Todos os posts de Pedro de Barros Gabriel

Indicador Ipea de FBCF – Agosto de 2019 Investimentos apresentam acomodação em agosto, com queda de 0,7% na margem

Por Leonardo Melo de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta recuo de 0,7% na comparação entre os meses de agosto e julho de 2019, na série com ajuste sazonal, deixando um carregamento estatístico de 1,1% para o terceiro trimestre de 2019. Com esse resultado, o trimestre móvel terminado em agosto registrou alta de 2,1%, também na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a FBCF atingiu patamar 0,5% superior ao verificado em agosto de 2018. No acumulado em doze meses, os investimentos desaceleraram, com a taxa de crescimento passando de 3% para 2,5%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica descontadas as exportações e acrescidas as importações – apresentou retração de 1,3% em agosto. Com esse resultado, o trimestre móvel desacelerou de 5,2% em julho para 2,7% em agosto. De acordo com os seus componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos recuou 2,9%, a importação cresceu 8,1% no mesmo período. No acumulado em doze meses, o resultado aponta expansão de 4,1% para o segmento.

O indicador de construção civil, por sua vez, recuou 1,1% em agosto, resultado que sucedeu alta de 2,4% no período anterior, na série dessazonalizada. Com isso, o trimestre móvel avançou 1,2% ante o período imediatamente anterior. No acumulado em doze meses, o setor segue com fraco desempenho, registrando queda de 0,7%. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou queda de 0,7% na passagem de julho para agosto, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 0,3%.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho mensal foi heterogêneo. Enquanto a construção civil registrou variação positiva de 1,1%, o segmento máquinas e equipamentos registrou queda de 1,7% em agosto. Parte desse resultado foi novamente explicado pela retração das importações no período, que, devido à alta base de comparação – importações de plataformas de petróleo ocorridas em agosto de 2018 –, recuou 14,8% em termos anuais. O componente outros, por seu turno, atingiu patamar 5% superior ao observado em agosto de 2018.

191002_tabela_indicador_ipea_FBCF_ago19

191002_grafico_ago19

Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Crédito e juros

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

O comportamento dos saldos de crédito no segundo trimestre e no mês de julho de 2019 acentuou as diferenças de tendência que vinham sendo observadas: de crescimento no segmento livre e queda no direcionado; de aumento para pessoas físicas (PFs) e diminuição para pessoas jurídicas (PJs); de taxas positivas para bancos privados e negativas para públicos. A taxa de crescimento interanual do saldo de recursos livres foi, em julho, a maior dos últimos sete anos – a de PFs, a maior dos últimos cinco anos. No comportamento do crédito para PF, algumas categorias se sobressaíram: crédito pessoal não consignado; crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público; aquisição de veículos; cartão de crédito à vista (todos do segmento livre); e crédito rural com taxas de mercado (do segmento direcionado). Entre eles, o texto destaca o setor de veículos, com dados de inadimplência, prazos, saldo de empréstimos, novas concessões, taxas de juros e custo do crédito. Ainda sobre o segmento de PF com recursos livres, deve-se ressaltar que o valor das novas concessões em julho de 2019 foi maior que o pico anterior à recessão, em fevereiro de 2014. As novas concessões para PJ estão ainda longe dos valores anteriores à recessão, mas têm trajetória crescente desde fins de 2017. O recente aumento do comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida foi causado pelo crescimento do endividamento não habitacional e pelo aumento no custo de crédito, com maior importância do endividamento. A inadimplência, embora permaneça em níveis baixos, tem subido nos últimos meses. As taxas de juros médias das novas concessões caíram ao longo de 2017 e 2018; em 2019, estabilizaram-se ou aumentaram levemente. Os spreads também caíram ao longo de 2017 e durante o primeiro semestre de 2018, mas depois passaram a subir, e de forma mais acentuada para PF.

190903_cc_44_credito_e_juros_grafico_8

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Política Fiscal

Por Paulo Mansur Levy, Felipe dos Santos Martins e Adriana Cabrera Baca

A política fiscal no primeiro semestre de 2019 manteve sua trajetória de redução gradual do deficit primário que, pelo conceito de necessidades de financiamento do setor público, caiu de 0,4% do PIB no primeiro semestre de 2018 para 0,2% do PIB neste ano, refletindo o desempenho do governo central, cujo deficit caiu de 0,9% do PIB para 0,7% do PIB. O deficit nominal caiu mais intensamente, de 6,5% do PIB no primeiro semestre de 2018 para 5,3% em 2019, refletindo a forte redução das despesas com juros, de 6,1% para 5,2% do PIB. Para estados e municípios, o desempenho segue ligeiramente positivo (0,1% do PIB em doze meses), mas há indicações de um enfraquecimento da posição fiscal dos entes subnacionais no período recente.

