Todos os posts de José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Inflação

Carta de Conjuntura Nº 39

Por Maria Andréia Parente Lameiras

A inflação brasileira continua apresentando uma trajetória decrescente no período recente, registrando taxas de variação em doze meses abaixo de 3,0%. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), nos últimos doze meses encerrados em maio, a inflação acumulada registra alta de 2,7%. Já no acumulado do ano, a variação de 1,2%, apontada pelo índice, se constitui no melhor resultado para o período desde a implementação do Plano Real. Em que pese a expectativa de manutenção deste ambiente favorável, o cenário de inflação para o restante do ano vem se modificando, dado o surgimento de uma nova combinação entre pontos de pressão e alívio inflacionário. Se, por um lado, a reversão da trajetória dos preços dos alimentos – com deflação de 4,7% em doze meses, até maio, medida pelo IPCA-15 – já é mais do que esperada, devido à menor safra brasileira em 2018, por outro lado, os problemas na produção de grãos na Argentina e nos Estados Unidos devem pressionar os preços das commodities agrícolas gerando focos de pressão adicionais sobre os preços dos alimentos. De modo similar, a previsão de continuidade na trajetória de alta do petróleo certamente poderá implicar novos reajustes de combustíveis, gerando um impacto sobre os preços administrados (gasolina) e livres (indústria química e aumentos de frete). Adicionalmente, a desvalorização cambial de aproximadamente 15%, verificada ao longo do ano, exercerá novos impactos de alta sobre os índices de preços no país. Entretanto, o balanço de riscos mostra que a expectativa de um crescimento menor que o projetado inicialmente do nível de atividade em 2018, a continuidade de níveis elevados de ociosidade da economia e a lenta retomada do mercado de trabalho devem atenuar uma alta de preços mais significativa, principalmente no setor de serviços.

CC39_Inflação_gráficos 2 e 3

CC39_Inflação_gráfico 7

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Inflação por Faixa de Renda – Abril/2018

Por Maria Andréia Parente Lameiras

 O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda de abril mostra que,  ao contrário dos meses anteriores, as taxas de inflação se mantiveram muito próximas independentemente da classe de renda, refletindo aumentos que impactaram tanto os mais pobres (ônibus urbano, medicamentos) quanto os mais ricos (gasolina, plano de saúde), veja aqui a análise completa dos resultados. Entretanto, no acumulado do ano até abril, enquanto a inflação das famílias com menor poder aquisitivo registrou alta de apenas 0,56%, a variação dos preços dos bens e serviços consumidos pela parcela mais rica da população foi de 1,34%.

Inflação por renda_abr-18_tabela 1

Inflação por renda_abr-18_tabela 2

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Acesse aqui a planilha com as taxas mensais de Inflação por faixa de renda



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Produção Industrial deve ficar praticamente estável em abril

Por Leonardo Mello de Carvalho

 O Indicador Ipea de Produção Industrial prevê crescimento de 0,1% em abril frente ao mês anterior, na série dessazonalizada, para o resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. Esse resultado deixa um carry-over próximo de zero para o segundo trimestre de 2018. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção teria acelerado, ficando 7,3% acima do patamar de abril de 2017.

Em relação aos indicadores coincidentes da produção industrial, o resultado exibido na comparação entre abril e março, na série dessazonalizada, foi heterogêneo (ver tabela). De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção total de autoveículos avançou 5,3% na margem. Por sua vez, a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) indica que a importação de bens intermediários também cresceu, com alta de 6% na mesma base de comparação. Por outro lado, com base nos dados divulgados pela Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), a venda de papel e papelão recuou 0,9% na margem, enquanto o indicador de confiança da indústria, calculado pelo IBRE, caiu 0,7% em relação ao mês de março.

Na comparação entre abril de 2018 e o mesmo período de 2017, o desempenho positivo foi novamente generalizado. Os destaques ficaram por conta da produção de veículos (40,4%) e da importação de bens intermediários. Além disso, o nível de estoques na indústria caiu  5,9% em relação a abril do ano passado.

Tabela-Indicador-Ipea-Produção Industrial-abr-18



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Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 39

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A taxa de câmbio vem se desvalorizando com relação ao dólar desde o início do ano. Esse movimento vem sendo provocado, principalmente, pelo aumento do risco-país, pela redução do diferencial entre as taxas de juros domésticas e dos Estados Unidos, e também com relação aos principais países emergentes. Esses movimentos, por sua vez, refletem, em parte, a piora do cenário externo, com aceleração prevista do crescimento dos Estados Unidos e aumento das expectativas inflacionárias, além do agravamento das tensões geopolíticas internacionais, em especial no Oriente Médio. Entre março de 2017 e março de 2018, a taxa efetiva real de câmbio ponderada pelas exportações (veja na seção os dados detalhados desse indicador), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sofreu desvalorização de 13,2% e, com base no Índice de Preços por Atacado (IPA), de 15,7%. Mas essa taxa varia entre 0,3% e 47,9%, quando calculada entre os diversos setores da economia.

