Todos os posts de José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Política Fiscal

Carta de Conjuntura Nº 36

Por Paulo Mansur Levy

A grave situação fiscal tem ganhado ainda mais destaque nos últimos meses diante do persistente processo de queda da arrecadação e de frustração de receitas não recorrentes, como as derivadas de programas de regularização tributária ou de concessões. Ao mesmo tempo, o governo se depara com despesas obrigatórias que crescem por fatores externos ao seu controle – caso dos benefícios previdenciários e assistenciais e, em menor medida, das despesas com pessoal e encargos. 

A proposta de revisão das metas de resultado fiscal reflete a dificuldade desse quadro de receitas em queda e despesas rígidas. Parte da revisão decorre da redução da inflação mais rápida que a prevista no orçamento. Mesmo que o espaço para aumentar tributos seja limitado diante da carga tributária já elevada, recorreu-se em julho a um aumento de alíquotas de PIS/Cofins nos combustíveis. O contingenciamento de gastos, por outro lado, parece ter chegado ao limite na medida em que incide sobre um conjunto limitado de despesas cujo nível, em termos nominais (sem corrigir pela inflação), já é semelhante ao registrado em 2011. 

Diante de deficit nominais ainda muito elevados, a dívida pública manteve-se em crescimento, atingindo 73,8% do PIB no conceito dívida bruta e 50% do PIB no conceito dívida líquida. A reforma da Previdência torna-se, portanto, essencial para impedir que esse crescimento continue no futuro. 

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea mensal de FBCF – julho de 2017

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos iniciam terceiro trimestre com crescimento

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta crescimento de 1,1% em julho em relação a junho de 2017, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu patamar 1,4% inferior ao verificado em julho de 2016. No acumulado do ano, a queda foi de 4,6%, enquanto a variação em doze meses retraiu de 6,1% até o mês de junho para 5,2% até o mês de julho.

Não obstante o avanço entre os meses de junho e julho, o desempenho dos dois principais componentes da FBCF foi heterogêneo. O consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica acrescida das importações e diminuída das exportações – apresentou queda de 3,6% na margem, interrompendo uma sequência de três avanços. Entre os componentes do Came, a produção doméstica de bens de capital avançou 1,1% em julho – o comportamento das variáveis de comércio exterior ajudou a explicar seu mau resultado na comparação dessazonalizada. Se por um lado, o volume de importações por este tipo de bem cresceu 7% sobre o mês de junho, por outro, o volume exportado de bens de capital, que é subtraído da produção doméstica, registrou alta de 37,7%, na mesma base de comparação – resultado da exportação de uma plataforma de petróleo no período em questão.

Por sua vez, o indicador de construção civil registrou a segunda variação positiva seguida, crescendo 1,4% em julho sobre o mês anterior, na série dessazonalizada. Já na comparação contra o mesmo período do ano anterior, enquanto a construção registrou queda de 3,6%, o Came cresceu 2,5% sobre o mês de julho de 2016.

Tabela - Indicador Ipea FBCF jul17Gráfico indicador Ipea FBCF jul17

Acesse aqui a planilha completa com os dados do Indicador Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Atividade Econômica: Desempenho do PIB

Carta de Conjuntura Nº 36

Por Leonardo Mello de Carvalho

Embora a taxa de crescimento da economia tenha desacelerado na margem, o resultado do segundo trimestre apresentou características positivas em termos de perspectivas para a evolução da economia. Enquanto nos primeiros três meses do ano a alta do PIB foi toda explicada pelo desempenho da agropecuária, cuja produção se transformou em acúmulo de estoques e exportações, o crescimento verificado no segundo trimestre voltou a contar também com a contribuição da demanda doméstica. Refletindo uma melhora gradual do rendimento do trabalho e do endividamento das famílias e o estímulo direto dado pelo resgate de recursos do FGTS, o consumo das famílias voltou a crescer após longo período, estimulando especialmente a produção do setor serviços, que também registrou melhora. Além disso, num cenário em que a indústria de transformação segue apresentando trajetória modesta de recuperação, vale destacar a produção de máquinas e equipamentos, cujo bom desempenho, no entanto, ainda não foi suficiente para evitar nova queda dos investimentos. Como resultado, a absorção doméstica, composta pelo consumo total (famílias e governo) e pela FBC (Formação Bruta de Capital Fixo acrescida da variação de estoques), registrou desempenho abaixo do PIB, recuando 0,1% na comparação entre o segundo trimestre de 2017 e o período imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Economia Mundial

