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Inflação por faixa de renda – Março/2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Mantendo uma trajetória ascendente, iniciada em dezembro de 2018, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda – calculado com base nas variações de preços de bens e serviços disponibilizados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – registrou, em março, nova aceleração no ritmo de crescimento dos preços em todas as classes pesquisadas, especialmente para a classe de renda mais baixa (tabela 1). Assim como vem ocorrendo ao longo dos últimos meses, a alta dos alimentos vem impactando de forma mais significativa as famílias mais pobres. Não obstante ao fato de que, em março, dos dezesseis subgrupos que compõem o segmento alimentação no domicílio, quatorze apresentaram variações positivas, as maiores altas ocorreram justamente nos itens de maior peso no consumo das famílias de menor renda, como cereais (5,2%), tubérculos (18,7%), hortaliças (6,1%) e frutas (4,3%). Em contrapartida, itens mais consumidos pelas famílias mais ricas, como leites e derivados (0,49%), carnes (0,63%) e bebidas (-0,15%), apresentaram comportamento mais favorável. Dessa forma, o grupo alimentação foi o principal responsável pela inflação de 0,80% observada na classe mais baixa, cuja contribuição de 0,51 p.p. respondeu por aproximadamente 64% da taxa total registrada (tabela 2). Ainda que em menor escala, a alta do grupo transportes, refletindo os reajustes nas tarifas de ônibus urbano (0,9%) e de trens (2,1%), também impactou a inflação deste segmento.

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Veja análise completa do indicador



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Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Este boletim apresenta as expectativas de mercado como estavam em 29 de março de 2019 e as compara com as de cinco semanas antes, 22 de fevereiro, data de refe­rência da última edição. As principais alterações ocorreram nas expectativas para a meta Selic e para o crescimento do produto interno bruto (PIB). O momento esperado para o início da alta da taxa de juros tem sido seguidas vezes postergado. Em 22 de fevereiro, o início era previsto para janeiro de 2020 e a taxa chegaria a meados do ano em 7,5%. A expectativa de mercado, agora, é de estabilidade da Selic em 6,5% até abril de 2020, com posterior elevação para 7% em meados do ano que vem. No cenário básico da Dimac/Ipea, divulgado na Visão Geral da Conjuntura, a meta para a Selic permanece em 6,5% até o fim de 2020. Depois da divulgação do PIB do quarto trimestre de 2018, as projeções do Boletim Focus/BCB para o crescimento do PIB se alteraram, sofrendo também a influência de indicadores de nível de atividade já disponíveis para os primeiros meses do ano. As maiores revisões para baixo ocorreram nos três primeiros trimestres de 2019, e a previsão para o ano caiu de 2,5% para 2,0%. As expectativas de crescimento para 2020 em diante, entretanto, não foram significativamente alteradas. No cenário da Dimac/Ipea, a projeção para 2019 caiu de 2,7% em dezembro de 2018 para 2,0% em março deste ano – para 2020 é de 3,0%, um pouco acima da média do Boletim Focus, de 2,7%. As previsões do Boletim Focus e as do Prisma Fiscal para o resultado fiscal primário quase não se alteraram. O mesmo aconteceu com a taxa de câmbio, as curvas de juros reais e nominais e as expectativas de inflação.

Gráficos 2 e 14

Acesso o texto completo



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Inflação por faixa de renda – Fevereiro/2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Em fevereiro, pelo terceiro mês consecutivo, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços disponibilizados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou aceleração no ritmo de crescimento dos preços em todas as classes pesquisadas, especialmente a classe de renda mais alta – que apresentou a maior aceleração em relação ao mês anterior. Embora refletindo causas distintas, as maiores taxas de inflação foram registradas nos segmentos de menor e maior poder aquisitivo (tabela 1) – as classes intermediárias, por sua vez, tiveram altas menores de preços. No caso das famílias de renda mais baixa, observa-se que a taxa de inflação de 0,51% em fevereiro ocorreu, sobretudo, devido ao incremento no ritmo de crescimento dos preços dos alimentos, em especial dos cereais (12,6%), das verduras (12,1%) e dos tubérculos (6,1%). Na desagregação por grupos (tabela 2), verifica-se que a contribuição de 0,36 p.p. vinda dos alimentos explica 70% de toda a variação da inflação de fevereiro das classes mais pobres.