CC39_Setor Externo_gráfico

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Além da análise sobre as taxas de câmbio, esta seção analisa também os resultados acumulados no ano da balança comercial e do balanço de pagamentos.



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Crescimento desacelera no início do ano, mas retomada continua

Síntese da Conjuntura – maio de 2018

Os dados disponíveis de atividade econômica permitem prever que o resultado do PIB do primeiro trimestre deve vir inferior ao que era esperado na última Visão Geral da Conjuntura, divulgada em março de 2018. Esse fato deve ensejar uma revisão da nossa previsão pontual de crescimento para este ano, sem alterar de forma substancial, porém, a expectativa de continuidade do processo de reversão cíclica gradual. Na ausência de novas fontes significativas de volatilidade ou instabilidade no cenário externo ou no front político doméstico, a atividade deverá continuar em sua trajetória de recuperação gradual ao longo do ano.

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Demanda Interna por Bens Industriais Recua 2% em Março

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente (CA) de Bens Industriais – definido como a produção industrial doméstica líquida das exportações e acrescida das importações – registrou queda de 2% na comparação entre março e fevereiro de 2018, na série com ajuste sazonal. Com isso, o resultado ficou negativo em 0,9% no primeiro trimestre do ano. Entre os componentes do consumo aparente, ainda no comparativo entre março e fevereiro, enquanto a produção doméstica líquida de exportações recuou 1,7% na margem, as importações de bens industriais caíram 5,2%.

Indicador Léo consumo aparente

Na comparação interanual, apesar da queda de 0,3% sobre março do ano passado, o primeiro trimestre de 2018 acumulou alta de 3,4%. Tomando por base o resultado acumulado em 12 meses, a demanda por bens industriais segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (3,7%) que o apresentado pela produção doméstica, mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do IBGE (2,9%).

PNG Graf

Os números de cada segmento industrial e a análise completa do indicador podem ser acessados aqui.

Acesse a planilha completa com os resultados



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Indicador Ipea de FBCF – março e 1º trimestre de 2018

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos voltam a crescer em março, fechando o 1o trimestre com alta de 0,3%

O Indicador Ipea de formação bruta de capital fixo (FBCF) aponta alta de 0,8% em março em relação a fevereiro de 2018, na série com ajuste sazonal. Com este resultado, que sucedeu um crescimento de 1,9%, o indicador de investimentos encerra o primeiro trimestre com variação positiva de 0,3% sobre o trimestre anterior, também na série ajustada sazonalmente. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu patamar 3,4% superior ao verificado em março de 2018. Já na comparação do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, o investimento registrou uma expansão de 3,3%. Com isso, a queda no resultado acumulado em doze meses ficou em 0,1%.

Tabela - Indicador Ipea FBCF mar18

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção interna líquida das exportações e acrescida das importações – apresentou avanço de 2,2% em março. Entre os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital cresceu 1,8%, a importação de bens de capital recuou 4,8% na margem, devolvendo parte do forte crescimento observado no período anterior (12,8%).

O indicador de construção civil, por sua vez, apresentou crescimento mais modesto, avançando 0,2% na série dessazonalizada, resultado este que sucedeu duas quedas consecutivas. Com isso, o setor encerrou o primeiro trimestre de 2018 com retração de 0,6% ante o último trimestre do ano passado. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como “outros ativos fixos”, também contribuiu positivamente para o desempenho dos investimentos, registrando avanço de 0,6% em março.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os resultados continuam bastante positivos. O destaque voltou a ser o Came, que encerrou o primeiro trimestre com alta de 15,7%, após novo avanço em março. Já a construção civil foi o único componente a registrar queda na comparação interanual, ficando 0,9% abaixo do patamar verificado no primeiro trimestre de 2017.

Acesse aqui a planilha com o Índice Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação – março de 2018

Por Marco Antônio F. de H. Cavalcanti, Leonardo S. Vasconcelos e Mariana C.M. Martins

O Indicador Ipea de Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) do mês de março apresentou variação de 0,13% e ficou abaixo do 0,50% registrado no mesmo mês do ano anterior. O acumulado em 2018, que corresponde ao primeiro trimestre, foi de 0,34%. Tanto a variação mensal quanto o acumulado no ano registraram o menor nível para um mês de março desde o início da série histórica, em 2014.

Em 12 meses até março, o ICTI manteve sua trajetória de desaceleração e apresentou o menor resultado acumulado desde abril de 2015 (4,52%). Na comparação do acumulado de 12 meses, o ICTI situa-se acima dos índices gerais de preços; no entanto, observa-se que o indicador apresenta o menor aumento, no acumulado do ano, dentre os índices analisados, como mostra a tabela 1.