Diante de deficit primários ainda elevados, a dívida pública manteve sua trajetória de crescimento ao longo do primeiro semestre de 2019. A dívida líquida passou de 51,5% do PIB em junho de 2018 para 55,2% do PIB em junho deste ano; na dívida bruta do governo geral, o crescimento foi de 77,4% para 78,7% do PIB.

Pelo critério “abaixo da linha”, o Tesouro Nacional registrou um deficit de R$ 28,9 bilhões no primeiro semestre deste ano – queda de 12,3%, em termos reais, em relação ao primeiro semestre de 2018. É o valor mais baixo, a preços constantes, desde o primeiro semestre de 2016. Essa redução refletiu um aumento de 0,6% na receita bruta, um incremento de 4,3% nas transferências a estados e municípios – o que resultou em uma queda de 0,2% na receita líquida – e uma redução de 1,5% na despesa total. O aumento relativamente modesto da receita bruta em nível federal no primeiro semestre (+0,6% real em relação ao primeiro semestre de 2018) refletiu o comportamento das receitas de impostos e contribuições, cuja variação real foi de apenas 0,4%, enquanto as receitas não administradas pela RFB cresceram 1,8%. Parte do fraco desempenho da arrecadação de impostos e contribuições decorre do menor volume de receitas atípicas ou de mudanças de alíquotas (caso da PIS/Cofins sobre o diesel), em comparação com o primeiro semestre de 2018. Segundo a RFB, excluindo-se os fatores atípicos, as receitas recorrentes de impostos e contribuições mostram crescimento de 2,3%, ante 1,2% sem esses ajustes.

A despesa total do governo federal no primeiro semestre caiu 1,4% em termos reais na comparação com igual período de 2018. As despesas com pessoal e encargos sociais aumentaram 1% e os benefícios previdenciários, 1,9%. Em sentido contrário, as outras despesas obrigatórias (principalmente subsídios) caíram 2,6% e as despesas do poder executivo sujeitas à programação financeira, 11,2% – com as despesas discricionárias propriamente ditas caindo 23,5%.

O maior fator de contenção da despesa este ano não é a limitação do teto de gastos. A frustração da arrecadação (principalmente pelo menor volume de receitas extraordinárias, até o momento, em comparação com 2018), associada ao crescimento das despesas obrigatórias, segue comprimindo as despesas discricionárias – agora, para garantir o cumprimento da meta de resultado primário. Em anos anteriores, a restrição efetiva foi o teto dos gastos. É preciso ressaltar que os benefícios previdenciários são o maior componente das despesas obrigatórias e, mesmo com a aprovação da reforma da Previdência, continuarão crescendo em termos reais.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – maio de 2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Em maio, o Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, registrou variação de 0,44%, recuando 0,09 ponto percentual (p.p.) em relação ao observado em abril.  Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a taxa em maio de 2019 ficou 0,02 p.p. acima da apontada em 2018.

Com a incorporação desse resultado, no acumulado em doze meses, o ICTI acelerou levemente, passando de 4,74% em abril para 4,76% em maio. Nota-se que, mesmo diante desse pequeno incremento, nos últimos doze meses, a variação acumulada do ICTI mantem-se abaixo dos índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP). Entretanto, na comparação com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), nota-se uma alta um pouco mais acentuada do ICTI (tabela 1).

tabela_1_ICTI_mai_19

Ao analisar de forma desagregada os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, nos últimos doze meses, os maiores impactos ao índice vieram dos segmentos pessoal e demais despesas operacionais, cuja contribuição conjunta de 3,79 p.p. respondeu por 80% da variação total apontada pelo indicador. Nota-se que, no caso da energia elétrica, embora este grupo tenha apresentado a maior variação entre todos os segmentos, o seu peso reduzido na composição do ICTI contribuiu com apenas 0,07 p.p.

tabela_2_ICTI_mai_19

Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Análise preliminar do acordo Mercosul-União Europeia

Por Marcelo José Braga Nonnenberg e Fernando José Ribeiro

No dia 28 de junho de 2019 foi anunciada a conclusão da negociação do acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), após um longo processo iniciado há vinte anos. Trata-se muito mais que simplesmente um acordo de livre comércio. Engloba diversos temas econômicos, além dos pilares político e de cooperação. Portanto, além do aumento do comércio de bens entre as duas regiões, pode-se esperar crescimento dos investimentos externos − atraídos pela maior estabilidade de regras, convergência regulatória, mecanismos de solução de controvérsias e transparência –, do comércio de serviços e maior integração e convergência nos campos econômico, político, regulatório, de meio ambiente, de tecnologia etc.