Em contrapartida, a inflação de 0,53% observada no segmento de renda mais alta foi pressionada pela alta do grupo educação, cuja contribuição de 0,33 p.p. é decorrente dos reajustes de 4,6% dos cursos regulares e de 3,2% dos cursos diversos. Deve-se destacar que parte do impacto do grupo educação foi amenizada pelo comportamento dos transportes, dado que as deflações dos combustíveis (-0,9%) e das passagens aéreas (-16,7%) acabam beneficiando muito mais os segmentos de renda mais alta, pois são estas classes que consomem estes bens e serviços.

Tabela 1 - Inflação por Faixa de Renda

Gráficos 1 e 2 - Inflação por Faixa de Renda

Veja análise completa do indicador

Acesse aqui a planilha com a série completa das taxas mensais de inflação por faixa de renda



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – dezembro de 2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação nula no mês de dezembro, mantendo-se praticamente estável em relação ao observado em novembro (-0,01%). Na comparação interanual, observa-se que o resultado do ICTI em dezembro não só ficou bem abaixo do registrado neste mesmo mês de 2017 (0,66%), mas também apontou o menor nível de variação para o mês de dezembro desde o início da série histórica em 2013.

Com a incorporação desse resultado, no acumulado dos últimos doze meses, o ICTI apresentou variação de 2,58%, permanecendo em patamar inferior ao dos demais índices, a saber: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), como mostra a tabela 1.

Tabela 1

Entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, embora a energia elétrica tenha apresentado a maior variação nos últimos doze meses (8,7%), o maior impacto sobre o índice veio das demais despesas operacionais, cuja alta de 7,6% contribuiu com 1,36 ponto percentual (p.p.), o que corresponde a mais da metade de toda a variação do ICTI no período. Adicionalmente, a alta de 4,2% observada nos serviços profissionais também exerceu forte pressão sobre o índice, contribuindo com 0,51 p.p. Por fim, deve-se ressaltar o comportamento favorável do grupo comunicação com queda de 0,08% (tabela 2).

Tabela 2

Acesse aqui a planilha com a série completa do ICTI



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – novembro de 2018

Por Marco Antônio F. de H. Cavalcanti e Leonardo S. Vasconcelos

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) calculado pelo Ipea apresentou variação de -0,01% no mês de novembro e ficou 0,50 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,51% registrada em outubro. Esse foi o segundo menor nível para um mês de novembro desde o início da série histórica em 2013.

Na ótica dos últimos doze meses, o ICTI apresentou um acumulado de 3,25%. Na comparação do acumulado de doze meses, o ICTI se situa abaixo dos demais índices, a saber: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) –, enquanto, no acumulado do ano, o indicador apresenta o menor aumento entre os índices analisados, como mostra a tabela 1.

ICTI e índices amplos de preços (novembro de 2018)

Entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, demais despesas operacionais apresentou a maior variação no acumulado de doze meses até novembro de 2018, com incremento de 9,69%. Os demais grupos vieram com altas variando entre 0,90% e 7,46%, com exceção de comunicação, que teve diminuição de 0,20%, conforme pode ser observado na tabela 2. Os maiores impactos no ICTI ocorreram pelo grupo demais despesas operacionais, que foi responsável por 1,74 p.p. do índice, e serviços profissionais e outros, que impactou em 0,50 p.p.

ICTI e índices amplos de preços (novembro de 2018)

Acesse aqui a planilha com a série completa do ICTI



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Finanças públicas estaduais

Por Mônica Mora Y Araujo de Couto e Silva Pessoa, Cláudio Hamilton Matos dos Santos e Felipe dos Santos Martins

A análise das finanças públicas estaduais nos primeiros oito meses de 2018 indi­ca que a maior parte dos governos estaduais se encontra com desequilíbrios de ordem fiscal e financeira, tanto de natureza conjuntural quanto estrutural. O fato de a crise ser praticamente generalizada sugere que os instrumentos institucionais disponíveis não foram suficientes para evitar a degradação das finanças públicas subnacionais que se seguiu à crise da economia, iniciada em 2014.

Mesmo com os esforços engendrados pelos governos estaduais e a lenta retomada da atividade econômica, as receitas estaduais não cresceram expressivamente. O comportamento das despesas, por sua vez, foi fortemente influenciado por questões de ordem estrutural, a saber, o gasto com pessoal ativo e inativo.
Aqui cabe destacar que a análise de gastos com pessoal ativo e inativo foi calcada em indicadores construídos com a intenção de aumentar a consistência e a confiabilidade dos dados e permitir um maior grau de comparabilidade entre as Unidades da Federação (UF). Essa metodologia permite afirmar que o crescimento dos gastos com pessoal esteve associado sobretudo à dinâmica dos gastos com inativos.
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Acesse o texto completo

Dados atualizados do número de pessoal – 2017



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Indicadores bimestrais dos gastos com pessoal nos estados brasileiros (2006:1-2018:4)

Por Cláudio Hamilton Matos dos Santos, André José Silva de Brito, João Henrique Batista de Sá, Udson Eduardo Nogueira Machado e Vinícius Augusto Lima de Almeida

Esta nota tem como objetivo propor indicadores de alta frequência para os gastos com pessoal dos estados brasileiros para o período que vai do primeiro bimestre de 2006 até o quarto bimestre de 2018.

