de 6% registrada em maio, quando sofreu impacto da greve dos caminhoneiros. O crescimento de 4,2% superou a alta da produção industrial (3,5%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tomando por base o resultado acumulado em doze meses, a demanda segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (4,4%) que o apresentado pela produção industrial (3,2%).

A alta registrada em junho foi generalizada entre as grandes categorias econômicas, como mostra o texto que analisa o indicador.

Acesse aqui a planilha completa com a série histórica até junho de 2018



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Economia Agrícola

Por Ana Cecília Kreter e José Ronaldo de C. Souza Júnior

A seção de Economia Agrícola mostra que o PIB Agropecuário deve apresentar uma queda de 1% em 2018. Este resultado é explicado pelas quedas na lavoura (0,6%) e na pecuária (2,5%), enquanto o segmento outros deverá registar aumento de 0,7%. Considerando-se as estimativas do IBGE para o resultado da lavoura no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), entre os principais produtos da lavoura, os destaques positivos ficam por conta das safras de trigo e café, com estimativas de crescimento de 33,6% e 23,8%, respectivamente. Por sua vez, a safra de milho deverá recuar 15,9%.

No segundo trimestre de 2018, o movimento dos preços agropecuários foi de continuidade e acentuação de alta – devido ao aumento das demandas externa e interna – à desvalorização do real frente ao dólar e, também, à oferta relativamente mais restrita. A soja, que está em fase de comercialização, apesar de apresentar recuperação nos preços – crescimento de 13,2% em relação ao mesmo período do ano passado –, não atingiu o volume negociado de 2017.

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Indicador Ipea de FBCF – junho e segundo trimestre de 2018

Por Leonardo Mello de Carvalho

Mesmo com forte recuperação em junho, investimentos encerram segundo trimestre com recuo de 0,9%

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta alta de 9,4% em junho em relação a maio de 2018, na série com ajuste sazonal. Este resultado devolveu grande parte da queda de 10,4% ocorrida no mês anterior, provocada pela greve dos caminhoneiros. Apesar disso, o indicador de investimentos encerra o segundo trimestre com variação negativa de 0,9% sobre o trimestre anterior, também na série ajustada sazonalmente. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu patamar 5,9% superior ao verificado em junho de 2017. Por sua vez, na comparação do segundo trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, o investimento registrou uma expansão de 5,1%. Com isso, o crescimento no resultado acumulado em doze meses ficou em 2,9% (ver tabela).

Na comparação com ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações e acrescida das importações – apresentou forte crescimento, com avanço de 20% em junho. Com isso, o resultado do segundo trimestre ficou positivo em 2,3%. Entre os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital líquida de exportações cresceu 16,8%, a importação de bens de capital avançou 15,2% na margem.

O indicador de construção civil, por sua vez, também recuperou boa parte das perdas ocorridas em maio, apresentando crescimento de 9,7% na série dessazonalizada. Ainda assim, o setor encerrou o segundo trimestre de 2018 com retração de 3,4% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, permaneceu estável na passagem de maio para junho.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os resultados foram heterogêneos. O destaque voltou a ser o Came, que encerrou o segundo trimestre com alta de 17,2%, após novo avanço em junho. Já a construção civil foi o único componente a registrar queda na comparação interanual, ficando 0,7% abaixo do patamar verificado no segundo trimestre de 2017.

Tabela - Indicador Ipea FBCF jun18

Gráfico indicador Ipea FBCF jun16

Acesse aqui a planilha com o Índice Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



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Produção industrial deve avançar de 15,1% em junho

Por Leonardo Mello de Carvalho

Previsão Ipea de produção industrial aponta crescimento de 15,1% para o resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente a junho, frente ao mês anterior, na série dessazonalizada. Com esse resultado, que sucedeu uma queda de 10,9% em maio, em grande medida explicada pela greve dos caminhoneiros, o segundo trimestre de 2018 teria recuado 2% sobre o período anterior. Apesar disso, o forte crescimento na margem verificado em junho deixaria um carry-over de 5,5% para o terceiro trimestre. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção também teria acelerado, ficando 6,9% acima do patamar de junho de 2017.

Em relação aos indicadores coincidentes da produção industrial, o bom desempenho exibido na comparação entre junho e maio, na série dessazonalizada, foi bastante disseminado (ver tabela 1). De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), a produção total de veículos avançou expressivos 37,1% na margem. Por sua vez, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) indica crescimento de 47% no fluxo de veículos pesados. No entanto, com base nos dados divulgados pela Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), o índice de confiança da indústria caiu 1%, ainda na mesma base de comparação.

Na comparação entre junho de 2018 e o mesmo período de 2017, o desempenho positivo foi novamente generalizado, com destaque também para a produção de veículos, que registrou expansão de 21,1%. Na comparação acumulada em doze meses, o setor registra alta de 19,4%.

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Demanda interna por bens industriais cai 8,3% em maio

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente (CA) de Bens Industriais – definido como a produção industrial doméstica líquida das exportações e acrescida das importações – registrou queda de 8,3% na comparação entre maio e abril de 2018, na série com ajuste sazonal. Com isso, o resultado ficou negativo em 3,7% no trimestre encerrado em maio. Entre os componentes do consumo aparente, ainda no comparativo entre maio e abril, enquanto a produção doméstica líquida de exportações recuou 9,9% na margem, as importações de bens industriais caíram 4,3% (ver tabela 1).

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Na comparação interanual, a queda de 6,4% em maio também foi explicada, em grande medida, pela paralisação dos caminhoneiros ocorrida no período. O resultado foi similar à queda ocorrida na produção industrial (6,7%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tomando por base o resultado acumulado em doze meses, a demanda segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (3,9%) que o apresentado pela produção interna (2,9%).