Até que os termos do acordo sejam divulgados, não será possível fazer uma avaliação mais profunda sobre seu impacto global. No entanto, o presente trabalho apresenta as informações disponíveis até o momento referentes às alterações tarifárias negociadas bem como às quotas (com e sem tarifas) concedidas para diversos produtos do agronegócio e uma avaliação dos possíveis impactos por categoria de produto a partir do fluxo atual de comércio.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Economia mundial

Por Paulo Mansur Levy

A economia mundial continuou a exibir, no segundo trimestre do ano, sinais de desaceleração da atividade econômica, embora a intensidade do processo ainda não esteja clara. Além da perspectiva incerta em relação ao Brexit e das tensões geopolíticas envolvendo sanções ao Irã, houve no período um agravamento do conflito comercial entre Estados Unidos e China. As tensões comerciais parecem estar impactando a atividade econômica global tanto direta quanto indiretamente. O comércio internacional nos quatro primeiros meses de 2019 cresceu apenas 0,4%, em volume, em relação a igual período de 2018, o que representa forte desaceleração em relação ao crescimento de 4,1% de meados do ano passado. Indiretamente, a guerra comercial, na medida em que aumenta incertezas num mundo com cadeias de produção cada vez mais integradas, vem afetando o investimento.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea Mensal de FBCF – Abril de 2019 Investimentos iniciaram o segundo trimestre com crescimento

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta alta de 0,5% em abril em relação a março de 2019, na série com ajuste sazonal, deixando um carregamento estatístico de 0,7% para o segundo trimestre de 2019. Com esse resultado, o trimestre móvel terminado em abril registrou queda de 0,3%, também na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu patamar 0,9% inferior ao verificado em abril de 2018. No acumulado em doze meses, os investimentos desaceleraram, com a taxa de crescimento passando de 3,7% para 2,7%.

Ainda na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção interna líquida das exportações (nacional) acrescida das importações – apresentou avanço de 0,3% em abril. Entre os componentes do Came, enquanto o segmento nacional cresceu 2,8%, a importação de bens de capital recuou 11% na margem, resultado que sucedeu a alta de 8,4% observada no período anterior.

O indicador de construção civil, por sua vez, também registrou desempenho positivo em abril, avançando 1% na série dessazonalizada. Ainda assim, o setor encerrou o trimestre terminado em abril com retração de 0,7% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, também contribuiu positivamente para o desempenho dos investimentos em abril, registrando avanço de 0,5% na margem.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho em abril foi negativo. Com exceção do componente outros ativos fixos, que cresceu 6,4%, todos os demais registraram variação negativa. Tanto o Came quanto a construção civil recuaram 2,1% em relação ao mês de abril de 2018. O componente da construção continua sendo o destaque negativo, tendo registrado queda de 2,5% na comparação entre o trimestre terminado em abril e o terminado em janeiro.

190606_cc_indicador_ipea_FCFB_tabela1

190606_cc_indicador_ipea_FCFB_grafico1

Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Judicial indicators for the credit market in Sao Paulo: definition, methodology and results

By Alexandre S. de Castro, Augusto C. Romeiro and Marco Antônio F. H. Cavalcanti

This technical note presents a novel set of indicators on the conditions of credit markets in Brazil, based on judiciary records obtained from official gazettes published by the state court of Sao Paulo – the Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. These indicators are computed with a relatively short publication lag, of less than ten days from the end of the reference period.

This set of judicial indicators reflects the volume and the economic value of ju­dicial disputes related to delinquency and default on loans as well as breaching of civil contracts: foreclosure of debt instruments, monition actions, evictions and search and seizure in fiduciary liens.

The indicators comprise the majority of credit instruments available in the market, issued both by financial and non-financial creditors. They also include the following case classes: search and seizure in fiduciary liens – typical of credits towards durable goods (mainly motor vehicles); evictions, which result from default on lease agreements; and business reorganizations (analogous to the Chapter 11 in the United States). Overall, this group of judicial claims is closely related to the degree of insolvency of both firms and households.

