Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde –

A violência de gênero é um reflexo direto da ideologia patriarcal, que demarca explicitamente os papéis e as relações de poder entre homens e mulheres. Como subproduto do patriarcalismo, a cultura do machismo, disseminada muitas vezes de forma implícita ou sub-reptícia, coloca a mulher como objeto de desejo e de propriedade do homem, o que termina legitimando e alimentando diversos tipos de violência, entre os quais o estupro. Isto se dá por dois caminhos: pela imputação da culpa pelo ato à própria vítima (ao mesmo tempo em que coloca o algoz como vítima); e pela reprodução da estrutura e simbolismo de gênero dentro do próprio Sistema de Justiça Criminal (SJC), que vitimiza duplamente a mulher.

Ataulfo Alves, autor de sambas imortais como “Ai que Saudade da Amélia” e “Mulata Assanhada”, reconhecidamente um dos mais argutos compositores em relação aos ditos populares de sua época, talvez seja um bom exemplo de como o machismo e a cultura da dominação passa não apenas a ser admitido, mas mesmo romanceado e admirado na sociedade. Como bem apontou Andrade4 (2004, p. 62), a legislação e o exercício de controle e poder pelo SJC reflete e perpetua a cultura do machismo.


Autor


Daniel Cerqueira

Danilo Santa Cruz Coelho


20/05/2017 - 19:57:22




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