Carta de Conjuntura Nº 36

Por Paulo Mansur Levy

A economia mundial segue evoluindo de forma positiva, seja em termos de crescimento, seja em termos das condições financeiras. O segundo trimestre caracterizou-se pela manutenção e/ou aceleração da atividade econômica nos países desenvolvidos, com destaque para a economia japonesa, que surpreendeu ao crescer 1% neste trimestre. As políticas monetárias nos EUA, Área do Euro (AE) e Japão ainda são relativamente acomodativas e, embora a taxa de desemprego nos EUA tenha caído significativamente, a inflação anual tem declinado sistematicamente, inclusive seu núcleo. Diante da perspectiva de uma normalização bastante gradual da política monetária nos países industrializados, o apetite pelo risco dos investidores estrangeiros mantém-se ativo. O índice VIX, que mede a volatilidade do preço dos ativos, está em níveis muito baixos. Por outro lado, a China tem conseguido manter o crescimento em ritmo estável, ainda que haja preocupação com os efeitos negativos derivados da necessidade de reduzir o endividamento das empresas, considerado excessivo.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 36

 Por Marcelo José Nonnenberg

Os dados do setor externo da economia brasileira apresentaram uma relativa estabilidade nos meses recentes. A taxa de câmbio e o risco país, medido pelo CDS, já reverteram a alta apresentada em maio. O superavit da balança comercial, no acumulado do ano até julho, atingiu US$ 42,5 bilhões, 50,6% acima do registrado em igual período do ano passado. No entanto, quando se observa a evolução recente, pelo critério de médias diárias dessazonalizadas, é possível verificar que o saldo ficou praticamente igual ao do mês anterior e 23% abaixo do pico atingido em abril último.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Economia Agrícola

Carta de Conjuntura nº 36

A partir desta publicação, o Ipea retoma a análise trimestral de conjuntura voltada para o setor agropecuário – segmento de grande relevância para a economia brasileira. Para esta tarefa, foram convidadas duas instituições parceiras, que são essenciais na disseminação de informações e estatísticas relacionadas ao setor: i) a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPA/Mapa); e ii) o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). Esta parceria visa contribuir com a disponibilização de dados e análises de preços, produção, emprego, comércio exterior, seguro e crédito para o setor agropecuário, subsidiando os principais atores interessados com informações conjunturais e projeções.

Juntamente à seção de Economia Agrícola, foram lançadas duas notas técnicas sobre o assunto. A primeira, faz Projeções de Longo Prazo para a Agricultura; a segunda, descreve a metodolgia de cálculo do Indicador Ipea de PIB Agropecuário Mensal.

 Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea de PIB Agropecuário Mensal

Carta de Conjuntura nº 36

Por Leonardo Mello de Carvalho e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

Embora apresente uma participação relativamente modesta no Produto Interno Bruto (PIB) do país – 4,7% em 2016 –, o setor agropecuário se caracteriza por um alto nível de encadeamento com outros setores produtivos. Estando sujeito a choques de oferta, suas oscilações bruscas podem ter impactos significativos nas previsões para o PIB agregado, conforme temos observado este ano. Por isso, o Ipea inicia a divulgação do seu indicador mensal de PIB agropecuário tendo como principal objetivo possibilitar uma análise mais tempestiva e ampliar o debate a respeito da dinâmica conjuntural do setor e de seus impactos para as previsões do PIB agregado da economia brasileira. A presente nota explica como este indicador é calculado, em suas quatro etapas: i) mensalização das estimativas sobre as safras dos principais produtos da lavoura; ii) extrapolação das séries mensais dos produtos da pecuária, pesca e silvicultura; iii) determinação dos pesos de cada componente; iv) cálculo do indicador preliminar de atividade agropecuária; e v) cálculo final do indicador Ipea de PIB agropecuário mensal, ajustado ao índice oficial trimestral do IBGE.

 Acesse o texto completo

Acesse os dados do Indicador Ipea de PIB Agropecuário mensal



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Projeções de longo prazo para a agricultura

Carta de Conjuntura nº 36

Por José Garcia Gasques, Geraldo da Silva e Souza, Eliana Teles Bastos, Eliane Gonçalves Gomes, Wilson Vaz de Araújo e Marco Antônio A. Tubino

Esta nota técnica é um resumo das principais conclusões do trabalho Brasil – Projeções do Agronegócio 2016-2017 a 2026-2027, divulgado recentemente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O trabalho tem por objetivo indicar possíveis direções do crescimento da agropecuária e fornecer subsídios aos formuladores de políticas públicas quanto às tendências de produtos do agronegócio.