Tabela 1_mar2018

Dentre os oito grupos que compõem o índice, Material de consumo e Depreciação e amortização, que acompanham o IPA-OG – Equipamentos de Informática, apresentaram deflação entre março de 2018 e o mesmo período de 2017, com variações próximas a -3%. Já os demais grupos vieram com altas variando entre 0,20% e 8,81%, conforme pode ser observado na Tabela 2.

Tabela 2_mar2018

O maior impacto no ICTI ocorreu pelo grupo Pessoal, que foi responsável pelo avanço de 4,23 pontos percentuais (p.p.) no índice, seguido de Serviços Profissionais e Outros, com 0,66 p.p. Os impactos negativos vieram de Material de Consumo, com -0,39 p.p. e Depreciação e Amortização, com -0,09 p.p..

Acesse aqui a planilha com a série completa do ICTI



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Finanças Públicas Estaduais

Carta de Conjuntura nº 39

Por Mônica Mora, Claudio Hamilton Matos dos Santos, Marco Aurélio Alves de Mendonça e Felipe dos Santos Martin

Os Estados brasileiros realizaram, em 2017, uma série de medidas e políticas de ajuste para mitigar os efeitos da forte crise financeira a que ainda estão submetidos. Porém, apesar da melhora observada ao longo de 2017, os dados anuais referentes às finanças públicas subnacionais ainda indicam um panorama desfavorável.

As finanças estaduais defrontam-se com dois grandes desafios, a saber: (i) há clara necessidade de se reestabelecer a capacidade de arrecadação; e (ii) é preciso reverter o quadro de aumento persistente dos gastos de pessoal, notadamente os com inativos. Todas essas questões foram focalizadas em diferentes notas técnicas publicadas na Carta de Conjuntura. Esta seção, por sua vez, traça um panorama sobre 2017 e discorre sobre as tendências para 2018 e os próximos anos.

Limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal (ainda assim um instrumento fundamental) e interpretações idiossincráticas da legislação contribuíram para a crise das finanças públicas estaduais, que retratam um desequilíbrio de longo prazo entre receitas e despesas. Pode-se dizer que as finanças públicas enfrentam problemas estruturais que despontam na análise conjuntural.

O esforço dos governos estaduais, em 2017, foi direcionado para aumentar o espaço fiscal através da renegociação da dívida (atenuando o peso dos juros e da amortização nas contas públicas) e do processo de recuperação da capacidade de arrecadação, que foi ajudada pela recuperação da atividade econômica.

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Overview – April 2018

The Brazilian economy maintained its growth recovery through the end of 2017 and beginning of 2018, as shown, among other data, by the upward trajectory of industrial production and by the declining trajectory of unemployment rates.

Thus, in spite of the fact that the process has lost some momentum, the data still point to a positive scenario for this year. The Ipea Indicator for the output gap is at 4.4%, suggesting that there still is spare capacity in the economy and that monetary policy can remain stimulative without the risk of stoking back inflation.

In fact, a positive surprise in the early months of 2018 came precisely from the inflation scenario: in the first bimester, recorded inflation for the period was the lowest in a long time. This benign behavior of inflation ratifies the widespread expectation that monetary policy will remain in expansionary mode throughout 2018 and that it shall be the main driver of economic recovery. Among our new forecasts for 2018, the numbers for inflation were the ones that changed the most. The remaining indicators are mostly unaltered, when compared to the Ipea Economic Outlook of January 2018.

Also on the positive side, the Brazilian current account has shown surprisingly low deficits, mainly due to the strongly positive trade balance, while inward foreign direct investment remains very high. One reason for such a performance is the favorable international background, which has featured synchronized growth among the major economies and a recovery of international trade. Even if recent data indicate some global deceleration in economic activity, and in spite of the outburst of volatility early in February, international liquidity remains high and global inflation, low. Even in the economies that are more advanced in their economic cycles, as the USA, there are little signs of price acceleration. Therefore, the trend is one of a gradual normalization of their monetary policies.

On the negative side, the suspension of the vote concerning the pensions reforms in Congress was a source of frustration. The adverse implications for the sustainability of the public debt led to a further downgrade of the Brazilian debt rating by one of the major rating agencies. However, markets’ response to the vote postponement was mute, maybe due to a consensus that the next administration will have to push the reforms forward, no matter who wins this year’s elections. Also, some positive indicators revealing a small short term relief in the public deficit may have contributed to reduce the financial markets volatility. The primary deficit was below the target in 2017 and government revenues were higher than expected in the beginning of 2018. Both point to the attainment of the fiscal goal for this year, though the real challenge in 2018 should be to trim the primary deficit as a proportion to GDP with respect to 2017.

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