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Acesse aqui a planilha com o Consumo Aparente de maio de 2018



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Por que os alimentos levaram o IPCA de junho de 2018 à maior alta desde 1995?

Por Ana Cecília Kreter, Jefferson Staduto e José Ronaldo de Castro S. Júnior

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no dia 6 de julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de junho. O setor agropecuário, que vinha contribuindo fortemente para a estabilidade do IPCA, acabou sendo um dos responsáveis pela maior alta do índice desde 1995.

De fato, este setor tem assumido um papel cada vez mais estratégico na economia do país. Dada sua contribuição decisiva tanto para a oferta interna de alimentos e matérias-primas quanto para o equilíbrio na balança comercial, o setor vem impactando expressivamente no comércio exterior e no nível de atividade, com forte encadeamento para frente. Também há uma relação direta entre preço de produtos agropecuários e inflação. Representados pelo grupo “alimentos e bebidas”, estes produtos são responsáveis por 24,27% do IPCA, possuindo a maior participação percentual. Dentro deste grupo encontra-se ainda a “alimentação no domicílio”, que representa 15,61% do IPCA global.

Esta Nota Técnica tem como objetivo analisar o comportamento dos preços dos produtos agropecuários que compõem o grupo alimentos e bebidas e apresentar por que razão o impacto desses produtos foi tão alto no IPCA do mês de junho.

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Inflação por Faixa de Renda – Junho/2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, em junho, o impacto da greve dos caminhoneiros sobre os preços dos alimentos penalizou, sobretudo, a inflação das classes mais pobres da população – veja aqui a análise completa do indicador. Segundo os dados descritos na tabela 1, a inflação das famílias com menor poder aquisitivo apresentou alta de 1,5%, ou seja, mais que o triplo da observada em maio. No caso das famílias mais ricas, nota-se que, embora também aponte aceleração em junho, a inflação desta faixa foi a que registrou menor valor (1,03%).

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Acesse aqui a planilha com a Taxa mensal de Inflação por faixa de renda – junho de 2018



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Indicador Ipea Mensal de FBCF – maio de 2018

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos sofrem forte queda de 11,3% em maio

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta retração de 11,3% em maio em relação a abril de 2018, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, explicado em grande parte pelos efeitos da greve dos caminhoneiros, os investimentos recuaram 1,2% no trimestre terminado em maio, também na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu patamar 4,5% inferior ao verificado em maio de 2017. No acumulado em doze meses, o indicador ainda registra resultado positivo, com alta de 1,3%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção interna líquida das exportações, e acrescida das importações – apresentou recuo de 14,6% em maio. Entre os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital líquida de exportações caiu 12,8%, a importação de bens de capital retraiu 9,8% na margem, resultado que sucedeu alta de 6% observada no período anterior.

O indicador de construção civil, por sua vez, também foi afetado pela greve em maio, recuando 11,5% na série dessazonalizada. Com isso, o setor encerrou o trimestre terminado em maio com retração de 3,6% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como “outros ativos fixos”, voltou a exercer efeito negativo no desempenho dos investimentos em maio, registrando queda de 4,7% na margem.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho foi menos negativo. Após a expressiva alta de 33,5% em abril, o ritmo de crescimento do Came desacelerou, caindo para 1,3% em maio. Por sua vez, enquanto a construção civil registrou queda de 7,6%, o componente outros ativos fixos atingiu patamar 0,9% inferior ao verificado em maio de 2017.

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Gráfico-Indicador-Ipea-FBCF-mai18

Acesse aqui a planilha com o Índice Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



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Impactos macroeconômicos do choque fiscal de 2015: a regularização de despesas públicas não contabilizadas

Por Marco Antônio F. H. Cavalcanti, Luciano Vereda, Rafael Zanderer e Matheus Rabelo

Este Texto para Discussão analisa os impactos macroeconômicos da explicitação e regularização, ao longo de 2015, de despesas públicas não contabilizadas no passado a partir de um modelo dinâmico estocástico de equilíbrio geral (dynamic stochastic general equilibrium – DSGE) com setor público detalhado, desenvolvido e calibrado para o Brasil. A gradual explicitação da existência e a magnitude desses passivos fiscais, com a consequente piora do resultado primário e elevação da dívida pública, teria configurado uma série de “choques informacionais” para os agentes privados, que teriam aumentado sua percepção de risco em relação à sustentabilidade da dívida e passado a esperar um ajuste fiscal mais profundo do que o antecipado anteriormente, com vistas à estabilização das contas públicas. Diante destas novas condições e da efetiva implementação de um programa de ajuste fiscal pelas autoridades, os agentes privados teriam sido levados a rever suas decisões relativas a consumo, alocação de tempo, poupança, investimento e produção, gerando efeitos macroeconômicos potencialmente relevantes. Os principais resultados são: i) os choques de regularização de despesas públicas não contabilizadas podem ter exercido efeitos significativos sobre a economia brasileira, com queda do produto e aumento da inflação; ii) a adoção de uma combinação de instrumentos envolvendo a redução do emprego público e o aumento da tributação sobre a renda teria permitido estabilizar a dívida com menor perda de produto, relativamente à política efetivamente adotada, baseada na redução de gastos de investimento e consumo público; e iii) a protelação ou a adoção de um ajuste mais brando no curto prazo teriam gerado deterioração mais significativa dos indicadores fiscais, levando a um ajuste ainda mais custoso em termos de perda de produto e aumento da inflação.

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