O período analisado abrange os próximos dez anos. Entretanto, por vários interesses, as projeções se estenderam até 2050. Este período longo interessa, em especial, às áreas ligadas ao meio ambiente. Adicionalmente, várias instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (Food and Agriculture Organization – FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), têm trabalhado com períodos além de dez anos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), referência importante em projeções de longo prazo, concentra-se nas projeções para os próximos dez anos.

 Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação

Carta de Conjuntura Nº 36

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Ao longo dos últimos meses, o processo de desinflação da economia brasileira continuou a surpreender positivamente, repercutindo uma desaceleração em todos os segmentos de preços da economia. Nos últimos 12 meses, encerrados em julho, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação de 2,7% e reduziu à metade a variação apresentada em janeiro (5,4%). Por um lado, o aumento da oferta de alimentos e o baixo dinamismo da demanda doméstica vêm possibilitando uma queda contínua dos preços de bens e serviços livres. Por outro, o bom comportamento do câmbio, aliado à lenta recuperação da atividade econômica e à consolidação da credibilidade da autoridade monetária ajuda a construir este quadro de alívio inflacionário. A melhora do ambiente de inflação brasileiro é corroborada pela trajetória declinante apresentada pelos indicadores de núcleo e de difusão do IPCA, cujas variações vêm se mantendo em patamar abaixo das suas médias históricas.

Não obstante ao que vem acontecendo no varejo, os índices de preços no atacado também apresentam comportamento declinante ao longo do ano. De acordo com o índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), a inflação em 12 meses deste segmento recuou de 7,7% em dezembro de 2016 para -4,2% em julho, refletindo a desaceleração dos preços agrícolas e industriais. O cenário externo mais favorável, tanto em relação ao câmbio quanto às commodities, indica que não há, no curto prazo, nenhum fator de forte pressão sobre a inflação no atacado.

Dentro deste contexto, a expectativa para o restante do ano é de uma inflação bem comportada, em patamar próximo a 3,5%, previsto na edição anterior da Carta de Conjuntura, mesmo em um contexto de aceleração de preços administrados.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Demanda interna por bens industriais avança 1,1% em junho

Por Leonardo Mello de Carvalho e José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Segundo trimestre fecha com alta de 0,4%

O Indicador Ipea de Consumo Aparente (CA) da Indústria – definido como produção industrial doméstica, acrescida das importações e diminuída das exportações – registrou alta de 1,1% na comparação entre junho e maio, na série com ajuste sazonal (ver tabela). Com isso, o resultado do segundo trimestre de 2017 ficou 0,4% acima do verificado nos primeiros três meses do ano. Na comparação interanual, o indicador atingiu patamar 3,5% inferior ao observado em junho de 2016. O resultado trimestral também foi negativo, com queda de 1,9%. Por sua vez, a variação acumulada em 12 meses repetiu o resultado do período anterior, recuando 3,1%. Quando comparado à produção doméstica – medida pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF), cuja retração nos últimos 12 meses ficou em 1,9% – este resultado voltou a indicar um escoamento líquido para o setor externo. Nessa mesma base de comparação, enquanto as exportações acumularam alta de 2,1% nos 12 meses terminados em junho de 2017, o volume importado de bens industriais aumentou 0,9%, segunda variação positiva após 33 meses.

Tabela-Indicador-Ipea-Consumo Aparente_jun-17

Considerando-se o consumo aparente por grandes categorias econômicas, o maior destaque positivo ficou por conta do setor bens de capital, que registrou crescimento de 4,1% entre os meses de junho e maio, na série dessazonalizada. Por outro lado, a categoria bens de consumo duráveis recuou 7,8% na margem, devolvendo parte do forte crescimento registrado no mês anterior. Ainda assim, encerrou o segundo trimestre com avanço de 1,5%. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a queda foi generalizada. Com exceção do setor de bens de consumo duráveis, todas as demais categorias registraram variação negativa sobre junho de 2016.

Entre os segmentos, verificou-se crescimento em nove de um total de 22, o que levou o índice de difusão para 41%. Entre segmentos com maior peso, contribuíram positivamente o de produtos alimentícios, com alta de 5,2% na margem, e o de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, que registrou expansão de 3,6%. Assim como na comparação dessazonalizada, nove segmentos registraram variação positiva ante junho de 2016. Por fim, em relação ao resultado acumulado em 12 meses, dez segmentos já apresentam variação positiva até o mês de junho, principalmente o de produtos alimentícios e veículos automotores, reboques e carrocerias, que registraram crescimento de 3,5% e 2,5%, respectivamente.

Gráficos_Indicador Ipea CA_jun-17

Acesse os dados do Indicador Ipea de Consumo Aparente



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------