The construction of a panel of judicial indicators is based on a system developed at IPEA, denominated IPEAJUS. This system identifies judicial cases on oficial gazettes (or other sources), automatically extracts case information on the websites of the courts and codifies non-structured information such as litigant “types” and judicial decisions. The core of the system is a relational, PostGRESQL database, designed to host all the case data that is extracted from the courts.

View PDF



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – março de 2019 Demanda interna por bens industriais recuou 2,7% na margem

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações – registrou queda de 2,7% na comparação entre os meses de março e fevereiro, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, quarto recuo seguido nessa base de comparação, o primeiro trimestre de 2019 encerrou com retração de 2,8% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações (nacional) caiu 4,3% na margem, as importações de bens industriais registraram alta de 5%, conforme mostra a tabela 1.

190514_tabela_indicador_ipea_ca_mar_19

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais recuou 7,2% contra março do ano passado. O resultado voltou a ser pior que o desempenho apresentado pela produção industrial (queda de 6,1%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o primeiro trimestre atingiu patamar 2,7% inferior ao verificado no mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda desacelerou em relação a fevereiro, mas segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (1,3%) que o apresentado pela produção industrial (-0,1%), como visto no gráfico 1.

190514_grafico_indicador_ipea_ca_mar_19

Em relação às grandes categorias econômicas, o resultado de fevereiro foi negativo. Na comparação com ajuste sazonal, com exceção do segmento bens de capital, que avançou 2,1%, todos os demais registraram queda em relação ao mês de fevereiro. O destaque negativo ficou por conta do segmento bens de consumo semi e não duráveis, que recuou 3,1% na margem. Na comparação interanual, o resultado foi similar. Enquanto o setor bens de capital foi o único a crescer, ficando 3,1% acima do patamar de março de 2018, os segmentos bens de consumo duráveis e bens de consumo semi e não duráveis destacaram-se negativamente, com quedas de 15,4% e 5,7%, respectivamente.

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Crédito e juros

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Desde agosto de 2017, há vinte meses, portanto, o saldo de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) está virtualmente estável em 47% do produto interno bruto (PIB). Como o PIB real cresceu pouco nesse período, o crescimento nominal do saldo de crédito praticamente apenas acompanhou a inflação. A decomposição do total, porém, mostra crescimento do crédito livre para pessoas físicas (PFs) e queda do direcionado a pessoas jurídicas (PJs). Essa queda tem sido em parte compensada pelo maior recurso das empresas ao mercado de capitais e ao mercado externo. Essa tem sido a alternativa, entretanto, para poucas empresas e em setores específicos, como saúde, saneamento e educação, telecomunicações e energia, de acordo com o Banco Central do Brasil (BCB). No entanto, a redução no saldo de crédito direcionado para PJs – com destaque para as operações com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – também se concentrou em poucas empresas. Nesse período de vinte meses de virtual estabilidade do saldo do crédito como proporção do PIB, as novas concessões, entretanto, apresentaram taxas de crescimento real expressivas. Para citar apenas os dados mais recentes, no primeiro trimestre de 2019, o total de novas concessões cresceu 5,6% sobre o mesmo trimestre de 2018, em termos reais e considerando a média por dias úteis. É interessante observar também que, levando em conta apenas as instituições financeiras privadas, às quais corresponde a metade do saldo de crédito atualmente no SFN, o desempenho do crédito é robusto: o crescimento real na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o primeiro do ano passado foi de 8,4%.

Em março de 2019, a taxa de inadimplência no SFN estava nos níveis mais baixos da série iniciada em 2011, tanto para PJ quanto para PF. Mas o percentual de famílias que ganham até dez salários mínimos que relatam estar com contas atrasadas está elevado, assim como o das que dizem que não terão condições de pagar – de acordo com os dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O endividamento para fins habitacionais como proporção da renda anual tem se mantido praticamente constante desde o fim de 2015. O endividamento para outros fins, após cair até dezembro de 2017, passou a elevar-se. O comprometimento da renda mensal das famílias com o serviço da dívida caiu ao longo do terceiro trimestre de 2018 e se estabilizou desde então. O aumento anteriormente ocorrido do endividamento com fins habitacionais – processo longo, que durou mais ou menos de 2009 a 2015 – levou também, naturalmente, à maior participação desse segmento no comprometimento da renda mensal.

Acesse o texto completo

 



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------