Os dados anuais de referência utilizados na construção dos indicadores ora pro­postos seguem a metodologia exposta em Santos et al. (2017) – cuja série foi re­vista e atualizada até 2017. Os indicadores propriamente ditos foram estimados por meio dos procedimentos de desagregação temporal/nowcasting de Chow e Lin (1971), implementados por meio da rotina tempdisagg desenvolvida para o software R (Sax e Steiner, 2013a).

Os procedimentos propostos nesta nota permitiram a construção de séries bi­mestrais para os gastos com servidores ativos em 23 dos 27 estados brasileiros (incluindo o Distrito Federal). Foi possível, ainda, construir séries bimestrais para os gastos com servidores inativos em 25 dos referidos 27 estados. As exceções foram os estados de AP, PR, RN e RR para os gastos com ativos e RN e RR para os gastos com inativos.

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Acesse a planilha de gastos com servidores ativos e inativos por Unidade da Federação



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Inflação por faixa de renda – Setembro/2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Em setembro, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela uma forte aceleração em todos os segmentos pesquisados, tanto na margem quanto no acumulado em doze meses (tabela 1). Na desagregação por renda, nota-se que, embora a forte alta do grupo transportes – em especial, combustíveis (4,2%) e passagens aéreas (16,8%) – tenha pressionado a inflação de todas as faixas, este impacto foi bem mais intenso no segmento composto pelas famílias de maior poder aquisitivo, dado o peso destes itens na cesta de consumo desta classe (tabela 2). Ainda em termos relativos, observa-se que o grupo despesas pessoais, influenciado pelas altas dos serviços pessoais (0,42%) e de recreação (0,30%), gerou maior contribuição para a inflação das classes mais ricas.

No entanto, a alta dos grupos alimentos e bebidas e habitação gerou incrementos maiores para a inflação das famílias mais pobres em comparação com as mais abastadas. De fato, por serem itens de maior peso no dispêndio das classes mais baixas, os reajustes do aluguel (0,24%), da energia elétrica (0,46%), dos cereais (1,7%) e dos panificados (0,9%) influenciaram mais fortemente a inflação dos segmentos de menor renda.

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Why have food products caused the June 2018 Consumer Price Index increase to be the largest since 1995?

By José Ronaldo de Castro S. Júnior, Ana Cecília Kreter and Jefferson Staduto

On July 6th, the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) published the Broad National Consumer Price Index (IPCA) for the month of June. The agricultural sector, which has recently been contributing greatly to the stability of the IPCA, ended up being one of those responsible for its largest monthly increase since 1995.

In fact, this sector has been playing an increasingly strategic role in the Brazilian economy. Given its critical contribution both to the internal demand for food and raw materials and in terms of the Trade Balance, the sector has had a significant impact on international trade and on the level of economic activity, and is most likely to continue to do so in future. There is also a direct relation between the price of agricultural products and inflation. The “food and beverages” group is responsible for the largest portion (24.27%) of the IPCA. Within this group, “household food items” account for 15.61% of the total IPCA.

The purpose of this technical note is to examine the behavior of the price of the agricultural products that make up the “food and beverages” group and to propose some reasons why these products had such a large impact on the IPCA last June.

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Política Fiscal

Carta de Conjuntura Nº 39
Por Paulo Mansur Levy

O desempenho fiscal do governo federal nos primeiros quatro meses do ano revela tanto a determinação quanto os limites para reduzir o deficit público, e assim reconduzir a dívida pública para uma trajetória sustentável. Por um lado, constata-se que o crescimento da economia, mesmo que moderado, vem sendo capaz de gerar uma boa recuperação da arrecadação. Por outro, a despesa cresce pressionada pelos gastos obrigatórios, notadamente Previdência Social (PS) e pessoal, e também por um certo relaxamento das restrições aos gastos discricionários, com destaque para as outras despesas de capital. A perspectiva é de que o deficit primário do governo central cresça este ano em relação a 2017, passando de 1,9% do produto interno bruto (PIB) no ano passado para 2,3% do PIB este ano.

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